Desde o dia 14, a Secretaria Municipal da Saúde realiza mutirão para recadastramento de pacientes de programa próprio. Segundo adiantou a titular da pasta, a farmacêutica Kátia de Campos Abuchaim, a ação envolve os beneficiados pelo PAD (Programa de Atendimento Domiciliar) e será realizada até o término do procedimento. Atualmente, o PAD atende a 270 pessoas de todas as classes sociais e, conforme Kátia, de todas as regiões do município.
O programa é considerado ação inédita na região. De acordo com a secretária, não há, até o momento, “notícia de que algo semelhante seja realizado em outras cidades”. “Hoje, o Ministério da Saúde está montando o ‘Melhor em Casa’, mas já tentou montar, no passado, o SAD (Sistema de Atendimento Domiciliar), que não teve sucesso”, contou.
Tatuí chegou a cadastrar-se no sistema, mas o projeto do governo federal “não decolou”. “Não foi para frente em nenhum município”, afirmou a secretária. Para atender a uma demanda e adiantando uma ação, o município criou um programa próprio.
O PAD oferece atendimento 100% custeado pela Prefeitura. “Não tem verba nenhuma de fora”, frisou Kátia. Da região, segundo informou, ele é o único a oferecer atendimento domiciliar a pacientes acamados.
A ideia de criar o programa partiu da própria secretária, em 2007, na época em que ela atuava no setor de almoxarifado da pasta. “Quando trabalhava lá, eu recebia muitas ligações com pedidos de curativos em casas de pessoas que não tinham condições de ir até uma UBS (unidade básica de saúde)”, lembrou. “Devagar e, em conjunto com o Ângelo Cesar Carvalho, nós, de maneira organizada, criamos um protocolo”, disse Kátia.
Na prática, a formalização do programa surgiu da necessidade de se estruturar um trabalho que já vinha sendo desenvolvido. “Até então, por quem esses pacientes eram cuidados?”, questionou a secretária.
Atualmente, os cadastrados recebem visitas de uma equipe de profissionais da Saúde. O PAD é composto por dois médicos, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, fisioterapeuta e nutricionista. De maneira escalada – e conforme a situação de saúde do paciente –, são destinados profissionais específicos para visita.
Os profissionais vão até a residência dos pacientes cadastrados, fazem coletas para exames e, em caso de necessidade, os encaminham para novos exames, que são feitos, em geral, no Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto”.
Para exames no ambulatório, o programa conta com a retaguarda da “ambulância branca”, a qual atendia ao antigo 192 (serviço de urgência e emergência), que pertencia ao município. Atualmente, o 192 é atendido pelo Samu (Sistema de Atendimento Médico de Urgência). Em geral, fazem uso de ambulância os pacientes que necessitam realizar ultrassom, raios X ou tomografia.
O atendimento do PAD, contudo, não é de urgência e emergência, ou de intercorrência. “Toda vez que nós cadastramos esses pacientes, nós deixamos bem claro para eles que, se eles passarem mal, devem ligar no Samu”, frisou Kátia.
De acordo com ela, o PAD não atende urgência e emergência, uma vez que funciona de segunda a sexta, das 7h às 17h. “Nenhuma intercorrência com paciente é atendida, porque o PAD consiste em consultas pré-agendadas”, detalhou a secretária.
Intercorrências com sonda vesical – caso de praticamente 80% dos pacientes do PAD –, ou com equipamentos respiratórios não são atendidas pelos profissionais do PAD. “Esses não são casos de ligar para a equipe. Isso não existe”, destacou Kátia.
O cadastramento no programa é realizado “de maneira fácil”. Quem tiver um parente acamado deve procurar a UBS mais próxima da residência e solicitar a inclusão, por meio de guia. O profissional vai encaminhar o pedido para a equipe, que fará uma visita ao paciente. “A equipe vai até a casa pela primeira vez e faz uma triagem para ver se realmente aquele paciente vai se enquadrar ou não”, disse a secretária.
Segundo ela, o programa atende exclusivamente pessoas acamadas. Mas, existem exceções. Caso de parte dos 67 pacientes que fazem uso de oxigênio. “Muitos deles andam, mas, nesse caso, nenhuma equipe minha vai até a casa deles para fazer avaliação”, disse.
Nesta situação, o atendimento consiste na avaliação da quantidade de oxigênio gasto. Isso porque os pacientes que andam têm condições de ir até as UBSs. “Mas eu tenho que ter um cadastro – e por isso eles estão no PAD – para termos um controle do gasto de oxigênio”, explicou a secretária.
