O Ceeteps (Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”), semana passada, deu mais um passo para a conclusão do campus da Fatec (Faculdade de Tecnologia) “Professor Wilson Roberto Ribeiro de Camargo” de Tatuí.
O órgão vinculado ao governo do Estado de São Paulo publicou dia 13, no DOE (“Diário Oficial do Estado”), a homologação da empresa vencedora do certame para as obras de adequações dos blocos I e II (este último, como complementação) e para a construção do estúdio de produção fonográfica destinado a atender ao curso de mesmo nome.
As obras ficarão a cargo da Damo Engenharia e Construções Ltda., da cidade de Sorocaba, que tem até amanhã, quinta-feira, 21, para assinar o contrato referente às construções. Além das adequações, o certame prevê a construção de uma nova portaria e uma passarela, a qual interligará os dois prédios.
As novidades foram divulgadas nesta semana pelo diretor da faculdade, professor-doutor Mauro Tomazela. O custo total está orçado em R$ 5.763.014,30, menor valor apresentado pela vencedora da licitação.
Conforme Tomazela, o projeto prevê reforma do prédio (bloco) I – que abrigava a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Eunice Pereira de Camargo” –, construção de novas salas de aula no mesmo espaço e um estúdio de produção fonográfica. “Estamos chamando isso de fase 2”, disse o diretor.
A Fatec deu início à fase 1 com a adequação do prédio (bloco) II, onde atualmente funciona. O espaço recebeu ampliações, novos equipamentos e anfiteatros. A reforma terminou em 2010, ano em que a faculdade havia sido transferida temporariamente da rodovia Mário Batista Mori, 971, para a rua Professor Oracy Gomes, 665 (junto à Asseta – Associação de Ensino Tatuiense).
As adequações fazem parte de projeto apresentado pela diretoria da unidade tatuiana e elaborado com a colaboração de professores e funcionários da Prefeitura, a partir da cessão do complexo.
O Executivo havia adquirido a área pertencente a uma empresa desativada e cedido o terreno ao Estado, para a implantação da Fatec. Na ocasião da inauguração da unidade, a diretoria local apresentou ao então governador (e atual) Geraldo Alckmin o que chamou de “plano diretor da escola”.
O trabalho contemplou todas as adequações que precisariam ser feitas no imóvel. “Então, a fase 1 foi esse prédio onde estamos funcionando atualmente. A fase 2 é essa que vai começar a partir da assinatura do contrato entre a empresa e o Ceeteps”, citou Tomazela. Segundo ele, o “plano diretor” inclui ainda uma “fase 3”, para a conclusão do campus da Fatec tatuiana.
Segundo o diretor, as adequações serão realizadas em dois terços do prédio. O outro um terço ficará para a terceira e última fase, a ser trabalhada (com apresentação de projeto para cessão de recursos) após a conclusão da fase atual.
O imóvel terá todo o telhado e a parte interna reestruturados. Também ganhará quatro novas salas de aula, que se somarão às outras oito, totalizando 12 salas, além do estúdio de gravação e edição para o curso de produção fonográfica. “Na realidade, é uma adequação, mas nós chamamos de construção mesmo, porque muita coisa será feita, como aconteceu no prédio I”, disse.
Após a conclusão das obras – que devem demorar praticamente um ano –, os planos da diretoria são de ocupar parte das novas dependências. “Vamos colocar um setor administrativo lá, e a diretoria”, disse o professor-doutor.
O prédio atualmente utilizado pela instituição não terá estrutura alterada, salvo a transferência de alguns departamentos administrativos. “As disposições continuam as mesmas, só faremos alguns acertos da obra passada”, adicionou Tomazela.
De acordo com ele, as mudanças incluem a troca de pisos e implantação de forro para acabar com “desconforto térmico” existente nas salas do primeiro andar. “Como não há forro, as salas aquecem muito. Então, uma vedação, feita por meio da adequação, vai melhorar isso, bem como diminuir o barulho quando há chuva”, explicou.
