segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Professores locais integram minissérie




Carlos Augusto de Campos Valio, o Cacá, e Antônio Carlos Nascimento, o Carlão, são professores de história em Tatuí. Lecionam há mais de 20 anos e estão acostumados com salas de aula. No mês de julho, contudo, eles deixaram o ambiente escolar para um trabalho inédito: prestar consultoria à produção da minissérie “Família Imperial”, dirigida por um dos maiores profissionais da atualidade, Cao Hamburger, e que está sendo exibida no Canal Futura.
As gravações com as participações dos professores aconteceram na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, na vila Mariana. “Nós gravamos no período de férias. A faculdade concedeu espaço para termos um ambiente”, explicou Cacá.
Sem alunos e cercado por câmeras, os professores gravaram uma espécie de “conversa”, cujo tema foi a história do Brasil. “Falamos a respeito da vinda de Dom João e a família real, da independência do Brasil, do Primeiro Reinado, da abdicação, das agitações políticas do período e do Segundo Reinado”, informou.
A vida cotidiana do Rio de Janeiro no século 19 teve enfoque especial. Cacá explicou que, como a minissérie é voltada ao público infantojuvenil, os professores apresentaram fatos sobre a vida dos escravos, das pessoas da corte, explicaram como os jovens se relacionavam no amor, em especial nas questões de namoro e casamento.
“É a história da vida privada no século 19, sempre fazendo conexões com a história política do período”, descreveu.
As gravações duraram, aproximadamente, quatro horas e contaram com participação de Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política na USP (Universidade de São Paulo), e de Lilia Katri Moritx Schwarcz, doutora em antropologia social pela USP.
Ambos deram depoimentos sobre aspectos da história e sociologia da vida do país no século 19, ao qual a minissérie faz referência.
A trama televisiva mostra, simultaneamente aos depoimentos, cenas que misturam passado e presente. A minissérie tem 20 capítulos e conta com protagonistas adolescentes.
“Trata-se da história de um casal de irmãos que mora na rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, nos dias atuais, e, num encantamento, volta para 1912”, conta Cacá.
Conforme o professor, os irmãos retornam exatamente no período em que Dom João e a corte se instalam no estado fluminense.
Com o encantamento, os antepassados do casal de irmãos – de mesma idade – são enviados para o Rio de Janeiro de 2012. A minissérie tem como dinâmica a dosagem entre história e humor. “Nos momentos em que são trazidos os aspectos da história do Brasil, há a intervenção dos especialistas”.
A participação dos professores de Tatuí e da USP acontece em diversos momentos da minissérie. “Tudo isso vai ser distribuído nos 20 capítulos”, adianta Cacá.
“Família Imperial” é exibido no Canal Futura toda sexta-feira, a partir das 17h30. O programa tem reprise aos sábados, a partir das 18h30.

Convite

A participação dos professores de Tatuí aconteceu a partir de contato estabelecido entre a produção da minissérie e o Sistema Anglo de Ensino.
“Eles estavam procurando pessoas especializadas em história e entenderam que professor de cursinho poderia contribuir muito, por causa da dinâmica e do conhecimento, e por saber lidar com adolescentes e jovens”, explicou Cacá.
“Através da percepção, eles chegaram até nós dois, que somos professores de cursinho”, comentou. Cacá e Carlão receberam o convite em julho e aceitaram participar do projeto, que tem como diretor Cao Hamburger, responsável por sucessos como “Xingu” (filme que conta a trajetória dos irmãos Villas-Bôas), a série “Castelo Rá-Tim-Bum” e o programa “Disney Club”.
“Família Imperial” é voltado para a TV educativa e representa trabalho inédito na carreira dos professores tatuianos. “Nunca participei de algo assim, como personagem mais ativo. Ainda mais voltado para um canal educativo. Foi fantástico, muito interessante, e é legal colaborar com a história do Brasil, até no intuito de desfazer certos estereótipos”, afirmou Cacá.
“Nós nos atentamos somente a fatos”, afirmou. O “cuidado”, porém, não foi unicamente preciosista. “Nós nos preocupamos no sentido de criar um vocabulário mais interessante e mais acessível aos jovens”, explicou.
                                                                              oprogressodetatui.com.br

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