Estudo realizado com 86 crianças de oito anos na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Maria da Conceição Oliveira Marcondes”, do Jardim São Luiz, apontou 73% delas em situação de peso acima ou abaixo dos padrões ideais para a faixa etária.
A constatação levou a direção a firmar parceria com o Banco de Alimentos “Zacharias Nunes Rolim”, que executará projeto de educação alimentar com alunos, pais e professores.
O estudo realizado pelos professores de educação física da escola teve origem em observações feitas pelos profissionais que atuam no banco de alimentos.
No início do ano letivo, as duas instituições já haviam firmado parceria para um ciclo de palestras sobre alimentação. À época, foram atendidos os alunos dos quintos anos do ensino fundamental.
“Ao começar a desenvolver estes projetos aqui na escola, os profissionais perceberam que alguns alunos estavam se alimentando de forma inadequada e que havia várias crianças com tendência a obesidade e algumas abaixo do peso”, explicou a diretora Criscia de Alvarenga Ribeiro de Camargo.
De acordo com ela, as suspeitas eram mais acentuadas nas séries iniciais.
Por conta disso, os professores de educação física mediram e pesaram todas as crianças e o banco de alimentos processou os dados. A pesquisa mostrou que, realmente, a maior parte dos alunos apresentava algum tipo de problema alimentar.
A reportagem teve acesso aos resultados das turmas do terceiro ano. Das 86 crianças pesadas e medidas, 24 foram classificadas como “eutróficas”, ou em estado “bem nutrido”. Outras 31 crianças tiveram peso considerado abaixo do ideal, sendo que duas constam como “desnutridas”. Também há 31 alunos com sobrepeso e, destes, 18 foram considerados “obesos”.
Com base nos resultados, na segunda-feira, 17, a equipe do banco de alimentos iniciou o projeto de educação alimentar com os alunos. Até a sexta-feira, 21, cinco turmas serão visitadas diariamente por estagiárias.
Por meio de atividades pedagógicas, a equipe orientará os alunos sobre o modo mais saudável de se alimentar. Os encontros diários têm duração de 50 minutos. “Dificilmente, você vai mudar a rotina alimentar de uma criança com estes cinco dias de orientação. Mas o que a gente pretende é sensibilizar elas para algumas situações específicas”, comentou a diretora do banco de alimentos, Heloisa Saliba e Borges. De acordo com ela, o projeto ainda prevê encontros com os pais.
Para instruir os familiares, o banco de alimentos adotará modelo semelhante ao utilizado após os mutirões antropométricos. Já realizada em três bairros, a iniciativa consiste em medir e pesar todas as crianças com idade até quatro anos.
Nos casos em que há constatação de obesidade ou sobrepeso, os pais são convidados a participar de um trabalho de reeducação alimentar.
“No caso da escola, vamos fazer uma primeira reunião com os pais e verificar se eles têm disponibilidade para iniciar trabalho prolongado.
Por enquanto, ainda não podemos definir como vai ser”, afirmou Heloisa. A reeducação alimentar também envolverá pais de alunos com peso abaixo do ideal. Neste caso, além da orientação, algumas famílias poderão receber alimentos do banco.
“Teremos que chamar os pais para as orientações e os nutricionistas do banco de alimentos vão dar a assistência que precisamos para isso”, comentou a diretora da escola. De acordo com ela, na escola, os casos de baixo peso se devem tanto a carência quanto à desinformação dos pais.
“Nós temos muitas crianças carentes, sim, mas ainda não pegamos os resultados da pesquisa para fazer esta comparação. As crianças carentes, com certeza, estão na lista de baixo peso, mas a gente também sabe que tem crianças com condições e que estão entrando na desnutrição por alimentação inadequada”, disse Criscia. Por último, o projeto do banco de alimentos prevê orientações específicas ao corpo docente.
O primeiro passo dessa etapa aconteceu em reunião no início do mês, com a apresentação do projeto e dos resultados da pesquisa. “Foram mostrados gráficos e falou-se sobre a importância de tratar do tema com alunos, familiares e professores”, informou a diretora da escola.
“A participação dos professores é fundamental, porque temos que modificar alguns hábitos”, disse Criscia. O principal foco de atuação dos docentes estará relacionado à merenda escolar. Com antecedência, os professores receberão o cardápio semanal e deverão incentivar os alunos a consumir os alimentos oferecidos. “A nutricionista passará o cardápio aos professores para que eles estimulem e orientem a criança sobre os alimentos daquela semana.
Além do incentivo, também será uma forma de difundir conhecimentos multidisciplinares a respeito dos alimentos”, afirmou a diretora. Paralelamente a isso, a escola fará alterações na cantina, retirando produtos considerados inadequados.
“Faz parte do projeto, e vai ser proposto à Secretaria Municipal da Educação, nós vendermos apenas pacotes de lanches saudáveis, com uma barra de cereais, uma fruta e um suco natural. Assim, aos poucos, a gente vai tirar tudo o que não é saudável”, explicou Criscia.
Na avaliação dela, ao melhorar a saúde dos alunos, o trabalho de reeducação alimentar poderá ter efeitos positivos também na aprendizagem.
