segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Centro Cultural abre mostra com obras plásticas de Flávio Machado




Não só a obra, mas o processo de criação percorrido até chegar nela. Este é o objetivo da exposição “A Busca”, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte, Laser e Juventude. A mostra é formada por aproximadamente 25 telas do artista plástico tatuiano Flávio Machado.
Instalada no espaço de eventos do Centro Cultural Municipal (praça Martinho Guedes, 12), a exposição pode ser visitada até o dia 4 de novembro, de segunda a sexta, das 10h às 21h. Na noite de quinta-feira, 18, o artista recebeu convidados para o lançamento oficial da mostra.
Segundo ele, o nome “A Busca” foi escolhido por conta da natureza da exposição, que reúne coletânea de trabalhos dele em diferentes épocas, estilos e estudos.
“O artista vive numa eterna busca porque, quando ele concebe uma obra, vai tentando criar e, até o término, ela pode variar muito”, comentou Machado.
Para criar uma das principais obras da exposição, o artista se inspirou no pintor norte-americano Paul Jackson Pollock (1912–1956). Para isso, criou um tipo de rede utilizando latex misturado a outros materiais. “Neste caso, a finalidade foi o material”.
No entanto, o artista tatuiano quis apresentar algo novo e iniciou processo de criação que se estendeu por 11 anos. “Como ele (Pollock) já havia feito isso em 1950, e eu tenho uma mania de querer fazer algo diferente, pesquisei muito, perdi muito material, errei, mas consegui chegar onde queria”, explicou.
De acordo com Machado, nas demais obras também há uma representação de busca. “Quando você cria, tira do nada e põe na tela, já está buscando”. Por conta dos erros, que o obrigaram a fazer inúmeras tentativas, o artista fez questão de incluir alguns esboços na exposição.
“Os esboços podem mostrar que você sempre inicia a partir de alguma coisa, até chegar à obra final”, avaliou o artista, que diz ter a “busca pela composição” como sua fonte inspiradora. “Nos meus quadros, existem pelo menos sete fatores que eu procuro observar, entre eles, cor, equilíbrio e material”.
Machado descreve-se como artista contemporâneo e diz que não faz questão de que as composições sejam figurativas. “Tenho algumas obras figurativas abstratas, mas prefiro ficar mais próximo da arte moderna”.
Conforme Machado, a maior parte dos quadros expostos já está vendida e é desconhecida do público. “Só alguns amigos meus conhecem esses trabalhos”, informou.
Por isso, a mostra inaugurada na quinta-feira representa uma oportunidade única para os tatuianos, já que depois do fechamento, os quadros devem ser devolvidos aos proprietários.
Para possibilitar a exposição, a pedido da Secretaria da Cultura, o artista entrou em contato com os donos das obras e propôs empréstimos. Aos 44 anos, o artista acredita que já produziu mais de mil quadros, a maioria comercializada com pessoas de outras cidades.
“Para Tatuí, isso aqui é uma novidade porque eu não expus estes trabalhos. A maior parte dos meus trabalhos está fora, em Sorocaba, São Paulo e até na Itália. Em casa, tenho muito pouco”, comentou.
Para ele, o fato de ter comercializado maior parte do acervo representa uma resposta positiva em relação à aceitação do trabalho artístico. Entretanto, ele diz que não procura se ater muito a registros de 
“Acredito que tenho mais de mil quadros, mas não tenho perspectiva. Não sou de marcar ou anotar. Tem quadros que eu não sei onde 
Embora não se preocupe muito com registros, Machado lembra que o trabalho artístico faz parte da vida dele desde muito cedo. “Eu me conheço como pintor. Acho que nasci com o pincel e o lápis na mão”, afirmou o artista, que, ainda criança, ganhava “um dinheirinho fazendo trabalhos escolares para os colegas que não sabiam 
Ainda jovem, estudou e praticou no atelier da artista plástica Terezinha Pinto. Em seguida, foi estudar em São Paulo, na Escola Pan-Americana de 
Lá, ainda como estudante, foi selecionado para expor e recebeu uma menção honrosa por uma de suas obras. Ao longo da carreira, já recebeu diversos prêmios e participou de exposições individuais e coletivas em outras 
O trabalho de Machado não se resume à pintura. Em Tatuí, ele teve o privilégio de ser o primeiro a expor uma instalação artística no Museu Historiográfico “Paulo Setúbal”, na época em que o local ainda era conhecido como Casa de Cultura. “Ocupei toda a parte de cima do museu. Foi a maior instalação que já teve lá”, 
Uma das obras mais importantes do tatuiano é uma cruz de madeira, exposta em abril de 2011 no Museu “Paulo Setúbal”, por meio da mostra “Tatuhy e a Arte Sacra”. “Encontrei a madeira no chão e achei bonita. Ela virou um crucifixo contemporâneo, diferente dos 
O trabalho de Machado inclui, ainda, alguns esboços de projetos arquitetônicos, pinturas de pratos e um projeto de escultura 
O monumento de aço, que deverá ter mais de cinco metros de altura, terá detalhes divulgados em breve. “O artista brinca com tudo, ele é amplo, lida com vários materiais e suportes”.
                                                                                                                                

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