A equipe do programa demora, em média, 15 dias para fazer a primeira visita de avaliação dos pacientes. O atendimento é prestado tanto a pessoas cujos familiares procuram ajuda como a pacientes indicados pela Santa Casa. “Temos um sincronismo com o hospital”, disse a secretária. Conforme ela, em casos nos quais os pacientes necessitem de atendimento domiciliar, o próprio hospital faz a solicitação junto à secretaria.
O acompanhamento ao paciente dura o período em que ele estiver acamado. “A partir do momento em que ele pôs o pé no chão, caminhou, o atendimento é encerrado”, falou Kátia. Os que recebem oxigênio continuam a ser atendidos por conta do controle de gasto do material. “O pneumologista acompanha o uso do oxigênio desses pacientes para podermos ter um controle de gasto, porque todos eles são fornecidos pelo município”, descreveu a secretária. É a Prefeitura responsável pelo custeio do uso de oxigênio.
Muitos dos que utilizam o oxigênio são pacientes “DPOCs” (portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica) graves. “Estes fazem uso 24 horas por dia”, disse Kátia. Além deles, o programa atende outras 203 pessoas cadastradas. Os acompanhamentos começaram em 2007 e seguem “ininterruptamente”.
Nesta semana, o PAD iniciou recadastramento dos pacientes atendidos. As 270 pessoas serão classificadas em quatro grupos, após o encerramento do processo. O grupo “azul” incluirá pacientes que não necessitam de visita de médico. “Porém, são pessoas que precisam de remédio, de receitas. São pessoas que, em geral, se locomovem, mas não vão todo mês até as UBSs”, explicou a secretária.
No grupo “verde”, os atendidos receberão visitas de profissionais do PAD de quatro em quatro meses. No “amarelo”, estarão os pacientes que necessitam de consultas médicas a cada dois ou três meses. “O período vai depender da avaliação do médico”, falou Kátia. No último grupo, o “vermelho”, estarão pacientes que receberão mensalmente visitas na própria residência.
O recadastramento teve início no dia 14 e não tem data para ser encerrado. “Vamos concluí-lo quando tivermos recadastrado todas as pessoas”, disse Kátia. O tempo do processo dependerá da inclusão de novos pacientes ao programa. “Hoje mesmo (quinta-feira, 17), nós tivemos a entrada de mais duas pessoas”, comentou a secretária. De acordo com ela, os atendidos são pacientes que, antes do funcionamento do programa, “contavam com a própria sorte”. “Eu me pergunto: antigamente, onde eles eram tratados?”, indagou.
Além do acompanhamento dos profissionais, o município oferece ajuda de custo com material hospitalar aos pacientes que fazem uso de sonda para alimentação, curativos, entre outros. “Não ajudamos 100%, porque são muitos pacientes, mas damos uma ajuda de custo”, frisou a secretária.
Os atendimentos do PAD incluem orientação aos cuidadores dos acamados. Quando um dos profissionais do programa faz uma visita, por exemplo, ele instrui o cuidador a zelar pelo doente. “Não adianta o médico ir até a residência, fazer uma visita mensal, passar o medicamento, e ninguém da casa cuidar, não fazer a mudança de decúbito (posição)”, afirmou a secretária. Segundo ela, a equipe do programa oferece instruções para os familiares, ou a pessoa eleita para cuidar do paciente, para que o atendimento possa ser realizado de maneira a melhorar as condições de saúde do acamado.
Conforme Kátia, os profissionais vão até as residências – nos períodos especificados para cada caso e pré-agendados –, fazem as verificações e passam as instruções. Cabe aos cuidadores dar continuidade ao atendimento. “Nós não vamos todos os dias nas casas desses pacientes. Então, o dia a dia deles muda muito, e é a família que vai cuidar deles”, afirmou.
As instruções são repassadas por todos os profissionais. No caso de fisioterapia, os cuidadores recebem orientações de como fazer para evitar atrofias ou enrijecimento dos músculos. “Isso é necessário porque os profissionais, muitas vezes, não conseguem ir com fre-quência na casa dos pacientes. Por esta razão é que os cuidadores têm de estar sempre atentos”, falou a secretária.
O PAD, neste caso, segundo ela, é uma ajuda que a Prefeitura oferece para as famílias de pacientes acamados. “É uma base, um norte para as pessoas se orientarem a viver com um paciente nessas condições”.
Além do apoio, o programa ajuda a própria municipalidade a desafogar os atendimentos. Em especial na Santa Casa, uma vez que o atendimento em casa evitaria internações que não fossem necessárias, ou por longo período.
“Às vezes, as famílias não entendem bem o funcionamento do PAD e querem passar para a secretaria uma obrigação que não é nossa. Então, o programa passa muito isso: quem tem que cuidar e zelar dos pacientes acamados, são as famílias. A Prefeitura dá uma retaguarda”, concluiu.
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