Ao final do ano, a diretora pretende realizar estudo de verificação do rendimento escolar das crianças não eutróficas. “A gente acredita que a criança mal alimentada pode ter o lado intelectual afetado”, afirmou.
oprogressodetatui.com.br
A constatação levou a direção a firmar parceria com o Banco de Alimentos “Zacharias Nunes Rolim”, que executará projeto de educação alimentar com alunos, pais e professores.
O estudo realizado pelos professores de educação física da escola teve origem em observações feitas pelos profissionais que atuam no banco de alimentos.
No início do ano letivo, as duas instituições já haviam firmado parceria para um ciclo de palestras sobre alimentação. À época, foram atendidos os alunos dos quintos anos do ensino fundamental.
“Ao começar a desenvolver estes projetos aqui na escola, os profissionais perceberam que alguns alunos estavam se alimentando de forma inadequada e que havia várias crianças com tendência a obesidade e algumas abaixo do peso”, explicou a diretora Criscia de Alvarenga Ribeiro de Camargo.
De acordo com ela, as suspeitas eram mais acentuadas nas séries iniciais.
Por conta disso, os professores de educação física mediram e pesaram todas as crianças e o banco de alimentos processou os dados. A pesquisa mostrou que, realmente, a maior parte dos alunos apresentava algum tipo de problema alimentar.
A reportagem teve acesso aos resultados das turmas do terceiro ano. Das 86 crianças pesadas e medidas, 24 foram classificadas como “eutróficas”, ou em estado “bem nutrido”. Outras 31 crianças tiveram peso considerado abaixo do ideal, sendo que duas constam como “desnutridas”. Também há 31 alunos com sobrepeso e, destes, 18 foram considerados “obesos”.
Com base nos resultados, na segunda-feira, 17, a equipe do banco de alimentos iniciou o projeto de educação alimentar com os alunos. Até a sexta-feira, 21, cinco turmas serão visitadas diariamente por estagiárias.
Por meio de atividades pedagógicas, a equipe orientará os alunos sobre o modo mais saudável de se alimentar. Os encontros diários têm duração de 50 minutos. “Dificilmente, você vai mudar a rotina alimentar de uma criança com estes cinco dias de orientação. Mas o que a gente pretende é sensibilizar elas para algumas situações específicas”, comentou a diretora do banco de alimentos, Heloisa Saliba e Borges. De acordo com ela, o projeto ainda prevê encontros com os pais.
Para instruir os familiares, o banco de alimentos adotará modelo semelhante ao utilizado após os mutirões antropométricos. Já realizada em três bairros, a iniciativa consiste em medir e pesar todas as crianças com idade até quatro anos.
Nos casos em que há constatação de obesidade ou sobrepeso, os pais são convidados a participar de um trabalho de reeducação alimentar.
“No caso da escola, vamos fazer uma primeira reunião com os pais e verificar se eles têm disponibilidade para iniciar trabalho prolongado.
Por enquanto, ainda não podemos definir como vai ser”, afirmou Heloisa. A reeducação alimentar também envolverá pais de alunos com peso abaixo do ideal. Neste caso, além da orientação, algumas famílias poderão receber alimentos do banco.
“Teremos que chamar os pais para as orientações e os nutricionistas do banco de alimentos vão dar a assistência que precisamos para isso”, comentou a diretora da escola. De acordo com ela, na escola, os casos de baixo peso se devem tanto a carência quanto à desinformação dos pais.
“Nós temos muitas crianças carentes, sim, mas ainda não pegamos os resultados da pesquisa para fazer esta comparação. As crianças carentes, com certeza, estão na lista de baixo peso, mas a gente também sabe que tem crianças com condições e que estão entrando na desnutrição por alimentação inadequada”, disse Criscia. Por último, o projeto do banco de alimentos prevê orientações específicas ao corpo docente.
O primeiro passo dessa etapa aconteceu em reunião no início do mês, com a apresentação do projeto e dos resultados da pesquisa. “Foram mostrados gráficos e falou-se sobre a importância de tratar do tema com alunos, familiares e professores”, informou a diretora da escola.
“A participação dos professores é fundamental, porque temos que modificar alguns hábitos”, disse Criscia. O principal foco de atuação dos docentes estará relacionado à merenda escolar. Com antecedência, os professores receberão o cardápio semanal e deverão incentivar os alunos a consumir os alimentos oferecidos. “A nutricionista passará o cardápio aos professores para que eles estimulem e orientem a criança sobre os alimentos daquela semana.
Além do incentivo, também será uma forma de difundir conhecimentos multidisciplinares a respeito dos alimentos”, afirmou a diretora. Paralelamente a isso, a escola fará alterações na cantina, retirando produtos considerados inadequados.
“Faz parte do projeto, e vai ser proposto à Secretaria Municipal da Educação, nós vendermos apenas pacotes de lanches saudáveis, com uma barra de cereais, uma fruta e um suco natural. Assim, aos poucos, a gente vai tirar tudo o que não é saudável”, explicou Criscia.
Na avaliação dela, ao melhorar a saúde dos alunos, o trabalho de reeducação alimentar poderá ter efeitos positivos também na aprendizagem.
Ao final do ano, a diretora pretende realizar estudo de verificação do rendimento escolar das crianças não eutróficas. “A gente acredita que a criança mal alimentada pode ter o lado intelectual afetado”, afirmou.
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