Quatro anos depois de quase ter sido fechada, a UTI (unidade de terapia intensiva) da Santa Casa de Tatuí prepara-se para receber novos equipamentos. São quatro máquinas de hemodiálise doadas pelo HC (Hospital das Clínicas) na metade do mês passado. Os equipamentos atenderão exclusivamente aos pacientes internados que apresentarem crise renal aguda.
A novidade foi anunciada nesta semana pela direção do único hospital do município junto com um plano de adequação da Santa Casa. O projeto visa à modernização do conjunto de prédios e o atendimento às novas exigências feitas pelo subgrupo da Vigilância Sanitária de Sorocaba (reportagem nesta edição).
O hospital recebeu os equipamentos – que ainda não estão sendo utilizados – no dia 15 do mês passado, quando assinou termo de doação, que aconteceu a partir de contato feito pela ex-secretária municipal de Saúde, Maria Filomena de Paula Machado, que atualmente faz parte do quadro de funcionários do HC.
Foi ela quem informou à Santa Casa local sobre a possibilidade de o hospital pleitear a doação. Periodicamente, o Hospital das Clínicas realiza renovação de seus equipamentos. “Agora, nós descobrimos esse caminho”, declarou a provedora da SC, Naneti Walti de Lima.
Segundo ela, a direção do HC costuma doar os equipamentos renovados para as entidades que encaminham pedidos por meio de ofícios. “A nossa entidade foi uma delas”, contou a provedora.
Depois de analisado, o pedido da instituição local foi atendido. Os equipamentos chegaram a Tatuí, trazidos num caminhão cedido por Lupércio de Almeida Neto, e antes de começarem a funcionar passarão por revisão.
Essa verificação é realizada somente por um técnico especializado. “É uma pessoa que só mexe com isso. Não é daqui de Tatuí. É um engenheiro que vai verificar se será necessário fazer ajustes”, adicionou o auxiliar administrativo do hospital, Antonio Celso Fiúsa Júnior.
Segundo ele, o agendamento com o profissional é necessário porque poucas pessoas no Estado são habilitadas para fazer revisão desse tipo de equipamento. Na sequência, será formatado o projeto de uso das máquinas de hemodiálise.
Somente após as revisões é que os equipamentos serão levados à UTI. Eles devem evitar a transferência de pacientes que, durante a internação, apresentem problema renal grave. Atualmente, todos os pacientes nessa condição são transferidos para outros hospitais.
A enfermeira Roberta Molonha Machado, responsável técnica da Santa Casa, explicou que as máquinas não atenderão aos pacientes crônicos que fazem hemodiálise como rotina. Elas serão instaladas na unidade de terapia intensiva justamente para atender aos pacientes que, no período da internação, apresentem crise aguda. “É o paciente que fica muito tempo acamado, tomando medicação. Aí, ele entra numa crise renal aguda”, descreveu.
Além de representar conquista para o hospital, os equipamentos evitarão que os pacientes sofram mais enquanto aguardam transferência para outros hospitais. “Quando a pessoa apresenta crise, ela é transferida, mas temos tanta dificuldade em obter vagas para eles que começamos a fazer diálise peritoneal aqui, sem receber para isso. Nós não temos repasse desse dinheiro, mas a gente faz para tentar salvar a vida do paciente”, afirmou a enfermeira.
Conforme ela, a diálise peritoneal é uma forma manual de se efetivar o atendimento. “É um procedimento feito emergencialmente”, adicionou. Não bastasse a demora na obtenção da vaga para atendimento de um paciente desse tipo, a provedora da Santa Casa disse que a transferência incorre em gastos para as famílias dos internados.
Em geral, o paciente é transferido para hospitais de referência, indicados pela Central Reguladora. “A central é quem organiza as vagas. Aí, causa um transtorno para as famílias, porque é preciso haver um acompanhante, que terá de alugar um quarto em hotel, ficar na casa de parentes, ou outra coisa. O que vai gerar custos”, argumentou. Conforme ela, os pacientes atendidos em Tatuí podem ser transferidos para hospitais de São Paulo, Taubaté e Rio Claro.
Uma pré-avaliação dos equipamentos já foi feita pelo engenheiro responsável. Segundo Naneti, o valor médio para o reajuste de cada um dos equipamentos deverá ser de R$ 3.000. “Vamos consertar, de início, uma única máquina, porque, com ela, já temos um alívio, e não é a todo o momento que temos um paciente internado crônico”, falou.
Após os ajustes, o primeiro equipamento deverá ser instalado na UTI. A unidade já passou por adaptações para receber as máquinas. “Há pouco tempo, fizemos uma reforma lá, com os encanamentos e as adaptações necessárias para receber os equipamentos”, contou Roberta. “Está tudo preparado, o que está faltando mesmo é a revisão”, completou a responsável técnica.
Ainda que a revisão dos equipamentos implique em custos para o hospital, Naneti disse que a doação representou uma ajuda sem precedentes para a Santa Casa. Conforme ela, a entidade não teria dinheiro para adquiri-los.
Em paralelo à revisão nas máquinas, uma equipe de enfermagem da Santa Casa passará por treinamento em São Paulo para aprender a operá-las. A capacitação também foi viabilizada por Maria Filomena, segundo Roberta. “Vamos mandar quatro enfermeiros que vão fazer dez dias de treinamento”, adiantou.
Os equipamentos a serem operados pelos profissionais já passaram por um teste. “O engenheiro que verificou as máquinas disse que elas estão em perfeito estado de conservação”, adiantou Naneti.
Ela também disse que as máquinas de hemodiálise representam o início de uma série de doações. “Não vamos ficar só nisso. Tem muita coisa boa por vir”, falou.
O recebimento dos equipamentos é fruto de um trabalho que se tornou uma constante da diretoria do hospital: a captação de novos recursos e de instrumentos que possam melhorar as condições de atendimento oferecidas aos pacientes de Tatuí e região. “Nós fazemos isso sempre. Diariamente, estamos mexendo, fuçando e encontrando pessoas que nos auxiliem”, disse o auxiliar administrativo da Santa Casa.
Conforme ele, o hospital adotou estratégia de verificar junto ao DOE (“Diário Oficial” do Estado) a entrega de equipamentos classificados como excedentes para o Fussesp (Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo).
Júnior disse que o governo repassa os equipamentos, substituídos por novos e que não estão necessariamente danificados, ao Fussesp. A entidade encarrega-se de repassá-los a entidades cadastradas.
A Santa Casa de Tatuí já fez cadastro junto ao Fussesp, mas, no caso das máquinas de hemodiálise, antecipou-se. “Nós só encurtamos o caminho. Como tínhamos um contato lá no HC, não foi preciso mandar pedido para o Fussesp porque pegamos os equipamentos direto do hospital”, explicou Júnior. Cada máquina (mesmo usada) está avaliada em, aproximadamente, R$ 43 mil. Se tivesse de comprá-las, o hospital tatuiano gastaria o equivalente a R$ 172 mil.
O termo de doação dos equipamentos foi assinado com presença de Maria Filomena e do superintendente do Hospital das Clínicas, Marcos Fumio Koyama, e da provedora do hospital tatuiano. Também esteve acompanhando a cessão o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Antônio Marcos de Abreu.
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