sábado, 23 de julho de 2011

Índices de criminalidade atingem a escala verde no segundo trimestre


Os índices de criminalidade em Tatuí atingiram a escala “verde” no estudo de evolução das ocorrências elaborado pela Delegacia Seccional de Itapetininga e divulgado pelo delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, nesta semana.
O levantamento aponta que o município teve redução em quatro dos cinco “principais tipos de crimes” (homicídio, furto, roubo, furto de veículo e roubo de veículo) no segundo trimestre deste ano em comparação ao primeiro.
As estatísticas apontaram, ainda, que houve reduções no comparativo do segundo semestre de 2011 com o primeiro.
O desempenho de Tatuí é o melhor da seccional, que abrange, também, Itapetininga, Alambari, Angatuba, Boituva, Campina do Monte Alegre, Capela do Alto, Cerquilho, Cesário Lange, Guareí, Quadra, São Miguel Arcanjo e Sarapuí.
Na análise trimestral, o município registrou queda de 100% nos casos de homicídio. Nos meses de janeiro, fevereiro e março, houve um registro de assassinato. Já em abril, maio e junho, não houve nenhum. Os furtos diminuíram 20,08%, passando de 244 no primeiro trimestre para 195, no segundo. Os roubos despencaram 37,21%, passando de 43 para 27, no mesmo período. Os furtos de veículo caíram de 35, para 28, uma redução de 20%. Já os roubos de veículos mantiveram-se no mesmo patamar, com um total de sete casos registrados no primeiro e no segundo trimestre.
No comparativo semestral, Tatuí registrou queda de 80% nos casos de homicídio, sendo cinco ocorridos entre janeiro e junho do ano passado e um no mesmo período deste ano. Os furtos passaram de 582 para 439, redução de 24,57%. Os roubos tiveram redução de 42,15%, com 121 registros nos seis primeiros meses de 2010 e 70 no mesmo período de 2011. Os furtos de veículos caíram 16%, passando de 75 para 63 no mesmo período; e os roubos de veículo tiveram redução de 30%, com a queda de 20 casos, em 2010, para 14, neste ano.
O estudo de evolução das ocorrências é preparado pela CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento), que institui metas a serem cumpridas pelas polícias (Civil e Militar) e aponta o desempenho dos municípios. Em nenhum dos tipos de crimes Tatuí superou ou atingiu o estimado. A meta local – a não ser ultrapassada - para homicídio era de 3 casos no trimestre; furto, 292; roubo, 49; furto de veículo, 34; e roubo de veículo, 15.
O estudo possui três escalas de cores, sendo que a verde indica que os números registrados nos cinco tipos de ocorrências foram iguais ou inferiores à meta; o amarelo indica que o número de ocorrências foi maior que a meta, mas menor ou igual ao período anterior; e a vermelha indica que o total de ocorrências no período foi maior que a meta e que o período anterior.
Os índices de Tatuí, discutidos em reunião de delegados na semana passada, são considerados por Andreucci como históricos. “Gostaria de levar em consideração, em relação a homicídio, que estamos vindo de uma queda constante. Saímos de 36 casos, em 2003, para 1 até o momento”, iniciou. “Entendo que não é cabível um homicídio, mas, de qualquer maneira, estamos caminhando bem”, adicionou.
O levantamento demonstra que Tatuí está, conforme Andreucci, bem melhor do que Itapetininga, cidade que abriga os comandos da Polícia Militar e Civil. “No segundo trimestre do ano, Itapetininga teve três homicídios e Tatuí, nenhum. Nós tivemos a maior queda de todas as cidades da seccional”, comentou. O último homicídio registrado em Tatuí neste ano ocorreu no dia 26 de fevereiro. “A queda é absurda”, argumentou o delegado.
Andreucci atribuiu a queda a outro índice: o de esclarecimento. Segundo ele, em 2009, dos 13 homicídios registrados, 12 foram solucionados. No ano passado, dos 11, todos tiveram os autores identificados. “Praticamente, estamos há três anos com 100% de esclarecimento de homicídios”, afirmou. Ainda assim, o delegado classifica o desempenho como atípico. “Até em se tratando de diminuição de crime, esta é uma situação inédita”, comentou.
De acordo com ele, uma das razões que está contribuindo para a queda dos crimes, que teriam ligação direta com o tráfico de drogas, é que o esclarecimento desestimula a prática de delitos. “Não podemos nos esquecer da belíssima atuação da Guarda Civil Municipal, da própria atuação da Polícia Militar, que usa estatísticas para fazer rondas e inteligência policial para as operações, e o apoio gigantesco da Prefeitura”, disse. O Executivo cede praticamente metade dos funcionários que atuam nas delegacias de Tatuí.
Por meio desse apoio, a PC vem registrando mais números positivos. Só nos seis primeiros meses deste ano, já foram recuperados 21 veículos entre roubados e furtados. Os veículos foram localizados pela GCM e PM.
“Em outra frente, a PC, além da sua obrigação diária, vem investigando casos de repercussão nacional, como o duplo latrocínio ocorrido no Enxovia, que foi esclarecido e teve os autores presos; as apreensões de produtos de alisamento da Adlux; e a suposta fraude no Hospital Regional”, disse Andreucci.
Apesar dos dados, o delegado entende que a população possa sentir-se insegura. “A sensação de segurança é relativa. Além disso, os crimes continuam a ocorrer, e crimes graves. Na semana passada mesmo, tivemos quatro roubos, mas providências estão sendo tomadas”, argumentou. Andreucci também disse que não vê a possibilidade de os números ficarem mais baixos do que estão – pelo menos não no que se refere a homicídio. “A possibilidade de zerar o crime numa cidade do tamanho de Tatuí é praticamente zero, mas os índices caíram, e isso é bom”, afirmou.
O combate ao tráfico de drogas tem sido, na avaliação de Andreucci, a principal arma das polícias na redução da criminalidade. Segundo ele, os crimes ocorridos no centro, na semana passada, demonstram desespero por parte dos criminosos, em sua maioria, viciados. “Prova disso é a tentativa de latrocínio que esclarecemos (reportagem nesta edição). O que o acusado fez, de atirar no professor de educação física que colaborou e já estava ferido, não tem explicação. Não existe a possibilidade de um ser humano fazer isso para o outro a não ser que estivesse drogado. É um ato totalmente inconsciente”.
A ação das forças policiais, no entanto, é classificada como paliativa. “É um trabalho de enxugar gelo. O problema maior é o usuário. Só existe o traficante onde existe usuário”, afirmou. Neste contexto, o usuário, segundo o delegado, pode vir a tornar-se um criminoso em potencial, uma vez que corre o risco de furtar, ou roubar para sustentar o vício. “Vemos isso especialmente em relação às drogas mais pesadas, como o crack”, concluiu.

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