quinta-feira, 28 de junho de 2012

Junho tem maior volume de chuva do ano

O volume de chuva em junho está sendo considerado totalmente atípico. A avaliação é da Comdec (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil), que, na terça-feira, 26, já havia registrado 242 milímetros no mês.
Os números colocam o período como o mais chuvoso do ano até agora, superando janeiro (194 milímetros), fevereiro (128) e março (28), que teoricamente compõem a chamada “temporada de chuvas”.
O volume anormal de precipitações neste mês também é maior na comparação com anos anteriores. No mesmo período de 2011, a Defesa Civil local registrou 53 milímetros. Naquele ano, choveu mais nos três primeiros meses. Em janeiro de 2011, foram registrados 393 milímetros.
Segundo o coordenador local da DC e secretário municipal de Obras e Infraestrtura, Aleksander Chaves dos Santos, a Defesa Civil Estadual já havia feito alerta de que o inverno deste ano poderia ser mais chuvoso.
“Houve a informação de que, como no começo do ano não tivemos chuvas tão intensas, provavelmente, no inverno haveria um volume maior. Mas, mesmo assim, é muito mais difícil haver inundação nesta época do ano, porque é o calor e a evaporação da água que ocasionam chuvas em grandes quantidades”, disse o coordenador da DC local.
Apesar de junho estar registrando chuvas muito acima da média, a DC ainda não teve trabalho com desalojados ou desabrigados por conta de inundações. Conforme Santos, a última ocorrência do tipo data de janeiro de 2011, quando alguns moradores do distrito de Americana precisaram ser removidos em função das cheias no rio Sorocaba.
“No verão deste ano, não tivemos ocorrências de alagamento”, afirmou Santos. De acordo com ele, um dos períodos mais críticos deste ano transcorreu na semana passada. Conforme dados da DC, entre a segunda-feira, 18, e a sexta-feira, 22, choveu mais de 190 milímetros.
As chuvas acima da média fizeram com que o órgão voltasse as atenções ao distrito de Americana, intensificando vistorias. Na sexta-feira, a sequência de dias chuvosos fez com que a água do rio Sorocaba chegasse ao quintal de algumas residências. A situação deixou a DC “em estado de alerta especial”.
“A sexta-feira foi o dia mais complicado, porque a água já estava nas regiões de várzea do rio e, se subisse mais, poderia atingir algumas casas. Naquela manhã, eu estive no distrito e fiz vistoria em algumas casas, nas quais a água chegou até o quintal”, disse o coordenador. Segundo explicou, a ameaça desapareceu com o fim da chuva, ainda na sexta-feira, e com o aparecimento do sol, no sábado, 23, e domingo, 24.
Outra área considerada perigosa para inundações está localizada no Jardim Thomaz Guedes. Conforme o secretário de Obras e Infraestrtura, no local, existem três casas que podem ser inundadas pelo rio Tatuí.
“Neste caso, a DC já fica atenta e faz medições do nível da água com a ajuda de réguas instaladas em pontes. Com elas, a gente sabe quais residências podem sofrer inundações conforme o rio vai subindo”, explicou Santos.
Paralelamente ao monitoramento das áreas com risco de inundação, a DC verifica as probabilidades de desmoronamentos e deslizamentos de encostas. Para tanto, considera padrão válido em todo o país. Segundo esta determinação, o risco torna-se eminente quando chove mais de 90 milímetros em menos de 48 horas.
“Na terça-feira, 19, nós tivemos os 90 milímetros em menos de 24 horas. Mesmo assim, não houve perigo de deslizamentos porque existem pouquíssimas áreas no município que apresentam este perfil de risco”, afirmou o coordenador.
A principal área de risco de deslizamento está no Jardim das Garças, nas margens do córrego Ponte Preta. Segundo a DC, o local constitui uma APP (área de proteção permanente), e, nele, existem quatro casas em situação perigosa. “Desta vez, não teve nenhum problema por lá”, disse Santos.
De acordo com ele, os moradores das quatro casas deverão ser incluídos em programa de financiamento para a habitação do governo do Estado. “O prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo solicitou novas unidades para retirar moradores de áreas de risco e já ouve um sinal positivo”, informou o secretário.


TAPA-BURACOS


Além de oferecer riscos aos moradores ribeirinhos, o período prolongado de chuvas interferiu no cronograma de serviços da Secretaria de Obras e Infraestrtura, principalmente no andamento da operação “Tapa-Buracos”. O trabalho consiste em reparar fendas e crateras abertas nas ruas e estradas asfaltadas.
Para isso, as equipes da operação utilizam massa asfáltica, o mesmo material da constituição original da pista. “A maior inimiga do asfalto é a água, e quando há períodos de chuva, nós não conseguimos trabalhar. A secretaria fica totalmente parada neste setor”, afirmou Santos.
De acordo com ele, a paralisação dos trabalhos da operação acontece apenas quando é utilizado material fabricado pela própria Prefeitura. “Tem dois tipos de material. Um pode ser aplicado em dias de chuva e o outro, para o qual temos uma usina própria, não”, explicou o secretário.
De acordo com ele, a “massa quente” possui secagem instantânea e não há problemas em ser aplicada em dias chuvosos. No entanto, ela é mais cara, sendo utilizada apenas em casos emergenciais.
“É um asfalto que se compra em usina especializada. Para aplicar ele, basta que a chuva pare um pouco. Alguns minutos depois o trânsito pode ser liberado e pode voltar a chover que não vai estourar mais”, disse Santos.
Já o material fabricado na usina da Secretaria de Obras e Infraestrutura, o “asfalto frio”, precisa 24 horas para secar depois da aplicação. “Nós temos a usina para reduzir custos da operação, mas não pode chover no período em que este material está secando”.
Além de prejudicar o trabalho de recuperação, a chuva causa novos buracos nas estradas e aumenta aqueles que já existem. “O asfalto é um pavimento flexível, se movimenta e, com o tempo, deteriora, abrindo trincas. Ao abrir um buraquinho, a água da chuva infiltra e, no outro dia, aquilo já se transformou em um buraco”, explicou o secretário.
Por esta razão, Santos prevê a continuidade da operação “Tapa-Buracos” por tempo indeterminado. “A estrada asfaltada é um tipo de construção com certo tempo de duração. Por isso, sempre tem que haver um trabalho de reparo para aqueles locais que estão com problemas”, finalizou.


PONTES


O volume anormal de chuvas permitiu à Secretaria de Obras e Infraestrtura avaliar a eficiência da recente reforma de quatro pontes sobre o ribeirão do Manduca. “O problema lá está totalmente solucionado”, disse Santos. As pontes estão localizadas nas ruas Santo Antônio, 7 de Abril, Marechal Deodoro da Fonseca e Tamandaré.
Com investimento de aproximadamente R$ 555 mil (R$ 445 mil do governo do Estado e R$ 110 mil do município), a revitalização das pontes teve por objetivo dar maior vazão à água do ribeirão em dias de grande precipitação. Segundo a DC, o antigo formato das pontes era muito acanhado, provocando o represamento da água e causando alagamentos nas margens.
“Nós ainda monitoramos, mas desde fevereiro, quando concluímos as obras na quarta ponte, não tivemos novos problemas de água saindo do leito natural do ribeirão”, informou o secretário.

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