A estação de tratamento de água de Tatuí está passando por intervenção. Situada na sede administrativa da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), ela terá a capacidade de tratamento de água aumentada em 33,5%, passando de 450 litros por segundo para 600.
A previsão é do gerente de divisão da empresa, o engenheiro Adriano José Branco, que anunciou a realização da obra (já em andamento) nesta semana. Conforme ele, a companhia está investindo R$ 750 mil para a instalação de módulos nos dois tanques de decantação da estação de tratamento.
O primeiro tanque teve a intervenção concluída na semana passada. O segundo começou a ser preparado para receber os módulos nesta semana. “Essa intervenção que estamos fazendo vai permitir que nós consigamos tratar até 600 litros por segundo”, comentou Branco.
A água bruta tratada vem das estações de captação que a Sabesp mantém nos rios Sarapuí e Tatuí e segue por adutoras que a conduzem até a ETA. A estação fica na sede administrativa da companhia, à rua 15 de Novembro, 2.431.
Conforme o gerente divisional, a intervenção deve exigir “prováveis adequações” em outras unidades que integram o processo de tratamento da água, como a de floculação (no qual as partículas finas de areia, argila e matérias orgânicas presentes em suspensão na água se agregam e formam flocos) e filtração.
As intervenções nos dois tanques de decantação, porém, representam o principal investimento para o acompanhamento do crescimento do município. “Este é, talvez, o investimento mais pesado que a Sabesp está fazendo para atender à demanda da municipalidade, que é o poder concedente”, disse o gerente. Segundo ele, para aumentar a capacidade, a companhia está aplicando o que “há de mais moderno em termos de tratamento de água”.
Branco explicou que a modulação da decantação permite tratar mais água num mesmo espaço físico. “Essa técnica permite que, na mesma estrutura civil, se consiga, hidraulicamente, ter melhor funcionamento e melhor eficiência da instalação existente. É uma tecnologia que não é barata”, comentou.
Os tanques atuais têm, aproximadamente, 40 metros de comprimento por 15 metros de largura e 7 metros de profundidade. Nenhum deles teve o tamanho aumentado ou reduzido. Ambos receberam módulos, fabricados com polietileno, que aceleram o processo de decantação (sedimentação de impurezas que estão presentes na água nos fundos dos tanques). Os módulos são instalados em um ângulo que aumenta o trajeto da água até a unidade de desinfecção e tratamento por cloro e flúor, permitindo acelerar a sedimentação.
“Essa intervenção está custando em torno de R$ 750 mil, mas é importante para que a Sabesp continue a ter tranquilidade no sistema de abastecimento em termos de produção de água”, afirmou Branco. O objetivo do investimento é garantir que a companhia tenha condições de atender às futuras demandas que possam vir a surgir, como indústrias e empreendimentos imobiliários.
A ampliação da capacidade de tratamento seria suficiente para abastecer a cidade e mais da metade dela, sem contar os bairros rurais, como o distrito de Americana e o Congonhal, que possuem sistemas de produção de água independentes.
As intervenções, porém, não representam aumento no abastecimento. “Isso não quer dizer que vamos produzir toda essa água. Quer dizer que vamos ter capacidade para ir, ao longo do tempo, acompanhando esse crescimento da cidade”, ponderou o gerente da Sabesp no município.
A modulação da decantação acelera o processo de sedimentação de areia e argila e outras impurezas presentes na água bruta. No processo antigo – que está sendo substituído –, a água tinha de passar pelos tanques numa velocidade mais lenta, para permitir que as impurezas descessem para o fundo (de maneira natural).
Por conta disto, o tratamento levava mais tempo para acontecer, uma vez que a velocidade de passagem da água tinha de ser reduzida para que a partícula de impureza pudesse ficar sedimentada. Com os módulos de polietileno, a velocidade de passagem da água pode ser aumentada, uma vez que ela percorre as estruturas tubulares de maneira a acelerar o depósito das partículas. Daí, o aumento da capacidade de tratamento por segundo.
“O funcionamento é muito técnico, mas, basicamente, ele consiste em aumentar o trajeto da água para que a partícula fique cada vez mais pesada e venha a se sedimentar mais rápido”, descreveu Branco.
A água que passa pelos tanques de decantação da ETA da Sabesp recebe pré-tratamento, pelo qual são feitos os controles de vazão e o processo de floculação. Na sequência, a água segue para os filtros, nos quais se faz a retirada final de todas as partículas, e vai para reservatórios para ser distribuída à população.
A intervenção dura, em média, uma semana. “É um processo rápido. Até porque ele tem de ser. Temos de providenciar essa obra rapidamente porque a cidade não pode parar de receber água por uma semana”, disse o gerente divisional.
Conforme ele, para garantir o abastecimento da população, a companhia optou por fazer as obras em separado (um tanque depois do outro). “A população não pode se sentir prejudicada”, completou Branco.
De acordo com o gerente divisional, a obra dá sequência aos investimentos anunciados pela Sabesp no início do ano. Na oportunidade, a companhia havia divulgado que gastaria, aproximadamente, R$ 6,8 milhões em Tatuí nos próximos meses.
O montante é parte dos recursos previstos no contrato de prestação de serviços firmado entre a empresa e a Prefeitura em maio de 2010. O convênio de cooperação autorizou a Sabesp a renovar o contrato de concessão pelo período de 30 anos e estabeleceu R$ 122,9 milhões em investimentos.
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