O homicídio de Evandro Francisco Campos Soares, ocorrido na madrugada do dia 8 para o dia 9, quinta-feira e sexta-feira da semana passada, teve motivação passional. A conclusão é da Polícia Civil, que anunciou, nesta semana, o esclarecimento do crime. A vítima – que não era catador de materiais recicláveis, como preliminarmente havia sido divulgado pela polícia – teria sido torturada por mais de cinco horas por quatro pessoas. Todas estão identificadas.
O corpo de Soares foi localizado por uma equipe da Polícia Militar, acionada por testemunhas. A Guarda Civil Municipal e a Polícia Civil também compareceram ao local. O cadáver estava em um terreno baldio, na rua Jacira Antunes Guidoni, s/nº, no Residencial Mantovani. “A vítima apresentava sinais claros de tortura”, disse o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, responsável pelo caso.
Andreucci recebeu apoio do delegado Emanuel Françani, que participou das investigações junto com integrantes do GTO (Grupo Tático Operacional). A partir de informações obtidas com testemunhas, o titular e equipe descobriram o nome da vítima. Soares tinha 46 anos e estava com a boca amarrada com fios elétricos. O corpo também apresentava várias perfurações à faca, com cortes profundos na região dos braços, costas e cabeça. “Ao que tudo indica, eles (os acusados) usaram um facão para golpear a vítima na cabeça”, afirmou Andreucci.
O assassinato teria ocorrido na madrugada de quinta para sexta. O cadáver foi localizado na manhã do dia 9. A partir da identificação, os policiais do GTO conseguiram apurar que o crime teria sido motivado por ciúmes. “Ele (Soares) teria, na realidade, mantido relações sexuais com mulheres de presos”, disse o delegado.
Conforme Andreucci, Soares era conhecido no bairro como “talarico” (homem que se relaciona com esposa, namorada ou companheira de detento). A vítima teria, ainda, feito “atos obscenos” na presença de mulheres do bairro.
“As investigações se aprofundaram e conseguimos detectar quem seriam os autores e onde o crime teria ocorrido”, falou o titular. A primeira pista analisada e que ajudou os investigadores a chegarem aos suspeitos foi um carrinho. “Conseguimos identificar quem seria o dono dele e, com isto, descobrir o local do homicídio”, citou o delegado.
A equipe do GTO descobriu, ainda, que o crime havia sido premeditado uma semana antes. Os quatro envolvidos teriam, também, solicitado permissão para uma facção criminosa para executar Soares.
O plano havia sido traçado na terça-feira, 6. “Desde aquele dia, algumas pessoas do bairro já estavam atrás da vítima”, comentou Andreucci. O objetivo era “acertar as contas” com o homem, que já tinha passagens pela polícia por tráfico de entorpecentes.
Até esse momento, Soares não sabia que estava sendo visado. “O grupo se mancomunou - na realidade, quatro pessoas - e levou a vítima para uma emboscada”, relatou o titular. Soares havia sido convidado por quatro pessoas para ir até a residência de uma delas. A casa fica na estrada Santa Adelaide, no bairro Sabesp, e a uma quadra do local onde o cadáver foi localizado.
Os investigadores descobriram que o imóvel pertence a João Batista Siqueira, 46, conhecido como “Gato Félix”. O dono estava na companhia de outras três pessoas, “Alex Boituva” e “Gardenal” (ainda não qualificados) e Marcelo Silva Nielsen, o “De Menor” - todos, maiores de idade e com passagens pela polícia. Os quatro teriam atraído Soares para o local e, depois, começado a torturá-lo. “Eles acabaram agarrando a vítima”, disse Andreucci.
Soares teria sido torturado por mais de cinco horas. O corpo dele foi colocado dentro de um carrinho de feira (parecido com o de recolhimento de materiais recicláveis). A intenção do grupo era jogar o cadáver em um rio. O carrinho pertencia a Alex Boituva, mas quebrou a uma quadra da residência de Siqueira. Por esta razão, os acusados teriam o abandonado, também junto a roupas manchadas de sangue e a faca que teria sido utilizada no homicídio.
Com base nestas informações, Andreucci solicitou mandado de buscas e de prisão – já decretados pela Justiça. “Os acusados, sabendo que a PC estava chegando à autoria, fugiram”, disse. O titular também solicitou a presença da perícia técnica, que vistoriou o local, utilizando luminol (substância química que reage em contato com sangue humano). A arma supostamente utilizada no assassinato passará por análise dos peritos do IC (Instituto de Criminalística), de Itapetininga.
As roupas usadas pelos acusados para limpar o sangue da vítima, na residência, também serão periciadas, o que inclui o lençol no qual o corpo estava enrolado. O cadáver teria sido transportado durante a madrugada. “A intenção deles era aproveitar a calada da noite, quando a rua estivesse deserta, para levar o corpo, usando o carrinho para algum lugar”, especulou o titular.
Andreucci disse que o caso está 100% esclarecido. Este é o quarto homicídio do ano ocorrido em Tatuí. Em 2011, até o fechamento desta edição (sexta-feira, 16, 17h), a cidade havia registrado ainda três latrocínios. Todos os sete crimes (quatro homicídios e três latrocínios) estão esclarecidos. “É claro que lamento pelos casos, mas temos que comemorar um desempenho muito bom da polícia nos últimos anos”, afirmou.
Para ele, a prisão dos autores é questão de tempo. O trabalho mais “árduo”, segundo destacou, fica por conta das investigações. “O difícil é identificar, saber o que aconteceu, qual foi o motivo e arrumar provas”, citou Andreucci.
Além da motivação passional, o homicídio de Soares incluiu desavenças que teriam ocorrido anos atrás entre os envolvidos. Conforme as investigações, ele e os outros quatro envolvidos (acusados pelo crime) teriam passagens pela polícia. “Todos já estiveram presas, inclusive, a própria vítima. E todos, também, trazem mágoas de dentro da cadeia, envolvendo mulheres, que geram ciúmes e podem levar a tragédias”, disse o delegado.
Andreucci classificou o crime como bárbaro e pediu tranquilidade à família da vítima. “Eles podem ficar sossegados, porque todos serão presos e encaminhados à comarca”, falou. A pena para os acusados pode passar de 12 anos de reclusão. “Eles premeditaram o crime, e fizeram um verdadeiro extermínio. É algo que não pode ser tolerado pela sociedade e pela Justiça”, concluiu o delegado.
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