quinta-feira, 14 de junho de 2012

“Não tenho porque não perdoá-lo”, diz vítima do “ladrão arrependido”

O auxiliar de produção Carlos Alberto de Oliveira, 23, declarou à reportagem de O Progresso nesta semana que perdoa o bandido que invadiu a residência dele e devolveu parte do dinheiro furtado. O crime, ocorrido no dia 29 de maio, ganhou ainda mais repercussão nacional no domingo, 10, com exibição de reportagem no “Fantástico”, programa da Rede Globo.
A vítima falou pela primeira vez à imprensa local na segunda-feira, 11, quase duas semanas depois de ter registrado o caso na Delegacia Central. Oliveira já havia dado declarações à mídia regional (jornais e emissoras de televisão) após o crime ter sido publicado em primeira mão por O Progresso.
Ao bissemanário, o auxiliar de produção esclareceu que o ladrão teria devolvido parte dos R$ 400 no mesmo dia em que havia pegado o dinheiro (guardado em dois envelopes). O criminoso não teria esperado dois ou três dias, como divulgado em outros veículos de imprensa. Disse também que ficou assustado com a repercussão do caso, que teve problemas em decorrência da notoriedade e que não tem ideia de quem possa ter cometido o furto.
Oliveira registrou o boletim de ocorrência às 18h de terça-feira, 29 de maio, depois de verificar a caixa de correspondência da residência dele. A casa fica no Vale da Lua e teria sido invadida pelo assaltante na manhã do mesmo dia, após a esposa do auxiliar de produção ter deixado o imóvel. “Como ele mesmo disse na carta, ele esperou minha esposa sair para entrar”, comentou.
O “ladrão arrependido”, porém, achou que a mulher fosse filha da vítima, como consta no trecho do bilhete deixado pelo criminoso: “... esperei sua filha sair e pulei a janela...”. No papel, o bandido justificou-se, alegando que havia praticado o crime “num momento de desespero”. Além de pedir perdão ao proprietário, o bandido deu um conselho: disse para ele colocar cadeados nas janelas e terminou o bilhete deixando abraços.
Conforme Oliveira, o bandido teria se arrependido do crime no mesmo dia que o cometera. “Ele pegou o dinheiro no período da manhã e, no período da tarde, devolveu parte do valor”, declarou. A vítima disse que só percebeu o furto ao verificar as correspondências. “Eu só fui notar que havia sido furtado ao ler a carta”, disse. No envelope deixado, havia o bilhete e a quantia de R$ 250. Os outros R$ 150 teriam ficado com o criminoso.
O auxiliar afirmou que o bandido não teria danificado nem revirado o imóvel. “Eu não notei nada de estranho. Tanto que, ao retornar do serviço, tomei banho, me arrumei. Só verifiquei mesmo que havia sido lesado quando saí para buscar minha esposa e abri a caixa dos Correios”, descreveu. Segundo o proprietário, o ladrão arrependido aproveitou que uma das janelas da casa estava sem cadeado para entrar. “Ele deixou tudo no lugar”, falou.
A vítima contou, ainda, que estava guardando o dinheiro para pagar contas e reformar o imóvel. “Num envelope, eu tinha deixado uma parte para pagar o financiamento da minha casa - comprei ela pelo ‘Minha Casa, Minha Vida’. No outro, havia um valor que estava guardando para mexer no imóvel. Eu queria concretar o corredor e ‘mexer’ na pintura”, falou o auxiliar de produção.
Depois do incidente, ele e a esposa providenciaram o cadeamento das janelas. “Acho que ficou fácil para ele (o bandido) entrar, porque usou uma chave de fenda. Nesse caso, era só erguer a trava. Acho que a pessoa já sabia como fazer”, disse ele.
Oliveira afirmou, também, que ficou assustado com a repercussão do caso. “Assusta um pouco, porque moro lá há pouco tempo e não cheguei a conviver com muitas pessoas do bairro”, comentou o proprietário.
Esta é a primeira vez que ele é vítima de furto. De acordo com o dono do imóvel, a divulgação do crime causou transtornos à família. “Na verdade, quando isso foi para a imprensa, a gente acabou perdendo um pouco a paz”, comentou.
Além de receber ligações no horário de expediente, o auxiliar de produção disse que a esposa dele ficou temerosa com relação a permanecer na casa. “Ela não queria ficar mais lá, porque tinha receio do que pudesse acontecer depois. Até hoje, nós não dormimos tranquilos, dormimos com certa preocupação”, revelou.
Por fim, o auxiliar de produção afirmou que perdoa o ladrão arrependido pelo crime. “Não tem porque eu não perdoá-lo. Quem sou eu para não fazer isso?”, indagou. “Como ele mesmo disse que é um homem de Deus, o problema dele, hoje, é com Deus e não comigo”, completou.
A PC (Polícia Civil) informou que, até o momento, não tem novidades sobre o caso. Segundo o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, as investigações para a identificação do suspeito prosseguem. “Elas estão a cargo do SIG (Setor de Investigações Gerais). De antemão, Andreucci afirmou que a suspeita é de que o crime tenha sido cometido por algum morador do bairro. “Talvez seja da própria igreja da vítima”, falou.
O caso deverá ser apurado “até que a polícia chegue à autoria”, afirmou o titular. Segundo ele, existe ainda a possibilidade de o ladrão devolver o restante do dinheiro levado. Mesmo assim, ele deverá responder pelos crimes de invasão de domicílio e furto, mas ter a pena “abrandada”. “Se ele devolver o dinheiro, não há desistência voluntária, só que o juiz deve levar em consideração esse ato na hora de dar a sentença”, disse Andreucci.
                                                                                                       oprogressodetatui.com.br

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