segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Técnicos da Santa Casa pedem demissão




Três médicos que ocupam cargos de responsabilidade técnica da Santa Casa de Misericórdia apresentaram pedido de demissão na semana passada. Dos profissionais, dois são encarregados da UTI (unidade de terapia intensiva) e o terceiro, do complexo hospitalar.
O pedido de demissão foi acompanhado de críticas do vereador Wladmir Faustino Saporito (PSDB), um dos médicos responsáveis pela UTI. “Pedi para deixar o cargo de responsável técnico porque não concordo com as atitudes administrativas da Santa Casa, principalmente de gestão de qualidade”, afirmou ele, terça-feira, 16, durante a sessão semanal da Câmara.
Saporito disse que, “na Santa Casa, realmente, faltam algumas coisas”, em referência a críticas feitas na mesma sessão pelo vereador Paulo Sérgio Medeiros Borges (PC do B), segundo o qual, recentemente, o hospital registrou falta de medicamentos e materiais (reportagem nesta edição).
De acordo com o vereador tucano, há médicos da UTI com salários atrasados e a Santa Casa encontra dificuldades em manter a escala de plantões no setor, sobrecarregando alguns profissionais. “Eles começaram, todos, a pedir demissão por não concordar com o que estava ocorrendo. Ficou de uma forma insustentável”.
Os outros dois profissionais que apresentaram pedido de demissão dos cargos técnicos da Santa Casa são Vivian Menezes Irineu, responsável pela UTI, e Juliano Piunti Teles, responsável por todo o complexo hospitalar.
Saporito informou que ele e Teles apresentaram as cartas juntos. “Eu pedi o afastamento e, por diversos problemas, ele fez a mesma coisa”. Procurado pela reportagem, Teles informou que a decisão ocorreu por questões pessoais, depois de quatro anos de atuação voluntária.
“A minha vida está muito corrida. Estou tendo muitos compromissos e, por vezes, este cargo está comprometendo o meu trabalho de médico”, afirmou. Conforme Teles, o cargo técnico da Santa Casa exige muitas viagens a Itapetininga e Sorocaba. O médico informou, ainda, que não fez o pedido de demissão antes para não causar desgastes no período eleitoral.
Em relação à outra responsável pela UTI, Saporito informou que a médica está tendo de fazer muitos plantões para suprir escala, afetando a vida particular dela. “E eu, certamente, a apoio no que ela decide. Ela falou que estava insustentável, e eu apoio ela nisso”, disse o vereador.
“Hoje, a UTI da Santa Casa funciona basicamente pela cobertura dos plantões que a Vivian tem que fazer”, completou o vereador Paulo Borges, em aparte cedido por Saporito.
Procurada pela reportagem, a médica disse que não pretende falar sobre o assunto. Além do hospital, ela pediu afastamento de função na Secretaria Municipal da Saúde.
Para que a UTI possa operar, é necessário que o hospital mantenha dois médicos especializados em terapia intensiva. Segundo Saporito, além dele e de Vivian, existe apenas um profissional habilitado para o cargo na cidade. “Eles vão ter que trazer gente de outra cidade, certamente”, comentou.
O vereador destacou, ainda, que ele e Teles assumiram os cargos técnicos durante o processo de intervenção municipal sofrido pela Santa Casa em 2008 e que, desde então, trabalharam sem remuneração. “Na época, abri mão do salário, que me era devido, para ajudar na manutenção da UTI”.
Ao concluir, o vereador criticou a atual provedoria do hospital. “Hoje, a administração hospitalar é algo extremamente complexo, e, do meu ponto de vista, não tem que ficar na mão de leigos”.
Os três pedidos de demissão foram apresentados ao CRM (Conselho Regional de Medicina), que determina permanência no cargo por mais 30 dias após o comunicado.

Substituições

Conforme o vice-provedor e diretor administrativo da Santa Casa, o farmacêutico Antonio Marcos de Abreu, a instituição já foi comunicada sobre os pedidos de afastamento e está trabalhando para efetuar as substituições. “São questões pessoais deles, o que pode acontecer em qualquer hospital”, comentou.
Na manhã da quinta-feira, 18, o hospital anunciou o médico Orley Alceu Camargo como novo responsável técnico. O ofício referente à nomeação dele foi encaminhado aos órgãos de controle no mesmo dia. “Ele poderá assumir assim que houver a resposta a esses encaminhamentos”, adiantou Abreu – recém-eleito o vereador mais votado nestas eleições.
O farmacêutico reconheceu que, para a UTI, há mais dificuldade para se encontrar profissionais aptos a assumir a responsabilidade técnica.
Entretanto, ele informou que já entrou em contato com um médico. “Estamos em negociação com um médico de fora, e não haverá maiores problemas para acertar com este profissional”, garantiu.
Abreu ressaltou que os três pedidos de demissão simultânea não ocorreram devido a uma mobilização dos profissionais. Na avaliação dele, “houve a coincidência de os médicos pedirem para sair ao mesmo tempo”.
Em relação às escalas de plantão na UTI, a provedora Nanete Walti de Lima sustentou que não recebeu nenhum comunicado oficial da equipe relatando problemas.
De acordo com ela, os médicos são responsáveis por elaborar as escalas e devem comunicar eventuais dificuldades à provedoria.
“Se houver dificuldade em cumprir escala da UTI, vamos ter que buscar médicos de fora para completar o quadro, da mesma forma que já fizemos com outras especialidades do hospital. Mas não vamos deixar, em hipótese alguma, a população desprovida destes médicos”, afirmou Abreu.
Já a situação envolvendo atraso de salário dos médicos da UTI é negada pelo diretor administrativo. Segundo ele, no passado, os profissionais da unidade recebiam semanalmente e o sistema estaria sendo modificado pela provedoria para promover igualdade com os demais setores, nos quais há vencimentos mensais.
“O nosso objetivo é fazer com que todos os médicos recebam de maneira mensal. Nós não podemos dar prioridade para algumas especialidades. Seríamos injustos com outros médicos. Portanto, se há pagamentos atrasados, não são de meses, são de semanas”, argumentou.
Abreu também rebateu a crítica de que a administração da Santa Casa é conduzida por leigos, ressaltando que é farmacêutico e que participou de curso de gestão hospitalar.
“Fui presidente do Conselho Municipal de Saúde por três mandatos, e sou funcionário público da área de saúde desde 1994. Não vejo essa situação de que eu sou leigo”.
                                                                                         oprogressodetatui.com.br

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