Banheiros e portas de salas do prédio I também serão revisados. “Vamos fazer as mudanças que detectamos ao longo dos meses e que achamos pertinentes”, comentou o diretor da unidade.
O trabalho de identificação das novas necessidades do primeiro prédio teve início logo com a transferência da faculdade das dependências da Asseta para o espaço atual. “Isso tudo foi apresentado ao setor de obras do Centro ‘Paula Souza’”, disse.
Segundo ele, as adequações são mínimas, uma vez que grande parte delas já havia sido feita pela empresa vencedora do contrato anterior. “Ela ficou aqui, fazendo as mudanças, até por força de contrato”.
Terminadas as correções, Tomazela e equipe – que já haviam feito um levantamento – aproveitaram os dados para inseri-los no projeto de reforma e construção de estúdio no prédio II. “Essas pequenas pendências foram incluídas a partir do primeiro semestre de 2011”, lembrou o diretor. O projeto, no entanto, foi iniciado na metade de 2010, com a saída da “Eunice Pereira de Camargo”, escola que atualmente tem prédio próprio no bairro Jardins de Tatuí.
Conforme Tomazela, o escopo da obra era a construção do estúdio de produção fonográfica. “Começamos a trabalhar no projeto justamente para contemplar o curso”, disse. O processo todo, porém, demorou em função dos trâmites necessários – particularmente da licitação – e, em parte, pela inexperiência da entidade tatuiana em realizar certame voltado à área musical.
“O grande problema quando se pensa em construir um estúdio de produção fonográfica é como construí-lo”, comentou Tomazela. Segundo ele, a entidade tatuiana buscou auxílio de especialistas para elaborar o esboço do projeto.
Num primeiro momento, o valor da obra surpreendeu. “De repente, só o estúdio ia ficar em R$ 8 milhões”, falou Tomazela. O valor é quase R$ 2,5 milhões a mais do que o total da licitação aberta pelo Ceeteps e que prevê adequações nos prédios I e II e a construção de uma nova portaria para o complexo.
De acordo com o diretor, o custo ficou excessivamente alto por conta de o projeto ter sido feito com base na tomada de preço de somente uma empresa. “Acontece que eu não posso contratar, pelo Estado, sem fazer licitação”, falou.
Por conta disso, a faculdade contratou, por meio de tomada de preço, uma empresa especializada para refazer o projeto. “Na hora em que colocamos esse projeto dentro da licitação, aí, sim, conseguimos reduzir bastante coisa”, disse Tomazela.
“Ainda assim, a maior parte dos recursos serão investidos no estúdio”, adicionou. O local terá paredes duplas com isolamento acústico. Segundo ele, até mesmo os vidros têm de ser especiais, para evitar vibrações. “O teto, o piso, tudo tem de ser à prova de ruídos”, falou.
A intenção é que o estúdio venha a servir tanto aos alunos do curso de produção fonográfica como à comunidade. O diretor projeta que o espaço possa ser utilizado por estudantes também do Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”. “Vai ser muito bom, porque os estudantes de lá poderão gravar aqui e tudo o mais”, destacou.
O estúdio deve - ainda que demore a funcionar, uma vez que a empresa vencedora do certame tem 360 dias para concluir todas as obras - atender à reivindicação dos alunos do curso de produção fonográfica. No mês passado, eles protagonizaram protestos na frente da instituição tatuiana.
Os estudantes reclamavam que, quase um ano após terem iniciado o curso, eles ainda não haviam tido acesso à parte prática (por meio de uso de equipamentos). “É muito pertinente a manifestação. Eu acho que eles têm que se manifestar mesmo, mas existe um ineditismo nesse curso”, argumentou Tomazela.
Segundo ele, muitos dos estudantes sabiam das dificuldades da entidade em obter sucesso na realização de licitações para a construção do espaço e para a aquisição de equipamentos de som. Mesmo assim, eles teriam protestado. “Há mais de um ano, nós os chamávamos aqui, para falar como estava cada processo”, falou.
