domingo, 27 de maio de 2012

Mutirão no Tanquinho detecta três crianças abaixo e 18 acima do peso


Na segunda edição do “Mutirão Antropométrico”, realizado no sábado passado, 19, a meta do Banco de Alimentos “Zacharias Nunes Rolim” era verificar o peso e altura de aproximadamente 300 crianças, ou seja, esperava-se aumento de 50% em relação à etapa anterior, realizada em março.
O número, contudo, ficou abaixo do esperado, com 89 atendimentos. Entretanto, destes apenas três apresentaram quadro de desnutrição, percentual muito inferior ao registrado na primeira edição, quando houve 22 casos identificados.
A segunda edição do mutirão aconteceu na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Alan Alves de Araújo”, no bairro Tanquinho, e envolveu, também, moradores dos bairros Novo Horizonte e Jardim Gramado. A edição de março havia sido realizada na base comunitária da GCM (Guarda Civil Municipal) do Jardim Santa Rita de Cássia.
A segunda edição do mutirão repetiu a fórmula de atendimento da primeira. Depois de terem o peso e altura verificados, os acompanhantes das 89 crianças de zero a quatro anos foram encaminhados para a análise dos resultados. Por meio de um gráfico elaborado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a equipe do banco ilustrou a situação alimentar de cada criança.
A partir da análise dos resultados no gráfico, a equipe do mutirão concluiu que, das 89 crianças medidas, 3 apresentaram quadro de desnutrição e 18 estavam com peso acima do recomendado pela OMS. Ainda foram registradas 11 crianças em “situação de risco”.
De acordo com a diretora Heloísa Saliba e Borges, a partir dos resultados obtidos no mutirão, a equipe do banco de alimentos promoverá ações de auxílio. As famílias das 18 crianças com sobrepeso receberão orientações coletivas sobre educação alimentar. “O sobrepeso na infância preocupa, e isto precisa ser orientado. Neste caso, geralmente, a origem do problema não está na falta de alimentos, e sim no uso inadequado deles”, disse Heloísa.
Já as crianças que apresentaram quadro de desnutrição participarão de acompanhamento intensificado. Isto porque, além das orientações, em caso de necessidade, as famílias passarão a receber porções diárias de alimentos especialmente selecionados para o combate à desnutrição. “Há um acompanhamento, que é feito até a criança sair da desnutrição e normalizar, o que nós chamamos de ‘faixa de segurança’”, afirmou a diretora.
Os alimentos selecionados pelos nutricionistas do banco para combater a desnutrição são: aveia, leite, Sustagem e fumarato ferroso. Por meio de um programa de apadrinhamento, o banco já oferece porções diárias destes alimentos a 22 crianças do Jardim Santa Rita. Elas tiveram o quadro de desnutrição detectado no mutirão de março.
Conforme o programa, o padrinho repassa os alimentos ao banco, e lá eles são dosados e encaminhados às famílias assistidas por um período de três meses. De acordo com a diretora, por conta do alto preço destes produtos, a instituição buscará novos padrinhos para acompanhar as três crianças com desnutrição detectada no mutirão do Tanquinho.
O banco de alimentos deve manter a procura por padrinhos, já pensando nas próximas edições do mutirão, previstas para o bairro Rosa Garcia 2, em julho, e para a vila Angélica, em setembro. Na avaliação da diretora, a desnutrição é um problema que ainda persiste no município, e os próximos mutirões poderão detectar novos casos.
“Nós não temos mais aquela desnutrição denominada ‘clássica’, que é a mais grave. São pouquíssimos casos. O que a gente percebe são crianças abaixo do peso em situação que preocupam, porque elas perdem a resistência e podem se tornar desnutridas graves”, disse Heloísa.
De acordo com ela, a desnutrição, mesmo sendo leve, representa uma “porta de entrada” para problemas de saúde mais graves, como doenças e infecções. “Quanto mais precoce for a desnutrição, mais danos pode causar”, acrescentou.
Para o mutirão do bairro Tanquinho, o banco de alimentos planejou algumas ações visando ampliar o evento. Cerca de 50 pessoas, entre colaboradores do banco e voluntários, foram escaladas para trabalhar. Além de medir o peso e a altura das crianças, os participantes puderam fazer testes de glicemia capilar, para a detecção de diabetes, e aferir a pressão arterial.
Os participantes também tiveram a oportunidade de assistir palestras relacionadas a temas da área de saúde. As apresentações contaram com a colaboração de funcionários da UBS do bairro e aconteceram a cada duas horas. Entre os temas abordados, estiveram “saúde da mulher”, “doenças sexualmente transmissíveis”, “hipertensão e diabetes” e “alimentação saudável”.
Heloísa considerou o número de participantes abaixo do esperado, e disse que ficou preocupada com a constatação. Segundo a diretora, haverá uma investigação para detectar as causas do número reduzido de participantes. Entretanto, na avaliação dela, a pesquisa ficará restrita às informações da UBS do bairro.
“As famílias que possuem problemas alimentares e que faltaram ao mutirão, ou já estão sendo atendidas pelo banco de alimentos - e não é necessário descobri-las novamente -, ou são aquelas que irão procurar a UBS futuramente em função destes problemas”, explicou.
                                                                                                    oprogressodetatui.com.br

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