A Santa Casa de Misericórdia já dispõe das novas instalações da maternidade “Maria Odete Azevedo”. A Prefeitura, que promoveu a construção junto com o governo do Estado, realizou a entrega do prédio na tarde da sexta-feira, 2. Antes de entrar em funcionamento, a maternidade aguarda pela inauguração, que acontecerá na terça-feira, 6, com a presença do governador Geraldo Alckmin.
Considerada uma das realizações mais importantes do município nos últimos anos, a entrega da nova maternidade atraiu grande público ao pátio frontal, onde aconteceu a solenidade.
Entre as autoridades presentes, estiveram o prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo; a primeira-dama Maria José Vieira de Camargo; o vice-prefeito Luiz Antônio Voss Campos; o deputado estadual Samuel Moreira (PSDB); o secretário-chefe da Casa Civil, coronel Ademir Gervásio Moreira; o presidente da Câmara Municipal, Wladmir Faustino Saporito (PSDB); e o prefeito de Cesário Lange, Ramiro de Campos. Além deles, todos os secretários municipais e a maioria dos vereadores compareceram à solenidade.
O vice-provedor e diretor administrativo da Santa Casa, Antônio Marcos de Abreu, pronunciou-se em nome do hospital e da Secretaria Municipal da Saúde. “Hoje, é um dia especial e importante para todos nós, mas também temos que lembrar os dias difíceis que tivemos há alguns anos”, afirmou Abreu.
De acordo com ele, em 2008, o prefeito Gonzaga estava preocupado com a situação da Santa Casa e informou que haveria intervenção municipal. “Fomos averiguar a situação e nos deparamos com a UTI (unidade de terapia intensiva) interditada. Havia uma dívida de R$ 10 milhões e a cozinha estava em situação precária”, disse o diretor administrativo.
“Se não bastasse isso, a parte mais preocupante era a maternidade”, acrescentou Abreu. Segundo o vice-provedor, uma equipe de engenheiros realizou uma análise e constatou que a estrutura da maternidade estava comprometida por causa do sistema de esgoto. “Estava afundando no esgoto, esta que é a verdade”.
A partir da intervenção, os problemas da maternidade e da UTI receberam solução parcial, para que tivessem condições de operar. Entretanto, a administração entendeu que a maternidade precisaria de um prédio novo. “Me lembro até hoje. O prefeito falou que buscaria recursos para a obra e, em 30 dias, estava com eles”, afirmou Abreu. “Assim, ganhamos uma maternidade digna das pessoas de Tatuí”, completou.
De acordo com o diretor administrativo, a maternidade entrará em funcionamento a partir da terça-feira. Depois da inauguração, a direção iniciará o processo de mudança dos materiais e equipamentos que serão reaproveitados no novo endereço. A transferência deverá ser feita em etapas, para não comprometer o atendimento, que possui média de cinco partos diários.
No novo prédio, a maternidade continuará com o nome original. O protocolo da solenidade de entrega do prédio prestou homenagem à patrona Maria Odete Azevedo, que atuou na Santa Casa na década de 40 e participou do primeiro projeto da maternidade.
Representando os familiares da patrona, a sobrinha-neta Maria Izabel Azevedo agradeceu pela homenagem e disse que ficou surpresa quando soube que o nome original seria mantido, mesmo com a troca de prédios. “Acho que é algo justo, apesar de já terem passado tantos anos. Ela era uma pessoa muito querida na época em que lhe escolheram o nome”, disse Maria Izabel.
Na sequência, falou o deputado Moreira. Ele enfatizou a importância do “atendimento humanizado” para a qualidade da saúde em geral. “A gente tem a expectativa de que as pessoas que fazem o atendimento trabalhem como se estivessem tratando de um parente”, disse o parlamentar.
