quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Latrocínios superam homicídios em Tatuí


O número de latrocínios superou o de homicídios em Tatuí neste ano, segundo dados obtidos junto à Delegacia Central. No município, do dia 1o de janeiro a 31 de outubro, ocorreram três casos de roubos seguidos de morte (que culminaram em quatro vítimas) e dois assassinatos. No ano passado, houve dez homicídios, contra três latrocínios (com uma vítima cada).
Os dados locais, repassados pelo delegado titular, José Alexandre Garcia Andreucci, acompanham a realidade do Estado de São Paulo, que registrou alta de 4,43% nos crimes de latrocínio. No Estado, de janeiro a setembro, os casos de roubo seguido de morte subiram de 203 para 212.
Andreucci destacou que a estatística não leva em conta um dado considerado importante para a segurança pública: apesar do aumento, todos os casos foram esclarecidos. “Os dados comprovam que mais pessoas morreram por latrocínio do que por homicídio, mas a diferença é que, neste ano, nós tivemos 100% dos roubos seguidos de morte esclarecidos”, disse. No ano passado, a Polícia Civil conseguiu elucidar dois casos, dos três registrados.
Entres os crimes esclarecidos em 2010, está o que vitimou o segurança Carlos Tadeu Modena, 47. Ele perdeu a vida no dia 7 de abril depois de ser assaltado por dois homens. Os bandidos aproximaram-se em duas motos (uma branca e outra preta), roubaram um malote com aproximadamente R$ 13 mil e, antes de fugir, atiraram contra a vítima. O latrocínio ocorreu perto das 15h30, na rua 15 de Novembro, uma das mais movimentadas do centro da cidade.
Modena foi baleado perto do banco Bradesco, onde depositaria o dinheiro. No malote, estariam apenas folhas de cheques. O segurança recebeu três tiros, um na região do tórax, outro no abdômen e outro na perna.
Ele chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu e faleceu após dar entrada no Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto”. No caminho ao ambulatório, ele teria sido reanimado, após parada cardiorrespiratória.
O segundo caso de latrocínio esclarecido em 2010 é o que teve como vítima Benedito Barbosa, 71. O aposentado havia sido assassinado depois de sacar dinheiro em um banco. Os bandidos seguiram a vítima a partir da agência, localizada na rua 15 de Novembro, no centro, até a residência dela, situada na vila Fortunato Minghini. O crime ocorreu no dia 2 de março.
Neste ano, a Civil esclareceu três casos, um deles que vitimou o produtor rural Antonio Soares de Oliveira, 50, e o filho dele, Antonio Soares de Oliveira Júnior, 21, no bairro Enxovia, dia 16 de março; outro que terminou na morte do empresário Geraldo Amorim, 61, ex-presidente da “Feirinha da Madrugada”, no bairro dos Mirandas; e um terceiro, que teve como vítima Maria Aparecida Gonçalves Rodrigues, 65, em consequência de um infarto após roubo na casa dela, no Jardim Ternura (reportagem nesta edição).
“O importante é que estamos esclarecendo os crimes. Todos, unidos à violência”, destacou Andreucci. Para o delegado, a ação investigativa da Polícia Civil tem ajudado a diminuir os casos de maior violência, como os de homicídio. Ainda assim, não há, segundo ele, como impedir que os crimes ocorram. “Mas há como reagir, investigando para que as prisões dos autores sejam decretadas”, argumentou.
O delegado afirmou que não esperava que os índices de criminalidade deste ano atingissem o patamar atual: “considerado bom e abaixo de cidades da região”, como Itapetininga. De acordo com os últimos índices estatísticos divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), do Estado de São Paulo, Tatuí teve números menores do que Itapetininga nos crimes considerados mais violentos.
As reduções, segundo Andreucci, são mais evidentes nos casos de homicídios e roubos (que envolvem emprego de arma de fogo). No balanço dos nove meses do ano, entre janeiro e setembro, a cidade registrou dois homicídios, sendo um em fevereiro e o segundo em agosto. Neste mesmo período, os assassinatos na cidade de Itapetininga somaram dez casos (400% a mais do que em Tatuí), sendo um em janeiro, dois em fevereiro, um em março, dois em abril, dois em julho e dois em agosto. “A queda em Tatuí foi muito maior”, destacou o delegado titular.
MANTENDO A MÉDIA
Para Andreucci, Tatuí manteve a média nos casos de latrocínio. No ano passado, a cidade registrou três casos e, neste ano, até o momento, também. “Está sendo um ano muito bom em relação às investigações. Um ano de poucos casos que ocorreram na cidade”, salientou. Por este motivo, o delegado considera que as forças policiais deverão ter um desafio maior no ano que vem. “Dificilmente vamos conseguir manter 2012 com menos de dois homicídios”, disse.
Um dos fatores que podem interferir neste trabalho de prevenção aos crimes violentos é o tamanho da cidade. Andreucci avalia que os números obtidos por Tatuí na área da violência foram atípicos neste ano. “Temos que lembrar que a cidade já está com quase 110 mil habitantes”, argumentou.
De acordo com ele, Tatuí saiu de um patamar de Osasco (considerada violenta) para cidades mais pacatas, como Cerquilho e Tietê, no quesito violência. “Na realidade, a nossa dificuldade para o ano que vem vai ser conseguir manter os índices tão baixos como estão neste ano. A própria SSP estipula que 15 homicídios seriam tolerados para uma cidade como a nossa”, afirmou.

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