O Banco de Alimentos “Zacharias Nunes Rolim” realizou no sábado da semana passada, 10, a quarta edição do “mutirão antropométrico”, para pesar e medir crianças de zero a quatro anos. Realizado na UBS (unidade básica de saúde) “Dr. Alceu Machado Filho”, do bairro São Cristóvão, o evento teve a participação de 127 crianças.
Entre as 66 meninas que participaram do mutirão, apenas nove (13,64%) estão eutróficas, ou com peso considerado normal. Outras 37 (55,06%) apresentaram baixo peso, enquanto que 20 (30,3%) foram classificadas com sobrepeso.
O mutirão reuniu, ainda, 61 meninos, dos quais 16 (26,26%) estão em situação de peso normal. Entretanto, houve o registro de 22 (36,07%) casos de baixo peso e 23 (37,7%) meninos em situação de sobrepeso.
A quarta edição do mutirão antropométrico contou com a participação da Secretaria Municipal dos Assuntos de Segurança Pública e dos Transportes e da Secretaria Municipal da Saúde.
Também houve participação de voluntários da Faculdade Integração de Tietê, assistentes sociais da Prefeitura e enfermeiros da UBS “Dr. Alceu Machado Filho”.
Antes, o mutirão já havia sido realizado no Jardim Santa Rita de Cássia (abril), Tanquinho (maio) e Rosa Garcia (agosto). Além do São Cristóvão, o evento deste mês teve objetivo de atender moradores da vila Esperança, chácara Ponte Preta, Europark, Jardim das Graças, Jardim Perdizes e Jardim Europa.
De acordo com a diretora do banco de alimentos, Heloísa Saliba e Borges, este último bairro recebeu atenção especial. “Já atendemos muitas famílias do Jardim Europa e entendemos ser, hoje, uma das localidades que mais necessitam de cuidados do banco de alimentos”, afirmou.
Heloísa informou que houve problemas durante a divulgação do mutirão na vila São Cristóvão. “Parte da população ficou sem tomar conhecimento de que aconteceria este evento”.
No entanto, segundo ela, a eventual redução no número de participantes foi compensada por meio do aproveitamento de informações obtidas em medição realizada no dia anterior. Na sexta-feira, 9, a UBS da vila São Cristóvão promoveu pesagem de crianças beneficiadas pelo programa Bolsa Família.
“A funcionária que fez a pesagem na sexta-feira também participou do nosso mutirão. Ela compartilhou as informações e nós colocamos tudo no gráfico. Então, eu diria que atendeu às nossas expectativas, porque podemos tomar conhecimento de um bom número de crianças”.
As informações referentes às crianças atendidas pelo Bolsa Família não fazem parte do balanço divulgado pelo banco de alimentos. Mesmo assim, conforme a diretora, em caso de necessidade, elas poderão ser beneficiadas pelos programas de acompanhamento nutricional do órgão.
A ideia de aproveitar informações do programa Bolsa Família poderá ser repetida em outras edições do mutirão antropométrico. “É claro que não é todo mundo que participa do programa que está abaixo ou acima do peso. Nós não podemos nos fiar somente nessas informações, porém, isso nos auxiliará”, disse Heloísa.
Nas quatro edições do mutirão realizadas neste ano, foram pesadas e medidas 669 crianças. Destas, 370 tiveram detectada alguma anomalia na comparação entre peso, altura e idade.
De acordo com Heloísa, o número de crianças com baixo peso não preocupa. “O banco de alimentos está dando conta de atender esse público”.
Crianças que foram detectadas em situação de baixo peso – em alguns casos, até mesmo desnutrição – recebem acompanhamento e doação de alimentos do banco.
Por meio de um programa de apadrinhamento, elas recebem leite, aveia, sustagem e fumarato ferroso. Além disso, semanalmente, as famílias podem retirar verduras cultivadas na horta da Secretaria Municipal da Agricultura.
Se o número de crianças com baixo peso não chega a preocupar, o mesmo não acontece em relação à obesidade e sobrepeso. “Estes números são altos e preocupam”, afirmou Heloísa.
Segundo ela, nesses casos, a solução mais eficiente é orientar as famílias. A diretora ressaltou que muitos pais ainda se deixam levar por preconceitos e, por questões culturais, resistem às orientações.
“Ainda tem aquela mentalidade de que o gordinho é saudável porque se alimenta bem, ou a ideia de que logo ele crescerá e emagrecerá. Nem sempre isso é verdade, assim como nem sempre é verdade que o gordinho é bem alimentado. Muitas vezes esse sobrepeso se dá justamente pela alimentação errada”, explicou.
Heloísa disse que ainda vê necessidade de um mutirão antropométrico na região da vila Angélica e Jardim Gonzaga. “Assim, a gente fecha o ciclo de maior carência no município. Não estão descartados outros lugares, mas esses são os mais carentes”.
Ela também salienta a necessidade de repetir as pesagens no intervalo de um ano. “Deveria ser feito um segundo mutirão para começar a fazer comparações e atender crianças que ainda não tenham sido pesadas e medidas”.
Com a realização de novos mutirões, o banco de alimentos terá que reiniciar a busca por colaboradores para o programa de apadrinhamento. “Aquele complemento com o qual nós contamos hoje será suficiente até o fim do ano”, informou Heloísa.
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