quarta-feira, 20 de junho de 2012

Guarda Municipal retoma trabalho de orientação contra o uso de cerol




A aproximação do período de férias de inverno nas escolas fez com que a Guarda Civil Municipal iniciasse nova campanha educativa contra o uso de cerol. Durante os meses de junho e julho, integrantes da corporação fazem visitas aos estabelecimentos de ensino para orientar crianças. Além disso, os guardas intensificam a fiscalização nos bairros onde as brincadeiras com pipa são mais comuns.
O cerol é uma mistura de cola e vidro moído, colocada nas linhas das pipas para torná-las cortantes. Numa espécie de competição, vence aquele que consegue cortar e derrubar a pipa do adversário.
O problema está no perigo que estas linhas representam quando se aproximam das pessoas, podendo causar ferimentos graves e até matar. Por isto, as autoridades classificam a prática como criminosa.
A maior incidência envolvendo linhas com cerol ocorre com os motociclistas, que ficam desprotegidos enquanto pilotam e podem ser atingidos em alta velocidade. Ciclistas, pedestres, aeronaves, paraquedistas e skatistas também já registraram incidentes.
De acordo com o subcomandante da GCM, Francisco Carlos Severino, a época de férias escolares requer maior atenção em relação ao uso do cerol. “Se for solta em local adequado, a pipa é uma brincadeira sadia, que faz parte da cultura das cidades do interior”, afirmou o subinspetor.
A orientação da GCM é prevista para todas as escolas. Entretanto, segundo Severino, o foco dos trabalhos educativos está nos bairros com maior número de apreensões de linhas com cerol. “Temos um banco de dados que serve para fazer este controle”, explicou. Conforme as informações da Guarda, os locais com maior número de ocorrências são a vila Esperança, vila São Cristóvão, Jardim Santa Rita de Cássia e Rosa Garcia 2.
Nas escolas, os guardas procuram informar às crianças sobre os perigos do uso de linhas com cerol. “É um trabalho preventivo que consiste em deixar claro para os alunos que, ao utilizar o cerol, eles podem machucar a si, aos outros e até mesmo provocar mortes”, disse o oficial da GCM.
Recurso inovador utilizado durante as palestras é a apresentação de fotografias que mostrem danos causados pelas linhas cortantes. Além das fotos, os guardas mostram um capacete e o corte causado nele pelo cerol. “São imagens simples, que não causam traumas nas crianças, mas que dão uma dimensão do perigo que pode existir nesta brincadeira”, acrescentou o subcomandante.
Durante as palestras, os guardas também orientam as crianças a brincar com pipa de maneira adequada. Neste sentido, o principal apontamento diz respeito à escolha do local. A orientação é pela escolha de lugares abertos e afastados das redes de energia elétrica.
Este é o terceiro ano em que a GCM realiza campanhas educativas contra o uso do cerol. Na avaliação do subcomandante, as orientações estão começando a apresentar resultados. “Comparado com anos anteriores, quando a gente começou, reduziu muito a quantidade de linhas apreendidas. Mas é um trabalho lento e não podemos desistir, porque pode salvar vidas”.
Paralelamente ao trabalho de orientação nas escolas, durante as férias os guardas intensificam a fiscalização nos locais em que a brincadeira com pipas é mais comum. “Colocamos as viaturas nestes locais e verificamos as linhas que estão sendo utilizadas. Se houver cerol, o material é apreendido e incinerado”, informou Severino.
Conforme informações disponibilizadas pela GCM, a lei municipal 2.981 determina aplicação de multa no valor de dez Ufesp (unidade fiscal do Estado de São Paulo), que equivalem a R$ 184,40. Se a utilização do cerol causar ferimentos a terceiros, o responsável poderá responder por lesão corporal. Em caso de morte, o indiciamento é por homicídio culposo.
Perante a legislação ambiental, o cerol é considerado produto nocivo à saúde humana. Pessoas que fabricam, armazenam ou comercializam materiais desta categoria respondem criminalmente, com possibilidade de multa e reclusão de um a quatro anos.
De acordo com o subcomandante, a aplicação de multas é um recurso utilizado para casos de crianças e adolescentes reincidentes. Aqueles que são flagrados utilizando cerol pela primeira vez recebem advertência e os pais são orientados. “Muitas vezes, a criança tem acesso ao cerol por meio de amigos, e os pais nem sabem que isso está acontecendo”, comentou Severino.
                                                                                                      oprogressodetatui.com.br

Twitter Facebook More