A greve dos bancários em Tatuí completou 18 dias na sexta-feira, 14. A paralisação, iniciada por funcionários do Banco do Brasil e da CEF (Caixa Econômica Federal) no dia 27 de setembro, ganhou corpo no município e, na região, já atinge 62% das agências.
O balanço é do Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região, entidade que suspendeu as negociações que aconteceriam na sexta-feira, 14, com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), representante dos banqueiros.No município, além do BB e da CEF, aderiram ao movimento o Itaú, o HSBC e o Santander (cujo atendimento funciona parcialmente). Apenas o Bradesco não aderiu.
Até a terça-feira, 11, o sindicato havia conseguido mobilizar 3.056 funcionários das agências em funcionamento em Sorocaba e região. O número representa 63% do total dos bancários na ativa. A categoria é composta por 4.802 funcionários, atuando em 244 agências sob a responsabilidade do sindicato.
Também conforme balanço, a entidade classista registra a adesão de 152 agências ao movimento grevista, sendo 48 do Banco do Brasil, 28 da Caixa Econômica Federal, 5 do Bradesco (funcionando parcialmente), 24 do Itaú, 13 do HSBC, 29 do Santander, 3 do BMB e 2 “outras” agências não descritas.
A categoria, por meio de nota, informou ainda que suspendeu as negociações marcadas para a sexta-feira, 14, com a Fenaban. A argumentação era de que a federação estaria tentando “tirar números do movimento sindical”. Os banqueiros, antes da rodada de negociações, teriam oferecido proposta de reajuste de 8,4% nos salários. “Receberam nossa recusa de imediato, pois nenhum sindicato defende este valor em assembleia e isso não valoriza o piso, PLR (participação nos lucros e resultados), nem contempla o pedido de aumento real”, salientou a diretoria da entidade.
O comando da greve visita os municípios diariamente. Alguns de seus membros permanecem nas portas das agências, em manifestação pacífica. Os líderes, contudo, não têm autonomia para comentar o índice oferecido pela Fenaban. O retorno às negociações aconteceria na manhã deste sábado, 15.
O movimento, segundo divulgou a entidade classista sorocabana, é uma resposta à última rodada de negociações entre a Fenaban e os sindicatos, que teria terminado “sem sucesso”. Na reunião, realizada no dia 23 de setembro, em São Paulo, não houve acordo. Os sindicatos pediam reajuste de 12,8% de aumento real nos salários. Conforme a entidade, os bancos teriam oferecido apenas 8% de reajuste salarial.
O sindicato alega que a proposta feita pelos bancos “não contempla a valorização do piso da categoria e não aumenta a PLR”. “Além disso, também não traz avanços em relação às reivindicações de emprego e melhoria das condições de trabalho”, cita em material encaminhado à imprensa. A paralisação, ainda conforme o sindicato, não tem previsão para terminar.
TRANSTORNOS
A greve das agências tem provocado filas quilométricas e transtornos ao cotidiano dos tatuianos. Muitos deles precisam enfrentar horas nas filas das lotéricas para efetuar o pagamento de contas e evitar cobrança de juros. É o caso de Roberta de Sousa, 26. A secretária precisou pedir dispensa do serviço para quitar as contas de casa. “Acho essa situação um absurdo”, reclamou.Roberta gastou quase uma hora para conseguir chegar à boca do caixa da casa lotérica. Além do pagamento das dívidas, ela disse que está tendo dificuldades para fazer movimentações em sua conta bancária. “Os caixas eletrônicos estão sempre lotados e, às vezes, chega a faltar dinheiro para quem vai sacar”, falou. “O movimento é justo, mas quem está pagando somos nós”
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