segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Conservatório ocupará antigo fórum em 2013



O CDMCC (Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”) prepara-se para ocupar o prédio do antigo fórum da comarca. Segundo adiantou o diretor executivo da escola de música, Henrique Autran Dourado, o plano inicial é de começar a utilizar o espaço a partir de março de 2013.
Situado a 450 metros do imóvel principal do Conservatório (na rua São Bento, 415), o prédio é anunciado como o segundo 100% pertencente à instituição de ensino.
“O Conservatório já está com as chaves do edifício”, comentou Dourado. Até então, elas estavam em poder do Executivo – a Prefeitura aguardava definição do governo do Estado sobre a posse do imóvel.
O município havia feito acordo com o governo paulista, que permitiu a construção do novo prédio do Judiciário no bairro Nova Tatuí. Para tanto, o Executivo local doou terreno e investiu aproximadamente R$ 3 milhões como contrapartida. Em troca, o Estado cederia os imóveis que eram ocupados pela Justiça.
No acordo, estavam incluídos os prédios da rua São Bento, 808, e da praça da Bandeira, 53 (onde funcionava o Jecrim – Juizado Especial Criminal). Este último teve o uso transferido da Secretaria de Estado da Justiça para a Secretaria de Segurança Pública para uso da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).
Já o imóvel da rua São Bento teve destinação à Secretaria de Estado da Cultura, que o cedeu ao Conservatório. A transferência aconteceu por meio de publicação de decreto no dia 6 de junho, no “Diário Oficial” do Estado.
Após o período de avaliação da posse do imóvel, Dourado recebeu “sinal verde” do governo para ocupar o imóvel. “Agora, estamos na fase de avaliações preliminares. Vamos verificar o que nós podemos fazer ali”, afirmou.
Os estudos incluem a verificação da situação estrutural do prédio e os cursos que serão levados ao imóvel. Segundo o diretor executivo, o trabalho ficará a cargo de técnicos da própria escola de música. “Nós faremos uma pré-avaliação superficial, com o nosso pessoal técnico”, descreveu.
A intenção é conhecer as condições do imóvel, “ainda que superficialmente”. “Obviamente que a Secretaria de Estado da Cultura vai entrar para verificar as condições e necessidades”, adiantou ele.
Dourado afirmou que a escola de música deve assinar documento selando compromisso pela recuperação e ocupação do prédio. A partir dele, o CDMCC deverá providenciar uma série de melhorias no espaço, como a instalação de para-raios, adaptações para segurança contra incêndio e acessibilidade. “Essas são condições sem as quais nós não poderemos ocupar o imóvel”.
A limpeza do prédio está prevista para o próximo mês. Passada a “faxina geral”, o Conservatório deverá adaptar o prédio para, inicialmente, abrigar aulas teóricas. “Nós não poderemos fazer pleno uso do imóvel enquanto outras adaptações não tiverem sido concluídas”, salientou Dourado.
O diretor executivo disse, ainda, que não haverá problemas com relação a som. Citou que a formação do músico é mais do que prática instrumental e garantiu que as atividades musicais não levarão transtornos a moradores, ou constrangimentos a familiares que estiverem no velório municipal.
“Quem conhece a formação do músico sabe que não é só tocar. Ele tem teoria, depois, harmonia, contraponto, história da música. São todas disciplinas, absolutamente, silenciosas”, destacou.
Os cursos teóricos serão espalhados nas 30 salas do prédio do antigo fórum. Com reforma, a direção estima aumentar ainda mais a quantidade de salas, com instalação de divisórias.
“Que fique claro que não só a zona residencial, mas o velório não será afetado. É uma questão de extremo respeito que nós temos que ter com aqueles que estão lamentando e chorando a morte de um parente. Ninguém gostaria de ouvir ruídos, nem eu, que perdi o meu pai recentemente”, disse Dourado.
Segundo ele, o imóvel será “absolutamente invulnerável a ruído”. O diretor executivo argumentou que as disciplinas teóricas não produzem ruído.
“Quanto ao uso na integralidade (com prática de instrumentos), ele será feito depois de uma reforma”, antecipou. O trabalho priorizará o isolamento acústico. “Atualmente, temos condições de criar até um estúdio lá”.
Dourado afirmou que não serão levadas ao novo prédio atividades voltadas aos cursos de instrumentos com “sons mais elevados”, como trombone e saxofone, por exemplo.
“Mesmo com o formato de estúdio (que deve ser criado na parte inferior do imóvel), num futuro, ainda, nós não colocaremos nada que ‘vaze’ som. Faremos um décimo do ruído que fazem os automóveis que passam na rua, porque não haverá ruído”, frisou.
Além de harmonia, no imóvel, o Conservatório poderá incluir aulas de contraponto. “Esse é um curso que você faz olhando uma lousa e preenchendo um exercício em papel. Aquilo não envolve instrumento, e é apenas uma coisa cerebral”, disse Dourado.
Segundo ele, as teorias representam boa parte da preparação do aluno. “Então, esse fantasma do ruído não vai invadir de jeito algum a vizinhança, muito menos o velório”.
A proposta do estúdio será avaliada por técnicos e engenheiros de som. A escola de música deverá estudar o formato e os materiais a serem utilizados na construção dele.
Cuidado semelhante será adotado na construção de um futuro auditório, que está sendo cogitado pela diretoria da escola de música. “O auditório tem que ser totalmente fechado, como o estúdio. Claro que não vamos poder colocar uma banda lá, por razões óbvias”.
O CDMCC fará “inúmeros testes” com decibelímetro (aparelho que mede o nível de pressão sonora), entre outros equipamentos, para verificar o nível de ruído a ser produzido em todas as atividades desenvolvidas no prédio.
As construções do estúdio e do auditório, entretanto, são projetos para médio prazo. Conforme Dourado, a escola de música desenvolverá as propostas com “plena consciência”. “Nós precisamos de dinheiro do Estado para fazer isso”, frisou.
Nesta semana, o diretor executivo vai a São Paulo para iniciar os primeiros entendimentos com o governo. Ele quer capitalizar recursos que permitirão a reforma completa e a criação de novos dispositivos a partir do ano que vem.

