quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tatuiano é premiado em CBT por estudo sobre entorpecente

Rafael Lanaro identificou Levamisol em cocaína apreendida 


O tatuiano Rafael Lanaro recebeu, no final do mês passado, o prêmio de melhor apresentação de pesquisa na área de toxicologia social e forense. O reconhecimento ocorreu durante o Congresso Brasileiro de Toxicologia, no qual o pesquisador apresentou resultados de seu estudo a respeito de uso do medicamento chamado Levamisol para potencializar o volume e os efeitos de drogas.
O medicamento, utilizado no tratamento de artrite, câncer, leucemia e hanseníase, vem sendo utilizado no preparo de entorpecentes. O estudo do tatuiano, pesquisador da Unicamp (Universidade de Campinas), mostra que a substância serve “para aumentar o volume de droga, baratear o custo e potencializar os seus efeitos”. Lanaro encontrou Levamisol misturado às porções de mais de mil porções de cocaína apreendidas entre janeiro e maio deste ano em quatro cidades.
As amostras foram cedidas pelos ICs (Institutos de Criminalísticas), de Campinas e São Paulo, ao CCI (Centro de Controle de Intoxicações), da Unicamp, da qual o tatuiano faz parte. Lanaro, que é farmacêutico, explicou que 10% delas estavam contaminadas com o Levamisol. No Brasil, o medicamento é usado em tratamentos terapêuticos em uma dosagem única de 150 miligramas.
O estudo é o primeiro a indicar a presença do Levamisol em drogas apreendidas na macrorregião de Campinas. No Brasil, a mistura do medicamento havia sido identificada apenas pela Polícia Federal, em apreensões de drogas realizadas nos aeroportos internacionais.
No estudo, o farmacêutico explicou que há diversas hipóteses para a adição do Levamisol à cocaína. Uma delas, pelo medicamento ser um pó barato e cristalino, o que garantiria à droga uma aparência de “mais pureza”; a outra, por ser estimulante, ele aumentaria o efeito da dopamina no sistema nervoso central.
As análises de Lanaro mostraram que cada grama de cocaína apresentava entre 6% a 8% de Levamisol em sua composição. A quantidade equivale a até 80 miligramas. “Um viciado que usa, em média, de cinco a seis cápsulas de cocaína por dia, estará ingerindo uma quantidade bem maior de Levamisol do que a dosagem permitida”, declarou ele, ao portal da Unicamp.
O Levamisol é encontrado no Brasil a preços que variam entre R$ 2 e R$ 3 e é utilizado também por veterinários. Nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o medicamento tem venda proibida. “A sua ingestão em quantidades maiores pode levar, em poucas semanas, à obstrução dos vasos sanguíneos, necrose e até a uma possível amputação de um membro”, informou o tatuiano.
Ainda segundo o pesquisador, por conta da adição do Levamisol os sintomas do usuário da droga podem mudar, incluindo manchas escuras pelo rosto, mãos e pés. O próximo passo da pesquisa é monitorar os pacientes viciados em cocaína que chegam ao HC (Hospital das Clínicas), da Unicamp, para identificar se eles apresentam algum efeito causado pelo medicamento.

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