Autoridades municipais receberam no início do mês representantes da empresa chinesa Zoomlion. Os executivos reuniram-se com o prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo e com os secretários Luiz Paulo Ribeiro da Silva (Fazenda e Finanças) e Aniz Eduardo Boneder Amadei (Governo e Negócios Jurídicos), para discutir a possibilidade de Tatuí sediar um novo investimento. O município está entre um dos cogitados (entre três Estados) para receber uma unidade fabril da Zoomlion.
A empresa é listada como uma das 500 marcas mais valiosas da China, tendo sido fundada em 1992 como Zoomlion Heavy Industry Science & Technology Development Co. Ltda. Atualmente, tem quase 20 mil funcionários nas bases de produção e operação, localizadas em Hunan, Shangai, Shaanxi, Cantão da China e Milão, na Itália. A companhia é focada na fabricação de máquinas de construção e deve anunciar, no próximo mês, investimento de R$ 500 milhões no Brasil para competir no mercado nacional.
Além do encontro com o prefeito, os executivos conversaram com diretores da Noma do Brasil S/A, fabricante de implementos rodoviários que está se instalando em Tatuí. “Eles (os chineses), basicamente, quiseram saber da Noma se todos os compromissos que a gente havia assumido com a empresa haviam sido cumpridos. E eles foram”, disse o prefeito. Gonzaga adiantou que o grupo fez “uma série de perguntas” aos empresários paranaenses, uma vez que a Zoomlion teria interesse em “alguns produtos” fabricados pela Noma.
Em Tatuí, os chineses também levantaram “opções de áreas” para uma possível aquisição e implantação de uma planta. O mesmo procedimento teria sido feito em outras duas cidades do Estado de São Paulo, cujos nomes não foram divulgados. Concorrem, ainda, pela nova fábrica do grupo chinês, municípios dos Estados do Rio de Janeiro e Pernambuco.
Segundo o prefeito, os investidores já haviam feito, antes de Tatuí, levantamentos em outras cidades de São Paulo e Estados. De acordo com Gonzaga, este tipo de procedimento é comum em se tratando de instalação de uma grande empresa.
“Ela é a segunda maior empresa da China nesse segmento (de construção civil)”, comentou o prefeito. A Zoomlion produz máquinas de concreto, máquinas de guindaste de engenharia, de guindaste de construção, de construção e manutenção rodoviária, de construção de estacas, de saneamento e ambiente, de terraplanagem, caminhões de bombeiros, veículos especiais, máquinas de transporte dos materiais (guindaste) e peças para montagem de eixo.
Segundo Gonzaga, as informações coletadas em Tatuí serão analisadas na China. “Todo esse processo será feito lá”, comentou o prefeito. A decisão sobre o município que vai abrigar o novo investimento será anunciada dentro de 40 dias pelo presidente mundial da Zoomlion, Zhan Chunxin. “Ele deve vir ao Brasil para anunciar a cidade escolhida”, comentou o prefeito. “Estamos animados porque temos irmãos lá, na China”, falou, referindo-se à cidade de Xishan, com a qual Tatuí assinou termo de cidade “coirmã”.
Em outubro do ano passado, um grupo formado por políticos e empresários locais embarcou rumo à China em missão diplomática. Na ocasião, visitou a cidade chinesa de Xishan, com objetivo de chamar a atenção para “o potencial de investimento que a região de Tatuí representa”.
A intenção dos políticos e empresários era estimular a vinda de novas indústrias, especialmente na região da rodovia Castello Branco (SP-280) – apontada como “novo eixo econômico do Estado de São Paulo”.
Para o prefeito, a vinda do grupo chinês é prova de que a missão “começa a dar resultados”. “Isso comprova que nós não fomos à China fazer turismo”, afirmou. “Fomos à China numa missão em que os frutos já começam a aparecer”, adicionou.
O contato dos chineses foi feito, inicialmente, por meio do Investe São Paulo – Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade. Ele foi criado pelo governo do Estado com intuito de atrair investimentos para São Paulo e aumentar a competitividade da economia paulista.
“Todos os grandes empreendimentos hoje em estudo no Estado de São Paulo têm procurado o município”, disse o prefeito, que está confiante na possibilidade de Tatuí sediar o novo empreendimento. A estimativa é de que os chineses invistam R$ 500 mil, o que deve reverter-se na geração de 2.000 empregos.
Gonzaga disse que os chineses ficaram “animados” com a notícia de que o município mantém relacionamento com a China. “Quando eles viram na parede da Prefeitura, no gabinete, a matéria do jornal chinês sobre o termo de cidades-irmãs que nós celebramos com Xishan, eu percebi que eles se sentiram em casa, porque viram que já conhecíamos o país deles, que existe um convênio internacional de mútua cooperação. Então, acho que isso vai pesar”, falou.
No Estado de São Paulo, Tatuí concorre com outros dois municípios. “Isso são informações extraoficiais”, disse o prefeito. Gonzaga informou que os empresários chineses decidiram negociar por iniciativa própria uma possível aquisição de área diretamente com os proprietários.
“Esse é um fato interessante que não aconteceu nas outras (empresas). Acho que, por ser chineses, eles tratam de outra maneira”, comentou. O grupo contou com apoio da Prefeitura para negociar os termos de opções. “Eles voltaram a Tatuí, na segunda-feira, 7, para ter uma conversa com os proprietários”, falou Gonzaga.
Segundo o prefeito, os termos de opção de venda foram assinados pelos proprietários na presença dos investidores. O grupo deve voltar ao Brasil dentro de 40 dias para anunciar a decisão. “Que eles virão para o Brasil é certeza. Agora, a gente não sabe onde, já que eles estiveram também pesquisando cidades nos Estados de Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, pelo que a gente viu pela imprensa desses Estados”, afirmou Gonzaga.
Para ele, a guerra fiscal dos Estados não deve afetar a decisão da empresa. A favor de São Paulo está a nova “lei dos portos”. “Essa lei nos deu alguma tranqüilidade na questão da guerra fiscal. Agora, uma empresa dessas vai, na minha opinião, procurar um Estado onde estão os maiores clientes, as grandes construções, que estão em São Paulo. Acho que ela vai optar por São Paulo”, concluiu.