O título de “Casa do Cururu do Estado de São Paulo”, recebido pelo Conservatório de Tatuí durante a quarta edição do Torneio Estadual de Cururu, de 9 a 11 de novembro, poderá materializar-se em projeto inédito: a construção de um centro cultural voltado às tradições populares, que passa a ser um dos objetivos da instituição para os próximos anos.
O projeto foi anunciado pelo diretor executivo do Conservatório, Henrique Autran Dourado. Ao final do Torneio de Cururu, ele informou que planeja instalar em Tatuí uma entidade cultural nos moldes do Centro “Max Feffer”, da cidade de Pardinho.
Segundo o diretor, o Torneio de Cururu em Tatuí proporcionou “ganhos fabulosos” à cidade e, sobretudo, aos alunos do Conservatório. “Neste caso, não interessa ganhar. Interessa a parte boa da competição, que é a troca de informações, o espetáculo. Competir pelo prêmio é o de menos”, comentou.
No entanto, Dourado afirmou que ainda existem alguns obstáculos para a difusão do cururu entre as novas gerações. “Ainda falta muito para conseguir criar uma integração e fazer com que os alunos do Conservatório venham aprender com os mestres do cururu”.
O pátio do Conservatório (antiga quadrinha municipal) é o espaço considerado ideal para receber o novo empreendimento cultural. A escolha – ainda preliminar – tem por base o fato de que, neste ano, a área abrigou o Torneio de Cururu pela primeira vez, o que resultou em avaliação positiva pelos organizadores.
“A apresentação de cururu é um momento de convívio social. Então, tem que haver esse ambiente de quermesse, com acesso a alimentação e bebidas. O resultado da edição deste ano foi melhor que o esperado, porque o torneio conseguiu atrair o público e promover o contato do cururu não só com as pessoas mais antigas, mas também com as novas gerações”, avaliou Jaime Pinheiro, coordenador do evento.
O projeto de Dourado consiste em aproveitar a avaliação positiva que o espaço recebeu durante o torneio deste ano. “De preferência, quebraremos os muros que cercam o pátio e colocaremos grades, para que todo mundo possa ver que, aqui em Tatuí, existe um centro de cultura popular, ou seja, toda a cultura do interior do Estado, que precisa ser preservada”, argumentou.
Concebida durante o Torneio de Cururu, a ideia do centro cultural ainda tem muitos pontos indefinidos. “Por enquanto, está só na minha cabeça”, comentou o diretor do Conservatório. Entretanto, ele já planejou diretrizes a respeito das futuras atividades no local.
Elas consistem em proporcionar oportunidade para que os cururueiros ensinem sua arte sem qualquer tipo de interferência. “A gente tem que dar o espaço, dar as condições, e eles vão continuar o trabalho deles”, adiantou.
“Na cultura popular, não se mexe. Toda vez que se mexeu, deu porcaria. Então, a única coisa que a gente não pode fazer é botar o dedo”, afirmou Dourado.
Mesmo vinculado ao Conservatório, o futuro centro cultural deverá ter atividades com didática diferenciada, seguindo modelo de preferência dos praticantes do cururu.
“Queremos que eles incutam nos alunos a vontade de fazer a cultura popular, como cururu, catira e seresta. Não haverá partituras nem teorias. As aulas serão daquele tipo de pai para filho”, acrescentou o diretor.
Além do modelo didático, Dourado já “adotou” o modelo estrutural do Centro “Max Feffer” como referência para o projeto tatuiano.
Além do foco cultural, o espaço conta com recursos ecológicos, como reaproveitamento de água da chuva e sistema de captação de energia solar.
O diretor contou que conheceu o espaço durante uma competição de cururu sediada em Pardinho. “É umas das coisas mais lindas que eu já vi. Na hora, eu até fiquei assustado e me perguntei se eu não estava na Suíça”, comentou.
Neste sentido, a quarta edição do Torneio de Cururu também serviu para aproximar as pessoas que podem viabilizar o novo centro cultural em Tatuí.
Um dos competidores, João Batista Pinto, assumirá a Secretaria Municipal da Cultura de Pardinho em 2013. É em parceria com ele que o diretor do Conservatório pretende iniciar as tratativas para viabilizar o investimento.
Max Feffer foi secretário de Estado da Cultura e Dourado conheceu-o pessoalmente, por intermédio do maestro Eleazar de Carvalho, do qual ambos eram amigos.
O futuro secretário da Cultura de Pardinho afirmou que pretende promover encontro entre o diretor do Conservatório e Beth Feffer, viúva de Max e uma das financiadoras do centro em homenagem a ele. “Vamos fazer um mutirão, e eu tenho certeza que daí sairá o nosso projeto”, disse Dourado.
Durante a participação no Torneio de Cururu, no qual obteve a terceira colocação, Pinto apresentou detalhes a respeito do Centro “Max Feffer”.
“É um obra muito linda, feita toda de bambu”. De acordo com ele, no mundo, existe apenas um centro com características semelhantes, na China.
O espaço construído em Pardinho tem 1.400 metros quadrados, distribuídos em dois pavimentos. Possui auditório para 400 pessoas, além de biblioteca e salas para atividades culturais, como curso de viola caipira, aulas de informática e dança. Aos finais de semana, o centro é aberto para eventos culturais.
“Hoje, sem dúvida nenhuma, o Centro ‘Max Feffer’ é o patrimônio mais importante que temos na cidade de Pardinho”, avaliou o futuro secretário.
Conforme o planejamento prévio do diretor do Conservatório, o centro cultural de Tatuí adotará o modelo de sustentabilidade utilizado em Pardinho.
Mesmo estando vinculado ao Conservatório, depois de construído, o espaço também deverá ser disponibilizado a outros setores da cultura popular.
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