Ele citou também a gestão eficiente dos recursos e o financiamento adequado da Saúde como formas de melhorar o serviço. “Precisa recursos e coragem para investir. Fazer uma intervenção quando ela for necessária”, afirmou Moreira. O deputado salientou que a legislação obriga o investimento mínimo de 15% do orçamento com a Saúde e que, em Tatuí, este gasto chega a 27%.
Apesar disto, conforme Moreira, ainda faltam recursos para a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde. “Antigamente, o SUS (Sistema Único de Saúde) ressarcia 80% dos gastos. Agora, a devolução não passa de 50%”. Para ele, esta é a razão que obriga os municípios a ultrapassarem o percentual mínimo de gastos na área.
“O governo federal estabeleceu gastos mínimos para Estados e municípios, mas não para ele, que gasta quanto quer”, afirmou o deputado. Além de investimentos mais altos por parte dos municípios, Moreira citou a filantropia como suporte para a Saúde. “As Prefeituras sempre têm dificuldades. Então, na sociedade, a diferença está naquelas pessoas que saem de casa para fazer algo mais pelos outros. Eles contribuem para o desenvolvimento de uma cidade”, disse.
Seguindo o protocolo da cerimônia, a palavra ficou à disposição do presidente da Câmara Municipal. Saporito iniciou cumprimentando os funcionários da Santa Casa. “A gente sabe que muita coisa melhorou nos últimos anos. Mas vocês mantiveram o funcionamento quando as coisas eram bem mais difíceis”, comentou
De acordo com ele, atualmente, há melhores condições de trabalho. “Hoje, os funcionários não precisam mais mendigar, e, sem o trabalho deles, esta maternidade não poderia existir”, afirmou o vereador. Para ele, a nova maternidade é melhor e mais bem estruturada que diversos estabelecimentos particulares do setor.
Saporito concorda que a situação estrutural da antiga maternidade era grave. “Quem conheceu a antiga maternidade sabe do que estou falando. Os anos passam e os prédios vão deteriorando. A gente ficou até com medo de que aquele prédio pudesse cair, pois tinha algumas rachaduras”, comentou.
O prefeito Gonzaga, encerrando os discursos, também recuperou alguns momentos marcantes do processo de intervenção na Santa Casa. Ele relatou que o primeiro procedimento foi restabelecer o serviço na UTI. Porém, um médico teria lhe informado que o maior problema não estava na unidade de terapia intensiva.
“Ele me falou: ‘Vá ver a maternidade, prefeito’. Eu confesso que, ao ver a maternidade, pensei: ‘Estou perdido’”, disse Gonzaga. Esta constatação, conforme o chefe do Executivo, deu início ao projeto da nova maternidade.
De acordo com o prefeito, a segunda atitude dele no processo de intervenção foi reunir todos os funcionários na capela do hospital. “O clima era de desânimo. Eles não tinham dia certo para receber o salário. A maioria deles já havia movido ações trabalhistas contra a Santa Casa”, afirmou Gonzaga.
Na ocasião, Gonzaga prometeu que acabaria com os atrasos de salário, mas que queria ter o empenho de todos na recuperação do hospital. Segundo o prefeito, todas as ações trabalhistas tiveram acordo e foram pagas em um único dia.
Para o prefeito, a nova maternidade e as melhores condições na Santa Casa ajudarão a melhorar o índice de mortalidade infantil no município. “É uma luta que sempre continuará. Sabem que é difícil, mas a nossa meta é ficar com taxa abaixo de um digito”.
Gonzaga aproveitou o momento para dar a notícia de que Tatuí obteve uma boa nota em relação ao atendimento no SUS. A avaliação, referente ao ano de 2010, é feita pelo Ministério da Saúde. “Ficamos orgulhosos, porque o município tem a melhor nota da região. Isso indica que estes 27% que nós aplicamos em saúde estão sendo bem investidos”, afirmou o prefeito. Para ele, se a avaliação considerasse o ano de 2011, o desempenho seria ainda melhor.
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