quinta-feira, 26 de abril de 2012

Civil ‘estoura’ depósito clandestino de combustíveis na rodovia Castello Branco


Sexta-feira, 20, no período da tarde, policiais civis de Tatuí e de Quadra, juntamente com integrantes do GTO (Grupo Tático Operacional), “estouraram” um depósito clandestino de combustíveis. O espaço ficava no quilômetro 155 da rodovia Castello Branco (SP-280), dentro de uma borracharia.
O estabelecimento, segundo o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, funcionava como fachada para o esquema fraudulento que envolveria caminhoneiros e produtores rurais da cidade de Quadra.
A operação que culminou na prisão de duas pessoas em flagrante – uma delas um menor, que ficou apreendido – foi comandada pelo delegado assistente Emanuel dos Santos Françani, da Delpol (Delegacia de Polícia) Central de Tatuí.
“Após investigações, os policiais descobriram que havia um depósito para desviar combustível de distribuidoras”, disse Andreucci. Conforme ele, motoristas das companhias ajudavam no esquema fraudulento.
O crime consistia na retirada de cerca de cem a 200 litros de combustíveis (óleo diesel e álcool) dos caminhões sem que o lacre dos veículos fosse quebrado. “Eles usavam um adaptador que era colocado na saída do cano do tanque”, explicou Andreucci.
Conforme ele, o equipamento é improvisado e vulgarmente conhecido como “chupa-cabra”. O desvio, segundo o delegado titular, não era descoberto pelas distribuidoras. O combustível desviado era, posteriormente, vendido. “A PC tem informações de que o diesel era vendido para pequenos produtores rurais da região”, disse.
Na operação, a PC apreendeu 19 tambores com diesel e 16 com álcool, mais 15 frascos de óleo lubrificante (que estavam sem nota fiscal e não tiveram a procedência comprovada). Junto aos materiais, estavam Ricardo Luiz Dias da Silva, de idade não divulgada, e um menor de idade.
Silva deve responder por crime contra a ordem econômica, que é inafiançável e tem pena de dois a cinco anos de reclusão. Um caminhão que estava estacionado na borracharia também foi apreendido pelos investigadores.
Segundo Andreucci, o veículo estava estacionado no mesmo local em que, há um ano, a Polícia Militar havia apreendido combustíveis armazenados irregularmente. “Nós sabíamos que o esquema havia voltado a funcionar e decidimos, após investigações, deflagrar a operação”, declarou.
O desvio de combustíveis era feito por meio de um equipamento amador. Conforme o delegado, o “chupa-cabra” era, na verdade, um cano com uma bola de tênis numa das extremidades. “Eles enfiavam esse cano no bocal que sai o combustível de modo a não estourar o lacre”, descreveu.
A bola de tênis faz com que o lacre sofra uma pressão e ceda, aproximadamente, um milímetro. A medida, de acordo com Andreucci, é mais que suficiente para fazer com que o combustível jorre para fora do tanque, de maneira controlada e sem partir o lacre.
O equipamento improvisado, conforme afirmou, torna a suspeita de desvio praticamente imperceptível por parte da distribuidora. “Na hora que o motorista vai fazer a entrega, é como se o combustível (entre cem e 200 litros) tivesse evaporado. A empresa não consegue detectar, uma vez que um tanque de caminhão pode armazenar até 25 mil litros”, comentou.
Para que o desvio ocorra, no entanto, Andreucci disse que é preciso que os motoristas estejam “mancomunados” com os responsáveis por redistribuir os combustíveis.
As investigações sobre o esquema, conforme o delegado, devem continuar. A Polícia Civil busca identificar quem são os produtores rurais da região que estavam comprando os combustíveis. “Eles responderão por receptação, que gera pena de um a quatro anos de reclusão”, disse.
A suspeita, segundo ele, é de que haja uma quadrilha especializada em desviar combustíveis. O grupo – que ainda não foi totalmente identificado – poderia estar revendendo os combustíveis com nota fiscal.
                                                                                              oprogressodetatui.com.br

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