A Polícia Civil localizou na quarta-feira, 28, uma residência utilizada como fábrica de máquinas caça-níqueis no bairro Inocoop. No local, foram apreendidos diversos equipamentos de informática e outros materiais utilizados para confeccionar os aparelhos do jogo de azar. Além de apreender o material e indiciar os responsáveis por contravenção penal, os investigadores querem saber a origem dos componentes. Há suspeita de contrabando.
O flagrante no Inocoop aconteceu em meio a várias outras apreensões de máquinas caça-níqueis na cidade. Segundo o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, a Polícia Civil vem realizando seguidas operações de combate aos estabelecimentos clandestinos que promovem o jogo de azar no município.
“Este combate está sendo feito ininterruptamente pela Polícia Militar, Guarda Civil Municipal e Policia Civil. Hoje, nós pegamos vários mandados judiciais de busca para tentar inibir a ação dos contraventores que se espalham na cidade. A ideia é achar os cassinos clandestinos e, em segundo lugar, averiguar as origens das máquinas”, afirmou o delegado.
De acordo com ele, em outros mandados cumpridos na quarta-feira, a Polícia Civil encontrou indícios de máquinas caça-níqueis e videopôquer em diversos estabelecimentos e casas. “Conseguimos encontrar toda a estrutura montada para o jogo de azar, como cabos de computados, cabos de energia elétrica, câmeras de monitoramento, mas as máquinas não estavam”, afirmou Andreucci.
Para o responsável pela operação, os sinais de que havia máquinas instaladas nos locais visitados servem como indício de que os cassinos clandestinos estão sendo mudados de endereço, conforme a movimentação da polícia. Segundo o delegado, esta constatação representa uma novidade e pode mudar o curso das próximas investigações.
“Está comprovado que eles estão criando cassinos clandestinos que andam de um lugar para o outro. Quando eles acham que um endereço já está “sujo”, eles mudam para outro ponto, em outro bairro. Combater esta situação apenas recolhendo as máquinas acaba sendo o mesmo que enxugar gelo, e, para inibir isso, nós estamos começando a intensificar as investigações para saber de onde as máquinas são”, explicou o titular.
A partir da investida contra os fabricantes de máquinas, os investigadores chegaram à localização da oficina clandestina existente no Inocoop. Andreucci explica que o local possui capacidade para fabricar 13 máquinas simultaneamente, o que permitiria centenas de equipamentos em curto espaço de tempo. De acordo com ele, é possível que o grupo tivesse fornecido máquinas para outras cidades da região.
“Constatamos a origem das máquinas, que é algo realmente muito difícil, e, com isso, vamos tentar diminuir a atuação deles na cidade. Todo mundo sabe que o jogo de azar integra o crime organizado, fornecendo dinheiro para as atividades dos criminosos”, afirmou o delegado. Ele ressaltou, também, que a atividade ilícita prejudica muitas pessoas, sobretudo, idosos viciados. “São pessoas acostumadas à época em que o bingo era permitido no Brasil e se viciaram”.
O material flagrado no bairro Inocoop foi apreendido pela Polícia Civil e duas pessoas apontadas como responsáveis foram encaminhadas à Delegacia Central. “Elas vão responder processo por fabricar as máquinas, o que acaba sendo a mesma contravenção cometida por aqueles que promovem o jogo de azar mantendo as máquinas”, informou Andreucci.
“A lei diz que o jogo de azar é um crime de menor potencial ofensivo, mas eles vão responder perante o Juizado Criminal. É registrada a ocorrência e, neste caso, eles não ficam presos, mas vão responder processo por prática do jogo de azar e também por contrabando e descaminho, por terem importado as peças de forma ilegal”, acrescentou.
Na avaliação do delegado, as máquinas caça-níqueis representam um negócio altamente lucrativo para os contraventores, o que justificaria os esforços para manter os estabelecimentos de jogo. “Nós temos a informação de que cada máquina custa por volta de R$ 2.500, e cada uma delas pode render até R$ 1.500 por mês”.
Para o apostador, a proporção de perdas seria de nove para um em relação aos ganhos. “É um computador programado para ganhar. O apostador vai, ganha um dia, fica empolgado porque acha que vai ganhar sempre, e, no dia seguinte, ele perde tudo o que ganhou e mais um pouco. Por isso eles acabam tendo um lucro muito grande”, comentou.
Andreucci afirmou que a Polícia Civil é um órgão de investigação que conta com informações da população para conduzir os trabalhos. “Todas as apreensões que a gente consegue fazer é porque alguém acabou passando a informação, checada pela Policia Civil. Espero que continue assim, porque, só com a polícia e a população trabalhando juntas, conseguiremos vencer essa onda de contravenções na cidade”.
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