segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Civil prossegue com caso para verificar condições de clínica

A Polícia Civil deu sequência ao caso do óbito ocorrido em clínica de recuperação situada em Tatuí com verificação das condições de funcionamento do estabelecimento.
Depois do esclarecimento da autoria, o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, quer saber qual é a situação “documental” do espaço.
Segundo ele, o objetivo é apurar se a clínica está legalmente estabelecida no município (com alvarás da Prefeitura, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária). O delegado também quer saber se o corpo clínico (médicos e psiquiatras e demais funcionários) têm registros nas respectivas funções.
Andreucci disse, ainda, que outras dúvidas devem ser dirimidas com as próximas oitivas. A PC questionou o estabelecimento sobre a legalidade da sala de contenção (que possui grades em portas e janelas) e a respeito do atendimento.
“Vamos verificar se é legal manter pessoas numa cela especial com grades e a própria omissão da clínica, que não percebeu que o crime teria ocorrido durante a madrugada”, afirmou.
Técnicos do IC (Instituto de Criminalística) de Itapetininga estiveram no local nesta semana para perícia. Ao inquérito, serão juntados os exames necroscópico (da vítima) e de corpo delito (dos dois internos suspeitos) e os depoimentos dos responsáveis pela clínica.
A PC aguarda, ainda, que os proprietários apresentem as documentações do estabelecimento.

Fatalidade

Em declaração à reportagem de O Progresso, Victor Custódio Ribeiro, um dos proprietários da clínica “Liberdade e Vida”, classificou o caso como “fatalidade”. Segundo ele, os funcionários não perceberam o crime por conta da ação dos dois suspeitos.
José Antônio Moraes Neto, 38, teria sido transferido da unidade de Bragança Paulista para Tatuí na noite de domingo. Ele havia sido internado por familiares e seria dependente de cocaína.
“Em princípio, ele tomou psicotrópicos (com efeito sedativo). Aí, foi para minha clínica em Bragança Paulista. A família dele chegou e viu ele em Bragança, já dormindo. Então, ele veio para cá, normal. Quando chegou aqui é que veio acontecer o fato. A família estava ciente da transferência”, comentou o proprietário.
Em Tatuí, Neto foi alocado na mesma sala que Trench e Ribeiro. “Os outros dois tinham problemas graves relacionados ao vício de crack”, citou Custódio Ribeiro.
Segundo ele, os dois estavam na clínica havia menos de dez dias. “Eles nunca tinham dado problema. Já tentaram fuga, e estavam lá para refletir”, disse.
O proprietário também sustentou que os funcionários não ouviram nenhum barulho, porque os autores teriam “colocado um travesseiro no rosto da vítima”. “Isso seria para impedir que ela não pedisse socorro”, disse o delegado.
Na sequência, Trench e Ribeiro teriam espancado o colega de confinamento e coberto o corpo dele “de forma a parecer que estava dormindo”.
“Como ele havia sido internado naquela noite, para relaxar um pouco mais, já que estava sedado, os funcionários deixaram Neto dormir até a hora do almoço”, afirmou Andreucci. “Daí, o fato de que notaram o óbito às 11h”.
O proprietário afirmou que a sala de contenção é um ambiente destinado à “meditação”. É para lá que os internos “problemáticos” e os recém-chegados são enviados.
O período de permanência no espaço varia conforme o tempo de abstinência. “É um local para a pessoa refletir e não fugir. A maioria dos meus internos, quase todos, passou pelo mesmo processo que dá início ao tratamento”.
Custódio Ribeiro alegou, ainda, que a imobilização dos internos (medida adotada em alguns casos) com fita adesiva nos tornozelos e pulsos visa evitar que a pessoa venha a se machucar ou a machucar quem estiver próximo.
Também sustentou que não “dopa” os internos, apenas administra medicamentos sedativos via oral. “Não trabalhamos com via intravenal (injeção)”.
Com cópias de documentos (alvará e licença de funcionamento, bem como registro da equipe de profissionais), o sócio da clínica afirmou que o crime gerou “desconforto” para os internos.
“No começo, ninguém sabia o que estava acontecendo. Depois, nós fomos conversar com eles para que soubessem”, disse.
O proprietário afirmou, ainda, que a clínica vai prestar o apoio necessário aos familiares de Neto. Um psicólogo foi destacado para prestar atendimento à família do interno espancado pelos colegas de confinamento.
“Vamos tomar todas as providências para evitar que uma situação semelhante a essa volte a ocorrer. Foi um fato isolado que aconteceu. Eu trabalho há sete anos com dependentes químicos. Infelizmente, isso foi inevitável”.
Custódio Ribeiro negou que houvesse maus-tratos aos internos e disse que a imobilização não representa castigo, “mas uma forma de proteger o dependente em estado de surto”.
“Se eu não desse cobertor, colchão, alimentação, aí seria maus tratos”, alegou.
                                                                            oprogressodetatui.com.br

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