Conquista

Dourado classificou a cessão do prédio do antigo fórum como uma conquista para o Conservatório e o município. O imóvel é o segundo 100% pertencente à escola de música em 58 anos. “O único prédio que até então era 100% é este, que abriga o teatro ‘Procópio Ferreira’”, citou.
“Nós estamos, ainda, muito atrasados nessa questão. Há a perspectiva de construção do novo prédio (às margens da rodovia Antônio Romano Schincariol – SP-127), que está sendo estudada. Mas, como mudou o governo, e essa é uma demanda que leva tempo, e a máquina burocrática do poder público é mais lenta, há uma série de procedimentos legais e administrativos que jogam essa coisa do prédio novo para o futuro”.
Para ele, o ideal é que a escola de música tenha 100% dos prédios pertencentes a ela. Atualmente, o CDMCC mantém equipamentos funcionando em anexos. Esses estão instalados em imóveis alugados pela cidade.
Ainda sobre o prédio do antigo fórum, Dourado ressaltou que, além de priorizar o isolamento acústico, a direção da escola deverá respeitar a acessibilidade.
“Nós já temos uma ideia sobre isso”, afirmou. Conforme ele, o país demorou a criar obrigações no sentido de garantir o acesso aos locais públicos a pessoas portadoras de deficiência.
“Eu sou prova disso. Fraturei a fíbula e fiquei de bengala. Subir escadarias de equipamentos culturais é uma loucura. Nada foi pensado para essa legião de pessoas que você não vê muito na rua porque não pode sair”, comentou.
Segundo o diretor executivo, a questão da falta de acessibilidade é um problema que afeta todo o país, mas que, aos poucos, está sendo revertido. O próprio Conservatório, por exemplo, figurou entre as dez primeiras empresas e órgãos públicos com acessibilidade em 2011, em “ranking” divulgado pela Secretaria dos Direitos da Pessoa Com Deficiência do Estado. “Ficamos entre os dez primeiros entre 300 empresas e órgãos públicos”, lembrou Dourado.
Para o prédio a ser ocupado, a direção da escola tem planos de construir uma rampa, com plataformas de descanso. “Isso está na conta, a instalação de para-raios, segurança contra incêndio, revisão das partes hidráulica e elétrica e a acessibilidade. Fazê-la é condição primordial”.
As reformas são esperadas para breve. Dourado estima que, dentro de 15 dias, os materiais que estão no interior do imóvel possam ser removidos. A partir daí, terão início a “faxina geral” e a reforma.
No espaço estão móveis antigos do Judiciário e produtos apreendidos pela Polícia Civil, como máquinas caça-níqueis, entre outros. “Essa (a retirada dos materiais) já é uma limpeza muito boa para a gente começar”.
A acessibilidade também pode ser feita de maneira mais “instantânea”, com a criação de rampa metálica. “Podemos optar por uma dessas até encontrarmos uma solução definitiva. Obviamente, feita por uma equipe de arquitetos e engenheiros”.
As modificações e os projetos, entretanto, dependem de captação de verbas. O Conservatório não tem, conforme o diretor executivo, recursos para providenciar os reparos e adaptações. “Não podemos tirar da nossa ‘carne’ esse extra”, afirmou ele.
