quinta-feira, 29 de março de 2012

Homem armado mata proprietário de chácara e deixa outros 3 feridos


Na madrugada de sábado, 24, aconteceu o primeiro homicídio do ano no município. O produtor rural Lauro Fogaça, 51, voltava com a família para a chácara onde morava, entre os bairros Guaxingu e Mirandas, quando uma pessoa armada invadiu o local e efetuou vários disparos. Um deles atingiu o proprietário e matou-o. O crime interrompe uma sequência de 109 dias sem homicídios em Tatuí.
Segundo informações apuradas pela Polícia Civil, no momento da invasão, a família do produtor rural voltava de uma festa de casamento. Lauro estava acompanhado da esposa, Maria Helena Pinto Fogaça, 46, e dos seus filhos, Ricardo Pinto Fogaça, 27, Rafael Pinto Fogaça, 25, e Marcel Douglas Fogaça, 20.
O ataque teria ocorrido no momento em que a família entrava na propriedade. De acordo com o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, que cuida das investigações, os moradores foram surpreendidos por um rapaz desconhecido, que portava dois revólveres, um calibre 38 e um 22.
“Sem motivo algum, sem anunciar roubo ou assalto, empunhando as duas armas de fogo, ele começou a efetuar os disparos”, informou o delegado. O autor dos disparos foi identificado posteriormente como Marcelo Dias de Barros, 29, morador da cidade de Iperó. Além das armas municiadas, ele carregava mais cartuchos nos bolsos.
Segundo o delegado, um dos tiros do revólver 38 acertou Lauro na cabeça, provocando a morte do produtor rural. Outro disparo da mesma arma acertou Ricardo em um dos braços. Um disparo do revólver 22 acertou Marcelo, mas não causou ferimentos. “Por se tratar de arma e munição antiga, a bala acabou não entrando no corpo dele e não causou ferimento”, explicou Andreucci.
Enquanto o invasor efetuava os disparos, o filho Rafael e a esposa da vítima tentaram impedi-lo. Ao buscar arrancar a arma das mãos do atirador, Maria Helena acabou levando uma mordida em um dos dedos da mão direita. “Eles saíram em luta, e usando pedras e pedaços de madeira, acabaram acertando a região da cabeça de Barros”, disse o delegado.
Em seguida, as vítimas acionaram o serviço da Polícia Militar. Barros foi removido à Santa Casa de Tatuí. De acordo com a PC, ele permanece internado em estado “muito grave”. “O acusado recebeu voz de prisão e está internado. Se sobreviver, será transferido para a cadeia pública local assim que receber alta”, afirma Andreucci. As demais vítimas também foram levadas para a Santa Casa e liberadas em seguida.
Conforme o delegado, a PC iniciou as investigações e descobriu que Barros estava internado sob tratamento psiquiátrico. Na sexta-feira, 23, ele teria recebido autorização para passar o final de semana com a família, em Iperó.
“A polícia está investigando qual o motivo para a invasão daquela casa, se foi por acaso ou por algum motivo, qual era a intenção dele, por que ele nem anunciou roubo, e como ele conseguiu as armas utilizadas no crime”, informa o delegado.
De acordo com ele, a PC entrou em contato com a namorada do acusado. Ela teria confirmado que Barros estava internado e afirmado que “a questão é psiquiátrica”. “Para a namorada, ele tomou esta atitude motivado pela doença. Mas as investigações continuam, para saber a razão de aquela casa ser a escolhida e a origem dos revólveres”, relata Andreucci. Ele lembra que, caso Barros se recupere das lesões, o depoimento dele poderá ajudar nas investigações.
“Foi um homicídio grave, mas que já está totalmente esclarecido, e as investigações agora são para saber as circunstâncias. Nós estamos realizando diligências em Iperó, e o que temos até o momento é que foi um ato insano, de uma pessoa que estava sob tratamento psiquiátrico, que acabou invadindo a casa dos Fogaça e cometendo esta tragédia na cidade de Tatuí”, declarou o delegado.
Para o delegado, o primeiro homicídio do ano não pode ser relacionado com o índice de criminalidade da cidade. “Se foi, primeira hipótese, uma briga em Iperó que se arrastou até o local do crime, não tinha como a polícia impedir. Se ele estava passando pelo local e escolheu uma casa a esmo, também não teria como impedir”, comentou.
Conforme o titular, o caso está praticamente esclarecido. “O que é importante é que a atuação da polícia foi rápida, identificou o assassino e o prendeu. No entanto, não é possível relacionar esta morte aos índices de violência urbana da cidade. Pode ser que ele (Barros) tenha feito isso sem motivo algum”.
Antes da morte de Fogaça, o último homicídio registrado no município datava do dia 9 de dezembro de 2011. O corpo de Evandro Francisco Campos Soares foi localizado pela Polícia Militar por volta das 10h, em um terreno da rua Jacira Antunes Guidoni, no Residencial Mantovani. A vítima estava envolta em um edredom, e as investigações concluíram que houve crime passional com mais de cinco horas de tortura. Os quatro acusados pelo assassinato foram identificados.

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