Cerca de 80 funcionários do setor operacional da Elektro realizaram paralisação de quatro horas na manhã da segunda-feira, 11. Em ação coordenada pelo Stieec (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia Elétrica de Campinas e Região), os manifestantes ficaram concentrados junto ao portão da unidade de serviços, instalada no Jardim Fortunado Minghini.
O Stieec é vinculado ao Sinergia (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo) e à CUT (Central Única de Trabalhadores). A paralisação desta segunda-feira aconteceu porque a categoria não concorda com a proposta de reajuste oferecida pela Elektro. Segundo o diretor Eliel Pereira Martins, o sindicato espera 8,2%, enquanto que a empresa oferece 4,8%.
Conforme Martins, o reajuste salarial da categoria é anual e tem como data base o dia 1o de julho. Neste ano, a categoria teria se adiantado nas negociações, apresentando uma proposta com antecedência. Nela, os trabalhadores pedem 5,37% com base na inflação do período e 2,87% com base no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). “É a correção das perdas por causa da inflação mais o ganho real”, afirmou o diretor.
A categoria afirma que utilizou dados oficiais do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) como parâmetros para a proposta de reajuste. No entanto, até a segunda-feira, a Elektro teria mantido a proposta de 4,8%. “Estamos em negociação com a empresa e, até o momento, o que ela tem oferecido é uma afronta ao trabalhador. A nossa reivindicação não é nada estrelar nem coisa absurda”, disse Martins.
De acordo com o diretor, a paralisação desta segunda-feira é a primeira do ano. Antes dela, a categoria já realizou três rodadas de negociações com a Elektro, sem obter acordo. Por isso, o sindicato optou por parar temporariamente as atividades. “Para dizer para a empresa que nós sabemos trabalhar na hora que precisa e sabemos lutar pelos nossos direitos”, observou o representante da categoria.
Ele ressaltou que, durante a paralisação, um contingente mínimo, determinado por lei, continuou prestando serviço aos usuários. “Não podemos deixar a população desguarnecida, mas com a paralisação, o atendimento acontece de forma mais precária” disse. Além de Tatuí, a unidade local atende aos usuários dos municípios de Cesário Lange, Porangaba, Torre de Pedra, Tiete, Cerquilho, Conchas e Anhembi.
Para a terça-feira, 12, estava previsto o quarto encontro entre os representantes do Stieec e da Elektro. Caso a rodada não terminasse em acordo, o sindicato cogitava uma nova paralisação, dessa vez com oito horas de duração. A medida mais drástica, também citada pelo diretor, seria uma paralisação por tempo indeterminado.
“Estamos trazendo estas informações para que a população saiba que estes profissionais que mantêm o abastecimento de energia elétrica 24 horas por dia também têm família e precisam de um salário melhor para ter uma vida mais digna”, afirmou Martins.
A proposta de reajuste de 8,2% faz parte de uma pauta de reivindicações apresentada pela categoria profissional à empresa. “Apresentamos antes de começar as rodadas de negociações, mas a empresa insiste em não abrir esta pauta para discussões”, comentou Martins.
Segundo o diretor, a prioridade da pauta é o reajuste salarial. Entretanto, a categoria também pede garantia de contrato de trabalho até 2013 por meio de acordo coletivo e “melhores condições de trabalho”, principalmente com relação à segurança.
“O trabalho que nós prestamos na rede elétrica é de alta periculosidade e muitas empresas deixam o item segurança de lado. Isso está ceifando vidas de pais de famílias. E nós estamos preocupados com esta questão da segurança”, disse Martins.
O Stieec cobre a maior parte do Estado e inclui funcionários de outras empresas. De acordo com o diretor, ações semelhantes à Tatuí serão realizadas nos próximos dias em outras regiões de cobertura da Elektro, como em Limeira, Rio Claro e Atibaia. “Decidimos fazer isso em datas diferentes, como um ‘efeito pipoca’”, afirmou o diretor do sindicato.
A assessoria de imprensa da Elektro não comentou a paralisação e as reivindicações da categoria. A assessoria informou que a empresa não foi comunicada oficialmente sobre uma paralisação e sim sobre uma assembleia dos funcionários por conta da data base.
oprogressodetatui.com.br
Posted in: 