De acordo com Tomazela, a Fatec enfrentou inúmeros percalços até conseguir “acertar a mão”. Por inexperiência da faculdade e das empresas que participaram dos certames (algumas delas nunca tinham participado de licitações, segundo Tomazela), uma dezena de pregões teve de ser cancelada. “Teve mais ou menos uns dez pregões que fracassaram, mas mais por falta de experiência não só dos fornecedores, mas da equipe da faculdade”, argumentou.
O diretor contou que algumas das empresas participantes, por exemplo, chegaram a entregar envelopes com propostas nos quais constavam o logotipo delas. Por força da lei, elas tiveram de ser desclassificadas, encerrando o certame.
Não bastasse isso, a faculdade enfrentou dificuldades na compra dos equipamentos utilizados no curso. Conforme Tomazela, eles não estão cadastrados na BEC (bolsa eletrônica de compras), mantida pelo governo do Estado, pela qual o Ceeteps permite as aquisições. “Todos os equipamentos do curso de produção fonográfica não existem na BEC”, falou.
Para que possam ser adquiridos pela faculdade, os instrumentos precisam estar cadastrados na bolsa eletrônica de compras. O processo todo é feito por um único gestor que não tem habilitação para incluir esses equipamentos em específico.
“Só quem pode adicionar esses equipamentos é um gestor que está na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia”, comentou Tomazela. Diante dessas dificuldades, a Fatec ficou impossibilitada de adquirir os itens que garantiriam a parte prática aos estudantes.
Para o professor-doutor, o manifesto dos alunos ocorreu por falta de entendimento entre a diretoria e os representantes. Segundo Tomazela, de maneira precipitada, a Fatec informou aos estudantes que as reivindicações seriam atendidas rapidamente. “Diante da nossa inexperiência com relação a esses procedimentos e ao curso que é inédito, nós achamos que seria fácil, e não foi”, disse.
Ainda que os planos não tenham se concretizado, Tomazela afirmou que a falta de equipamentos ou de um estúdio de produção fonográfica não afetaria a formação dos alunos. Segundo ele, tanto o estúdio como os equipamentos são “algo a mais” que a faculdade vai oferecer aos estudantes.
“O aluno tem de entender que não está sendo formado, aqui, para ser um operador de mesa de som”, disse. “É como num curso de engenharia naval. Eu quero saber se todos os submarinos e navios estão dentro da faculdade que o oferece. Isso não acontece, o que acontece é uma visita ao porto, para adquirir conhecimento. Da mesma forma aqui, poderíamos ir até alguns estúdios, acompanhar gravações, mas vamos fazer isso aqui”, completou o diretor.
De acordo com ele, o estúdio não é decisivo na formação dos alunos do curso de produção fonográfica porque eles não serão habilitados em uma mesa de som específica. “Se for isso, eles não passarão de meros operadores de uma boa mesa de som. Então, é essa confusão que acontece, mas eu estou acostumado porque todo curso, quando ele se instala, o aluno tem a ansiedade de ir para a prática”, afirmou. Tomazela disse ainda que, nesse caso, o aluno precisa de embasamento científico, principalmente sendo o curso de nível superior.
O diretor também afirmou que compreende os estudantes e que eles não estão “completamente errados”. Segundo ele, os cursos de tecnologia se propõem a ter atividades, além de científicas, práticas. Estas podem ser supridas com uma visita a empresas, ou a estúdios de gravações em outros municípios.
A expectativa é de que as obras para a construção do espaço (assim como da adequação dos prédios I e II e edificação de uma nova portaria) tenham início no mês que vem. A Damo Engenharia e Construções tem 360 dias para concluir o projeto, mas, segundo Tomazela, deve antecipar o período. “Ela quer acelerar esse prazo, inclusive entregando o estúdio primeiro”, finalizou.
oprogressodetatui.com.br
Posted in: 