Tatuí poderá ser uma das primeiras cidades do Brasil a utilizar a pirólise para processar lixo doméstico e produzir energia elétrica. Por meio de parceria firmada com a Prefeitura, uma empresa cederá máquinas ao município para a realização dos testes necessários aos trâmites de patenteamento. A Cooreta (Cooperativa de Reciclagem de Tatuí) deve receber uma máquina nesta semana.
A novidade foi anunciada na terça-feira, 15, pelo vereador Fábio José Menezes Bueno (PSDB), durante pronunciamento na sessão ordinária da Câmara Municipal. Na quinta-feira, 17, o secretário municipal do Meio Ambiente, Marcello Ribeiro da Silva confirmou o empreendimento e apresentou mais detalhes a respeito. De acordo com ele, trata-se de tecnologia inédita nos municípios brasileiros.
Conforme o secretário, o responsável pelas experiências com as máquinas de pirólise é Pedro Kassab, irmão do prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab. Recentemente, o investidor teria entrado em contato com o prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo e apresentado a ideia de realizar o projeto piloto no município. “O prefeito gostou da proposta e decidiu aceitar”, contou o secretário.
A parceria prevê que o município receba os equipamentos sem custos, já que colabora oferecendo o suporte necessário às experiências. A primeira máquina de processamento de lixo doméstico por pirólise já se encontra no município, em uma cerâmica na rodovia Antonio Romano Schincariol (SP-127). No entanto, ela ainda permanece fora de uso. Para esta semana, está prevista a instalação e o início do funcionamento de uma máquina na Cooreta.
Na cooperativa, a máquina será utilizada para processar as sobras do lixo sólido. “Atualmente, já existe uma triagem no local. Aquilo que possui algum valor comercial é separado e vendido. O resto é encaminhado ao aterro municipal”, explicou Silva. Estas sobras, de acordo com ele, serão processadas na máquina. Já o lixo orgânico não pode ser utilizado como combustível.
“O objetivo desta máquina é queimar a sobra do lixo reciclável e transformá-lo em energia limpa. Esta energia, que terá custo zero, será armazenada, e a intenção é transferi-la para as cerâmicas, eliminando em parte o uso de lenha nos fornos”, afirmou o secretário.
Excetuando-se o lixo orgânico, qualquer material pode ser utilizado como combustível, inclusive, metais e vidros. No processo de pirólise, o lixo é colocado dentro de uma caldeira capaz de produzir vácuo. Depois de retirar todo o ar de dentro do tanque, ele é aquecido a uma temperatura de aproximadamente 400ºC.
O calor faz com que o lixo transforme-se em carvão e perca aproximadamente 90% do volume original. Estes resíduos podem ser depositados normalmente em um aterro sanitário. Diferentemente do processo de combustão, a pirólise não produz gás carbônico ou outros gazes poluentes. Por isto, segundo o secretário, não são necessárias licenças ou autorizações ambientais para o funcionamento.
Na avaliação de Silva, o projeto representará diversas formas de economia ao município. Além de receber novos investimentos sem custos ou contrapartidas, será eliminada a despesa com transporte. Atualmente, as sobras da triagem da Cooreta, na vila São Cristovão, precisam ser transportadas diariamente ao aterro municipal, no Jardim Lírio.
Na avaliação do secretário, o município também terá “ganhos ambientais”, já que o aterro terá que comportar menor quantidade de lixo. Recentemente, o local recebeu nota 6,2 da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo).
A avaliação é uma das piores dos 33 municípios da UGRHI (Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos) Sorocaba/Tietê. “Há, também, a vantagem de que as cerâmicas poderão diminuir a queima de madeira”, disse o secretário.
De acordo com Silva, o equipamento não exige mão de obra qualificada. “A empresa do Pedro Kassab já realizou algumas entrevistas para selecionar o funcionário que ficará responsável por operar a máquina. Ele receberá treinamento, mas não precisa ter nenhuma especialização, já que o processo é bastante simples”, informou o secretário.
A Prefeitura ainda não possui informações sobre a capacidade de processamento de lixo e da quantidade de energia que poderá ser produzida nas máquinas de pirólise. “Temos apenas informações preliminares de que a máquina da Cooreta vai dar conta de todo o lixo do município, lembrando que não será processado lixo orgânico nem lixo sólido que tem algum valor comercial”, informou Silva.
Conforme a Cetesb, o município produz 51,6 toneladas de lixo doméstico por dia. Na avaliação do secretário do Meio Ambiente, a máquina poderia trazer ainda mais vantagens se toda a população realizasse a separação do lixo. Neste caso, uma quantidade ainda maior de material poderia ser processada por pirólise, diminuindo a necessidade de uso do aterro municipal.
A partir do momento em que os testes com a máquina forem concluídos na Cooreta e os proprietários registrarem a patente, o município continuará com o equipamento sem custos. Segundo o secretário, a Prefeitura deverá analisar os resultados e avaliar a possibilidade de adquirir mais algumas unidades.
As possibilidades mais cotadas são o uso direto nas cerâmicas. Neste caso, cada estabelecimento industrial teria que adquirir seu próprio equipamento. Existe, também, a perspectiva de aplicar a pirólise no processamento do lixo hospitalar. Atualmente, o material produzido nos estabelecimentos de saúde do município é coletado por uma empresa e transportado para a cidade de Paulínia, para ser incinerado.
oprogressodetatui.com.br
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