segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Raquel Fayad inaugura mostra com quadros de ‘notas células’


A artista plástica Raquel Fayad acaba de lançar nova coleção de quadros abstratos produzidos a partir de composições menores – pedaços de papel formados por pinturas, recortes e colagens.
O conjunto de trabalhos denominado “Nota Célula e Sobre... Posições” está em cartaz no Museu “Paulo Setúbal” desde a noite de quarta-feira, 21.
Segundo a artista, todos os trabalhos da exposição seguem o mesmo “princípio de método”. No entanto, há distinções entre as obras e Raquel diz que elas são resultado de “desdobramentos” pelos quais o trabalho passou enquanto era executado. “Você começa a pensar de uma forma diferente, e aquilo te leva a iniciar outro processo”, comentou.
A série de trabalhos que resultou em “Nota Célula e Sobre... Posições” começou a ser concebida antes de 2010. Naquele ano, a artista havia realizado as primeiras experiências com “notas células” e expôs os resultados no espaço de eventos do Centro Cultural Municipal.
“Eu pegava um quadrado de papel com um desenho e, a partir dele, criava a composição do quadro”, resumiu. O problema, conforme ela, é que as obras eram “muito figurativas”. Raquel identificou a causa justamente na origem das notas células que utilizava.
“Vi que os quadros estavam ficando muito marcados porque eram feitos a partir de imagens influenciadas pela arte japonesa. Eu queria alguma coisa que tivesse influência minha, que os quadradinhos fossem meus, que as notas células fossem minhas”, explicou.
Raquel começou, então, a produzir os próprios “quadradinhos”. Para isso, recorreu a uma de suas técnicas preferidas: desenhos mesclados com recortes e colagens.
A “matéria-prima” dos novos quadros era produzida sobre uma folha A4 (21 cm x 29,7 cm). Esta, por sua vez, depois de pronta, era dividida em quatro, dando origem às notas células de tamanho A6 (10,5 cm x 14,85 cm).
“Para fazer os primeiros quadros desta exposição, eu colocava cada imagem de A6 sobre uma folha maior. A partir do desenho que tinha ali, eu dava continuidade e criava a imagem definitiva”.
O princípio de trabalho começou a se transformar em série quando Raquel passou a pensar em modificações que poderiam ser feitas no processo artístico.
Assim, experimentou novos materiais, quando, segundo ela, houve descobertas “surpreendentes”. “Eu queria algo que não alterasse o papel, que não o fizesse enrugar. Então, experimentei tinta de carimbo, que é mais diluída, misturada com acrílica, e fui descobrindo umas veladuras que eu não sabia que eram possíveis e que eu nunca vi ninguém fazer ainda”, relatou.
De acordo com ela, os novos efeitos colaboraram para que os quadros tivessem acentuadas duas características importantes: transparência e sobreposição.
Composta por aproximadamente 20 quadros, a exposição “Nota Célula e Sobre... Posições” começou como estudo e agora é chamada de “estudo-trabalho”, já que resultou em coleção inédita. O processo marca a passagem do gênero artístico de Raquel do figurativo para o abstrato.
“Não foi difícil fazer esta transição, e eu acho que foi algo necessário. Eu já estava muito acostumada a pintar de uma forma figurativa. Para mim, era muito rápido, tanto que eu fazia um quadro em três horas”, conta ela.
Já com a arte abstrata, Raquel chegou a demorar mais de uma semana por quadro. “Você tem que pensar mais. Busquei algo novo, mesmo que não agrade ninguém. Se não houver o desapego, a gente não cresce”.
A exposição pode ser visitada de terças-feiras a domingo, das 9h às 17h. O Museu “Paulo Setúbal” está localizado na praça Manoel Guedes, no centro.
                                                                            oprogressodetatui.com.br

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