O prédio foi cedido ao CDMCC após consulta feita no início do ano pela Secretaria de Estado de Justiça. A pasta estadual havia questionado a Secretaria de Estado de Cultura, que tem equipamentos em Tatuí, se ela estaria interessada em alguns dos imóveis utilizados pelo Judiciário. “Nos foi encaminhada a pergunta, e eu falei sim”, comentou Dourado.
A cessão do imóvel, porém, provocou surpresa no diretor administrativo. “O próprio decreto (que transferiu a posse do imóvel) foi uma surpresa para mim, assim como foi para o prefeito (Luiz Gonzaga Vieira de Camargo). Mas, todos nós, nos saímos muito bem, porque, afinal de contas, o prédio é uma conquista enorme para a cidade, e é um bem que será permanente”, argumentou.
Dourado afirmou que, como o imóvel “caiu no colo”, o Conservatório não estava preparado economicamente para fazer as adaptações necessárias. Por esta razão, deve iniciar entendimento com o Estado para angariar recursos que viabilizem as modificações necessárias.
“Temos de tentar negociar, de fazer transferência de recursos entre secretarias. Não é nada escandaloso reformar esse prédio, que eu acho lindo”, falou.
A ideia inicial do CDMCC é fazer um projeto de jardinagem que permita outra “cara” ao imóvel. “Para que isso aconteça, tem que ir lá (em São Paulo) pedir esse dinheiro. E eu vou lá, passar o chapéu e usar de todas as minhas influências. Vou sensibilizar o governador (Geraldo Alckmin), porque ele adora o Conservatório e tem sido muito cordial comigo”, citou Dourado.

Economia

Em cifras, o uso do prédio do antigo fórum pelo Conservatório representará economia mensal de aproximadamente R$ 20 mil. “Pode ser um pouco menos, ou daí para mais. Depende do que nós conseguirmos colocar lá dentro. Isso, obviamente, implica em terminar contratos de aluguel”, explicou o diretor executivo.
A estimativa é de que, com o não pagamento de alugueis, o CDMCC economize R$ 240 mil por ano. “É dinheiro para ninguém botar defeito. Se você pensar em todo benefício que a economia permanente vai proporcionar, ela pode reverter-se em novos instrumentos. É um dinheiro a ser bem empregado”.
Conforme Dourado, a opção pelos aluguéis tornou-se real para a escola de música a partir dos anos 80. Com a expansão dos setores, o Conservatório precisou locar imóveis em outras regiões da cidade para evitar que o prédio da rua São Bento tivesse o uso comprometido.
Para ele, a economia vislumbrada com o prédio do antigo fórum é “extremamente” importante. “Acho que, nos dias de hoje, economizar, usar racionalmente, é fundamental. Tem que gastar dinheiro público, mas só que com uma consciência de como é que vamos investir”, analisou.
A expectativa é de que a limpeza geral tenha início dentro de duas semanas. “Eu calculo que, até o fim do ano, o imóvel esteja em condições de uso. Vamos conseguir deixá-lo em condições para iniciarmos o uso em março do ano que vem”, concluiu Dourado.
                                                                                  oprogressodetatui.com.br

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