A cidade voltará a fazer parte do circuito de eventos ligados à astronomia com a reabertura do Planetário de Tatuí, espaço que completa 12 anos de atividades e que vai abrigar, no mês que vem, a “Semana de Astronomia”.
A programação, antecipada com exclusividade à reportagem de O Progresso pelo coordenador do planetário, Luís Antonio Alves Marino, no início desta semana, inclui sessões abertas ao público entre os dias 23 e 27 de abril.
A reinauguração do Planetário de Tatuí, em funcionamento nas dependências do Colégio Objetivo, à rua Professor Oracy Gomes, 665, está prevista para o dia 22 de abril. O espaço, que está desde o final do ano passado sem atividade, passa por ampla reforma. O domo em que o planetário fica, segundo Marino, enfrentou problemas de infiltração. “Por conta disto, resolvemos fazer uma reforma geral, que inclui a troca de diversos equipamentos”, contou.
Estão sendo trocados os condicionadores de ar, bem como o próprio planetário (equipamento responsável pela projeção de “ambientes”). A previsão, segundo Marino, é de que haja também a troca do carpete do espaço. “Vamos instalar um novo equipamento de projeção (o planetário), que é do mesmo modelo do anterior, com os mesmos recursos, só que zero”, explicou o coordenador do espaço.
A ideia do planetário em Tatuí remonta ao ano de 1984, quando Marino reuniu-se com outros tatuianos para dar origem ao embrião do espaço. “Na ocasião, nós começamos a montar o domo, que é o local que abriga o planetário”, descreveu. O planetário é, nada mais, do que uma máquina que simula ambientes. “O domo é apenas o local que abriga o planetário, a superfície semiesférica que permite a projeção do aparelho”, explicou Marino.
Justamente pelo domo ter apresentado problemas - em específico de infiltração - é que o coordenador decidiu pela reforma do ambiente. O novo domo deve ganhar pintura especial (com tinta refletiva) e um novo carpete.
“Fazer tudo isso exige um tempo, por isto vamos retomar as atividades no próximo mês”, disse Marino. A reinauguração do espaço deve ser realizada no mesmo dia em que o planetário foi aberto pela primeira vez ao público, em 22 de abril.
Para a data, está prevista sessão inaugural que terá sequência com a “Semana de Astronomia”, a ser realizada entre os dias 23 e 27 de abril. O evento, segundo Marino, será aberto ao público, mediante o pagamento de taxa. O valor, conforme adiantou, ainda não está fixado. “Estamos definindo alguns detalhes para que possamos fazer o evento na semana prevista”, disse.
Durante a semana, serão realizados cursos de astronomia para leigos e sessões de observação do céu. “Caso o tempo esteja bom, poderemos utilizar o telescópio”, revelou o coordenador do local. Apesar de estar dentro da área que pertence ao Colégio Objetivo, o Planetário de Tatuí atende à população em geral. O local também pode ser visitado por escolas, clubes e grupos.
A visitação é permitida após agendamento e pagamento de taxa de manutenção. As sessões têm duração média de 40 minutos para grupos de clubes e de empresas e de 45 minutos para alunos, valores que garantem os custos de parte da manutenção do planetário.
“O custo operacional é alto. Temos pessoas pagas para operar o equipamento, mais a manutenção diária de ar-condicionado, energia elétrica, praticamente todo o dia”, descreveu Marino. A manutenção do planetário, segundo informou, está a cargo do Colégio Objetivo.
O primeiro planetário de Tatuí entrou em operação no ano de 2000. O equipamento, importado, era, conforme Marino, “extremamente simples”. Como o planetário não possuía muitos recursos, o grupo tatuiano resolveu modificá-lo.
“A máquina original tinha um único movimento de rotação num único sentido, com uma única velocidade, que era de um lado e fixa. Aí, resolvemos colocar três movimentos nos dois sentidos”, citou o coordenador.
A implantação de novos recursos, segundo Marino, aconteceu nos dois primeiros anos de uso do equipamento. Com as inovações, Marino resolveu desenvolver um equipamento próprio – que está em vias de ser instalado com a reforma do domo – e montar, segundo ele, a primeira fábrica de planetário do país. “Nós fomos a primeira, em 2002. A segunda surgiu em 2007”, disse. O equipamento produzido em Tatuí custa por volta de R$ 30 mil, bem menos que o importado, que sai em torno de R$ 5 milhões, segundo Marino.
No momento, a empresa do tatuiano produz planetários para universidades, que os encomendam por meio de uma empresa de São Paulo, a qual atua como revendedora. A comercialização surgiu após o espaço em Tatuí receber a visita de pessoas, de todo o país, ligadas à astronomia. “Essas pessoas se interessaram e acabaram por encomendar os planetários conosco”, declarou Marino.
De acordo com ele, apesar de não ser sofisticado, o equipamento tatuiano é bem superior em qualidade ao original. “O meu planetário projeta 9.006 estrelas. O anterior, só 1.800. Além disso, ele permite a projeção de manchas no céu, como nebulosas, o que amplia em muito o uso”, complementou.
A coordenação do Planetário de Tatuí programa para a data de reinauguração uma homenagem a Romildo Póvoa Faria. O astrônomo, considerado um dos mais importantes do país, deverá emprestar o nome para o planetário local. “Estamos estudando esta possibilidade de prestar uma justa homenagem a uma pessoa que trabalhou por Tatuí e pelo país”, disse Marino.
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