Técnicos da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo) estiveram no distrito de Americana para investigar as causas da mortandade de peixes em um trecho do rio Sorocaba. Na segunda-feira, 10, os primeiros animais foram vistos próximos à superfície, demonstrando dificuldades para respirar. O problema se agravou na quarta-feira, 12, quando muitos deles começaram a morrer.
Moradores do distrito comunicaram o problema à equipe ambiental da Guarda Civil Municipal, que acionou a Sema (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e a Cetesb. Ainda na quarta-feira, os técnicos da companhia estiveram na barragem da antiga usina hidroelétrica “Santa Adélia”, onde peixes morreram em maior quantidade. Eles coletaram amostras da água e de peixes encontrados mortos.Conforme o secretário Paulo Sérgio Medeiros Borges, da pasta do Meio Ambiente, a partir de uma análise preliminar, os técnicos da Cetesb constataram que o problema estava relacionado à baixa quantidade de oxigênio dissolvido na água. “O fato de ter tantos peixes próximos à superfície, com dificuldade para respirar, já demonstrava isso”, afirmou o secretário.
O laudo das análises da Cetesb será divulgado em aproximadamente dez dias. Antes disso, Borges considera arriscado apontar causas para o problema. “Qualquer causa apontada antes do laudo é quase uma irresponsabilidade. Nem eu, nem os moradores, nem os técnicos da Cetesb podemos dizer o que aconteceu”, salientou.
Embora o secretário evite apontar causas específicas para o problema, ele considera a hipótese de a causa ser externa. “É provável que algum dejeto ou produto químico tenha sido colocado na água e eu espero que os testes possam mostrar o que aconteceu”, disse. No entanto, conforme Borges, o fato da água estar com nível baixo pode ter agravado a situação.
A suspeita está baseada no fato de que, no domingo, 9, um problema semelhante foi registrado no mesmo rio na cidade de Sorocaba. Os técnicos da Cetesb também recolheram amostras no local. Os resultados, porém, ainda não estão disponíveis. Na região percorrida pelo rio entre as duas cidades (Sorocaba e Tatuí), várias pessoas também teriam comunicado casos de mortandade de peixes.
Em Tatuí, a situação poderá ter se agravado em razão do acumulo da água na represa da usina. “Pelo que constatamos, na região da usina em diante, nenhum peixe apareceu morto”, informou Borges. “É muito provável que alguma coisa que aconteceu em Sorocaba foi trazida pelas águas e se concentrou na usina de Americana”, acrescentou.
Segundo pesquisa realizada pelo secretário junto ao gerente da usina e com a equipe ambiental da Guarda Civil Municipal, o número de peixes mortos não foi alto. Borges lembra ainda que na quarta-feira havia um número muito grande de peixes próximos à superfície, mas mesmo parecendo debilitados, a maioria deles acabou sobrevivendo. “O técnico da Cetesb tentou capturar alguns para análise, mas não conseguiu”, disse.
Até o momento, a Sema não emitiu nenhum comunicado recomendando cuidados com o consumo dos peixes da região. O lugar costuma ser muito frequentado por pescadores. “Teoricamente, os peixes não estavam doentes, senão muito mais deles teriam morrido. O que ficou evidente era a falta de oxigênio na água”, explicou Borges.
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