sexta-feira, 6 de abril de 2012

Prefeitura realiza negociações para instalar tratamento de hemodiálise


No final do mês de março, a Prefeitura anunciou a retomada das negociações junto aos governos estadual e federal para a instalação de um centro de hemodiálise no município. Para a administração, os 71 pacientes tatuianos transportados e atendidos em outras cidades justificam o investimento necessário para implantar uma unidade própria do serviço. A hemodiálise vem sendo cobrada pelo Cobat (Conselho de Bairros de Tatuí), por meio de abaixo assinado com cerca de 3.800 nomes.
Na terça-feira da semana passada, 27, integrantes do conselho estivaram na Câmara Municipal acompanhando a reunião ordinária. Durante a sessão, eles apresentaram faixas reivindicando o centro de hemodiálise e lembrando que ele se refere a uma promessa feita no ano de 2007. Desde então, segundo informações que constam no abaixo-assinado, o conselho está enviando ofícios às autoridades locais cobrando o centro.
Na Câmara, as discussões a respeito da hemodiálise tiveram início na sessão do dia 20 de março, com dois requerimentos apresentados às comissões. Em um deles, o vereador Vicente Aparecido Menezes, o Vicentão (PT), solicita à secretária municipal da Saúde, Kátia de Campos Abuchaim, informações sobre o número de pacientes de hemodiálise existentes no município e as cidades em que eles recebem o tratamento.
O outro requerimento, assinado por todos os vereadores, solicita informações ao secretário de Estado da Saúde, Giovanni Guido Cerri, sobre quais as possibilidades de a cidade vir a ser contemplada com uma central de hemodiálise e questiona quais seriam as providências necessárias para tanto.
O vereador Fábio José Menezes Bueno (PSDB), líder do governo na Câmara, antecipou as respostas aos pedidos de Vicentão. “Já temos os números. São 71 pacientes cadastrados, dos quais 56 são removidos para o tratamento”, informou.
Bueno também afirmou que, durante a semana, iniciaram-se as tratativas entre a Prefeitura e a Secretaria de Estado da Saúde para que, “em breve”, esteja funcionando em Tatuí um centro de hemodiálise. Como ainda precisavam passar pelas comissões da Câmara, os requerimentos de Vicentão entraram em pauta na ordem do dia uma semana depois, dia 27.
Com a hemodiálise entre os assuntos da ordem do dia e a presença dos membros do Cobat, o tema também ganhou destaque nos pronunciamentos dos vereadores na tribuna. Vicentão lembrou que, na reunião anterior, Bueno citou tratativas entre a Prefeitura e o governo do Estado.
“Para mim, tratativas têm que ser oficiais. Pode ser que o prefeito apenas conversou com o secretário ou com um assessor. Nós temos que saber o que existe de oficial. Ele oficiou o secretário? A imprensa não vai repercutir o assunto se forem apenas tratativas. Precisa ser algo oficial”, disse Vicentão.
Para o vereador, o município tem capacidade de implantar e manter um centro de hemodiálise. Ele cogitou que cidades vizinhas, como Capela do Alto, Cesário Lange, Torre de Pedra, Quadra, Iperó e Cerquilho, poderiam ter interesse em um centro de tratamento em Tatuí. “Talvez, até contribuam para isso, mas é necessário que tenha coragem e vontade política”, afirmou o petista.
Bueno informou que as negociações iniciadas pela Prefeitura aconteceram de forma oficial, com documentos encaminhados ao Ministério da Saúde, à Secretaria de Estado da Saúde e ao DRS XVI (Departamento Regional de Saúde de Sorocaba), ao qual Tatuí responde. “Todos estes ofícios foram remetidos com cópia do abaixo-assinado do Cobat”, disse o representante do prefeito.
Para deixar os parlamentares informados a respeito das negociações, Bueno comprometeu-se a levar cópias dos ofícios à sessão que seria realizada na noite de terça-feira, 3 (após o fechamento desta edição).
O vereador afirmou que seria importante o Cobat também oficiar os órgãos de saúde do governo estadual e federal sobre a hemodiálise. “É uma luta de todos, e sabemos da dificuldade que é para quem faz o tratamento fora”, concluiu.
Segundo o prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo, os municípios encontram dificuldades em obter verba do SUS para a implantação de centro de hemodiálise. “Não é uma luta fácil, porque o governo federal tem dificultado muito a liberação de recursos”, sustentou.
“Para se ter uma ideia, o centro de hemodiálise em Itapetininga já está há dois anos solicitando um terceiro turno e não consegue. As máquinas já estão lá, e eles só querem mais gente para trabalhar”, afirmou.
De acordo com o prefeito, o estudo referente às propriedades químicas e físicas da água disponível no município é outro passo importante para a instalação de um centro de hemodiálise. “A hemodiálise utiliza muita água, e ela precisa ter propriedades que permitam o processo. Se não for água de qualidade, não dá para fazer o serviço”, explicou Gonzaga. Estudos preliminares teriam demonstrado que a água de Tatuí é adequada. “Mas são estudos preliminares”, ressaltou.
Em reunião no dia 23 de março, o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, teria se comprometido com a elaboração de laudo a respeito das características da oferta de água do município. “Com este estudo da água, vamos ter o embasamento para o processo de instalação”, disse o prefeito.
Gonzaga afirmou que a administração trabalha com projeção segundo a qual, em alguns anos, o número de pacientes usuários dos serviços de hemodiálise pode ser superior a cem. “Com este número, estaríamos dentro dos parâmetros do Ministério da Saúde”, informou.
“É uma luta, mas os requerimentos todos já foram feitos, para o governo do Estado e ao governo federal. Agora, temos que buscar seguir todas as exigências que o Ministério da Saúde estabelece”, acrescentou Gonzaga.
Além da certificação a respeito da água, existe a exigência de uma UTI (unidade de terapia intensiva) junto ao centro de hemodiálise. De acordo com o prefeito, o projeto da Prefeitura consiste em utilizar um espaço da Santa Casa. Com a construção da UPA (unidade de pronto-atendimento), o espaço a ser utilizado para a hemodiálise seria o atual prédio do Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto”, que deverá ser desativado.

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