Tatuí repetiu em julho o desempenho negativo na geração de novos postos de trabalho. Segundo informações divulgadas mensalmente pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), no sétimo mês do ano, foram registrados 1.268 desligamentos de empregos formais (com carteira assinada), contra 1.176 admissões. A diferença, de 92 vagas, representa uma queda de - 0,34% do total registrado na cidade, que já registrou baixas em maio (- 0,61%) e em junho (- 0,38%).
Os três meses com saldo negativo interromperam um período de crescimento do número de novos empregos, em fevereiro (0,5%), março (0,53%) e abril (0,83%). Abril é o mês que, até o momento, apresentou o melhor desempenho do ano, registrando 1.294 admissões e 1.072 desligamentos. No entanto, em maio, houve a maior queda registrada em 2011: com saldo negativo de 164 (1.172 admissões e 1.336 desligamentos).No ano, o município acumula leve alta no número de empregos. Foram 8.844 admissões e 8.816 desligamentos, saldo de 28 vagas em sete meses. Na média, o número fica abaixo da meta mensal de criação de novos postos de trabalho estipulada pela Sert (Secretária de Emprego e Relações de Trabalho) para Tatuí, fixada em 108 vagas. Já os índices acumulados dos últimos 12 meses (de julho de 2010 a julho de 2011) mostram a abertura de 15.443 novos empregos e 14.801 baixas. O saldo, 642, representa média mensal de 53,5 vagas criadas.
Na comparação com outros municípios paulistas, em julho, Tatuí ocupou a 328ª posição. A listagem do Caged considera as 350 cidades do Estado que possuem população superior a 10 mil habitantes. A classificação, distante a apenas 21 posições do município de Sertãozinho, o último colocado, contrasta com os registros do mês de março, quando Tatuí ocupou a 88ª posição.
Entre os setores que registraram o maior número de demissões no mês, estão a indústria de transformação (301 admissões e 329 desligamentos), o comércio (279 – 323), o setor de serviços (367 – 411) e a administração pública (2 – 44). Na construção civil, houve cem novos empregos gerados e 84 demissões. Na agropecuária, foram 114 admissões e 76 baixas.
Para o secretário municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social, Luiz Antônio Voss Campos, uma das principais causas para o desempenho negativo da cidade está relacionada ao comportamento dos próprios trabalhadores. Segundo ele, o PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) tem registrado constante troca de emprego por parte dos tatuianos.
Conforme o secretário, este tipo de atitude é mais comum entre os trabalhadores jovens, que tendem a deixar o emprego mais facilmente quando não estão satisfeitos. “Isso não acontece com as pessoas mais idosas, ou com as mulheres”, analisou. O resultado do chamado efeito “pula-pula” (em alusão à troca constante de emprego) seria o responsável por baixar os números do mercado de trabalho.
Voss afirma que é possível identificar o princípio do efeito “pula-pula” quando o candidato vai ao PAT à procura de um emprego. “Alguns estão na ânsia de conseguir um emprego e, na hora de responder às perguntas para o cadastro, dizem que estão dispostos a fazer qualquer trabalho”.
Desta forma, uma pessoa pode ser encaminhada a um posto de trabalho incompatível com as suas pretensões e potencialidades. “O funcionário trabalha descontente, não rende, e acaba saindo”, completou o secretário.
A possibilidade de receber o seguro desemprego seria outro fator que motiva os funcionários a dar baixa no emprego depois do tempo mínimo exigido. Além de acentuar o problema do desemprego na cidade, esta dinâmica também estaria causando dificuldades às empresas para manter a linha de produção ativa. Por isto, algumas delas, principalmente aquelas com maior porte, estariam começando a investir mais na permanência dos funcionários.
Entretanto, para Rubens Arca, diretor do PAT, uma medida que começou a ser implantada pelo MTE há duas semanas deverá trazer resultados positivos para o mercado de trabalho local. “São melhorias no programa Emprega São Paulo, para que o sistema seja mais eficiente. Mas tudo será feito de forma gradual, sem radicalizar”, explica Arca.
A principal mudança, segundo ele, é a padronização do modelo de currículo para os candidatos. O novo padrão, proposto para todo o Brasil, enfatiza as funções que o candidato realmente pode e pretende desempenhar.
Nos currículos do modelo antigo, estas informações não eram exigidas. Muitas vezes, o empregador escolhia o funcionário baseado nos empregos que ele já teve. “Agora, o candidato terá que passar as funções que ele sabe executar, que ele quer executar, e isso ajudará o empregador a escolher o perfil mais adequado”, disse o diretor.
As mudanças propostas pelo governo federal estão sendo repassadas aos funcionários encarregados do PAT de cada município. No fim do mês de agosto, a supervisora Marilene Nunes de Oliveira, do posto de Tatuí, participou do curso intensivo de uma semana realizado na região. De acordo com ela, o cadastro dos candidatos também sofrerá alterações, mas isso ainda não começou a ser feito.
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