Na segunda-feira, 22, e na terça-feira, 23, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) promoveu a terceira edição de curso de podadores. A capacitação dos 40 inscritos fez parte da “Quinzena de Educação Ambiental” e teve por objetivo melhorar a qualidade dos serviços prestados na cidade.
Composto por 16 horas, o curso misturou conhecimentos teóricos e práticos. Na segunda-feira, os alunos assistiram a aulas no auditório do Colégio Objetivo.
“Abordamos fisiologia e biologia da árvore, um pouco de legislação ambiental, tipos e técnicas de corte e um pouco sobre arborização urbana”, enumerou a engenheira florestal Marceli Fernandes Lazari, responsável pelo curso.
Já no segundo dia, os alunos foram até a rua e aplicaram os conhecimentos teóricos. Eles participaram de podas nas ruas próximas ao endereço da Sema, na rua Coronel Aureliano de Camargo, 943, no centro.
Antes da prática, assistiram a uma palestra sobre normas de segurança e riscos de acidentes associados à atividade de poda.
Marceli, que é diretora do Departamento de Áreas Verdes da Sema, explicou que idealizou o curso quando trabalhava em empresa de consultoria. Na época, a firma prestava serviços a uma concessionária de energia elétrica da cidade de São Paulo.
“Montamos este curso para os colaboradores da empresa de energia, que muitas vezes precisavam fazer podas de árvores próximas à rede elétrica”. De acordo com ela, existe carência de cursos na área e as opções existentes são pouco acessíveis devido aos custos elevados.
Por conta das poucas opções, a Sema registrou alta procura nas três edições do curso. “As pessoas procuram participar quando veem uma oportunidade como esta”, comentou a engenheira.
O curso é aberto a pessoas de municípios da região, como Cerquilho, Boituva, Iperó e Piedade. Esta última, a cidade do aluno Luis Carlos Duarte, 28. Ele trabalha em uma empresa que presta serviços de poda e supressão de árvores para a Elektro.
“Faz oito anos que eu trabalho como operador de motosserra, e em curso como esse a gente aprende muitas novidades, porque, com o tempo, as coisas vão mudando, e tem que ter conhecimento”, comentou Duarte.
Ele foi sorteado entre os 40 alunos inscritos e ganhou uma máquina de poda elétrica, doada pela empresa MM Still, apoiadora da Sema no curso. “Vou poder usar nas árvores da minha chácara. Antes, eu podava tudo manualmente, com a tesoura”, disse ele.
De acordo com Marceli, as duas edições anteriores do curso já produziram “resultados visíveis” na cidade. “A gente tem visto que mudou a qualidade da poda, tanto dos colaboradores da Prefeitura como dos demais profissionais que trabalham nesta área”.
O resultado, segundo ela, é uma mudança gradativa no aspecto estético da cidade e, por consequência, melhora na qualidade de vida da população. “Uma poda bem feita gera repercussão pública positiva, porque as pessoas sabem quando uma árvore está bem ou mal podada”, explicou.
A responsável pelo curso contabiliza, ainda, benefícios no fornecimento de energia elétrica, já que podas realizadas corretamente reduzem os riscos de acidentes envolvendo galhos de árvores e a fiação da rede. Da mesma forma, Marceli ressalta a prevenção de riscos aos pedestres. “Uma árvore bem podada é uma árvore segura”.
A formação de profissionais podadores também é vista como forma de reduzir o número de irregularidades ambientais. Conforme a engenheira, no município, qualquer poda ou supressão de árvore exige autorização formal da Sema. A não obediência à legislação pode implicar em multas e apreensão de equipamentos.
“Causar lesão ou danos em plantas é crime ambiental. Às vezes, o podador tem boa intenção, mas ele está errando ao escolher a ferramenta, a técnica errada ou a época do ano. Então, esse curso é para evitar que as pessoas cometam crimes ambientais”.
Nas áreas públicas, o trabalho de poda e supressão é feito pelos profissionais da própria Prefeitura. Já nos imóveis particulares, cabe ao proprietário providenciar o corte ou a poda depois de receber o documento de autorização.
Conforme Marceli, na maioria dos casos, os proprietários contratam empresas especializadas ou profissionais autônomos para o trabalho.
“São estas pessoas que fazem o curso, passando a ter capacitação e maior conhecimento para poder executar poda e supressão de árvores com segurança e conforme todas as normas”.
Marceli explicou que todos os pedidos de autorização para poda ou retirada de árvores são acompanhados de visitas de técnicos da Sema, que aproveitam para orientar os proprietários.
Segundo ela, em 2011 e 2012, já houve mais de mil vistorias. “Muitas vezes, a pessoa acha que precisa tirar a árvore, mas uma poda resolve”.
A expectativa da pasta municipal, ao capacitar podadores, é intensificar o trabalho de orientação aos proprietários por meio dos próprios prestadores de serviços. A diretora revelou que alguns alunos matriculados no curso deste ano já haviam recebido multas por infrações ambientais.
“Eles eram contratados para prestar serviços que infringiam a legislação ambiental e, a partir de agora, passam a ser nossos parceiros. Se a pessoa quiser cortar uma árvore, eles orientarão a, primeiro, entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente”, disse Marceli.
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