quinta-feira, 5 de abril de 2012

Polícia Civil indiciará outros dois no caso de maus-tratos a animais


Mais duas pessoas devem ser indiciadas pela Polícia Civil por maus-tratos a animais no inquérito que apura denúncia apresentada na semana passada por voluntárias da ONG (organização não governamental) “Cia. do Bicho”.
Segundo informou o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, a filha da proprietária do imóvel na qual oito cães haviam sido abandonados e o marido dela também devem responder judicialmente por maus-tratos. Até a semana passada, apenas a dona da residência, que teria viajado, estava sendo investigada.
Os nomes dos envolvidos não serão divulgados a pedido da PC. Conforme Andreucci, além da proprietária, que seria professora aposentada, as investigações incluem a conduta da filha e do genro dela.
De acordo com o delegado, os dois (filha e genro) teriam sido vistos na casa em que os animais foram encontrados em estado “lastimável” tirando pertences, como televisão e geladeira. “Eles estavam vendo a situação pela qual os animais estavam passando e não tomaram nenhuma providência”, argumentou o delegado.
A filha e o genro da dona dos cães (cinco deles permaneciam vivos, os outros três estavam mortos) devem responder criminalmente por terem se omitido. “A condenação deverá ser válida para os três que não tomaram nenhuma providência”, disse Andreucci.
Conforme ele, o crime de maus-tratos, no caso dos novos investigados, configurou-se por conta da falta de ação do casal. “É o mesmo que você ver que uma criança está abandonada e não ajudá-la”, comparou.
Conforme o delegado, filha e genro erraram em não ajudar os animais. Os cães, segundo denúncia, estavam trancados sem água e alimentação no interior de uma casa da rua Bimbati havia pelo menos 15 dias.
Eles foram resgatados por policiais militares e guardas civis municipais, que constataram o abandono. Ainda conforme o inquérito, no momento em que os cães eram retirados do local, os que sobreviveram estavam “alimentando-se dos restos de outros três cachorros que já haviam morrido de fome”.
“Numa situação destas, o normal é que, ao ter conhecimento de um crime como este, a pessoa tome uma providência, como fizeram as voluntárias da ONG”, afirmou Andreucci. O fato tornou-se público por meio de denúncia recebida pelas irmãs Andrea Paula Bueno Suzuki e Siulsan Katy, da Cia do Bicho.
As duas haviam sido procuradas por moradores da rua Bimbati, que teriam informado casos de maus-tratos a animais. Os denunciantes teriam percebido odores fortes vindos do interior da residência.
No local, as irmãs teriam verificado que havia cães abandonados em situação precária. A casa, de acordo com elas, estaria infestada de pulgas. Na sequência, elas chamaram a Polícia Militar. Os cães que sobreviveram foram resgatados no dia seguinte ao flagrante, tendo sido alimentados com ração e água.
A PC decidiu pelo indiciamento da filha e do genro da professora aposentada depois de ouvir testemunhas. Por meio dos depoimentos, Andreucci obteve a informação de que ambos teriam ido ao imóvel, no dia seguinte ao resgate, e dito que não teriam “interesse nenhum em ficar com os animais”.
Eles também teriam afirmado que a professora costumava viajar e deixar os cães, mas sempre pedia para alguém cuidar da alimentação deles. Dessa vez, a dona teria viajado a São Paulo e não comunicado a ninguém.

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