O funcionamento do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) 192 em Tatuí ainda não está a contento da Prefeitura. É o que afirmou nesta semana o prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo. Em entrevista ao O Progresso, ele disse que a municipalidade aguarda melhorias no sistema de comunicação para reavaliar o serviço. Gonzaga também confirmou que a administração vai solicitar uma nova viatura de atendimento (suporte básico) junto ao MS (Ministério da Saúde).
“Como a própria matéria do jornal (publicada na edição do dia 18 deste mês) apresentou, existem ajustes que estão sendo feitos”, comentou o prefeito. Segundo ele, há “um problema técnico importante” que precisa ser melhorado por parte da Central de Regulação Regional, que fica em Itapetininga. Trata-se, conforme Gonzaga, do sistema de radiocomunicação. “O nosso rádio aqui está perfeitamente cobrindo todo o município, mas, em Itapetininga, há problemas”, citou.Segundo o prefeito, a central está tendo dificuldades para solucionar a questão. “Eles não conseguem resolver esse problema, por causa da topografia da cidade de Itapetininga. Mas nós estamos cobrando eles”, destacou. Gonzaga também afirmou que a Prefeitura vai solicitar, junto ao MS, uma terceira viatura de atendimento. Tatuí conta com duas, sendo uma de suporte básico de vida e uma de suporte avançado. “Nós estamos anexando a matéria que O Progresso publicou na solicitação ao ministério, alertando da necessidade de termos mais uma ambulância aqui no município”, informou.
Segundo o prefeito, a declaração feita pela coordenadora do Samu Regional, a enfermeira Gabriela Brito, de que o município está com número insuficiente de ambulância de suporte básico, deve garantir “peso” à reivindicação.
Na semana passada, a enfermeira afirmou, em entrevista ao bissemanário, que a central tem verificado que, em muitos dias na semana e em alguns horários, existe congestionamento de ocorrências, as quais ficam pendentes.
Ainda de acordo com a enfermeira, o volume de chamados é tão grande que, em certas situações, nem mesmo o apoio do Corpo de Bombeiros é suficiente. Dados de relatório divulgado com exclusividade à reportagem de O Progresso pela coordenadora do Samu Regional ratificam a afirmação.
O documento mostra que a média de atendimento prestado pelo serviço 192 no município é de 527 ocorrências. Trata-se do segundo maior número de atendimentos regulados pela central em Itapetininga. O primeiro lugar em ocorrências é daquela própria cidade, que registra média de 886 chamados.
Tatuí tem, conforme apontado pelo relatório, 210% de ocorrências a mais que a cidade de Angatuba, que registra média de 170 atendimentos. Na comparação com Alambari, cuja média é de 58 ocorrências, a diferença é de 808,62% a mais.
Mesmo somadas, as ocorrências registradas pelas cidades de Sarapuí, Quadra e Guareí, atendidas pela Central de Regulação Regional, não superam as de Tatuí. Os três municípios registram 236 atendimentos, 55,22% a menos que a “Capital da Música”.
A quantidade de atendimentos, conforme informou Gabriela, fez com que a central, em conjunto com Tatuí, começasse a pensar no pleito de uma nova ambulância de suporte básico. As conversas neste sentido, entre a equipe da central e do município, já foram iniciadas. O entendimento teve confirmação de Gonzaga.
O prefeito, no entanto, disse que a municipalidade não estaria disposta a ceder a “ambulância branca” (que pertence à Prefeitura e atendia pelo antigo 192). “Nós achamos que o Samu é quem tem que colocar uma ambulância aqui, porque, se nós aderimos ao serviço – e ele custa muito caro para o município –, ele tem de ser a contento”, falou. A manutenção do Samu 192 em Tatuí, conforme Gonzaga, demanda investimento mensal de R$ 132 mil.
O convênio do Samu é mantido com recursos do município e do governo federal. Conforme a assessoria da Prefeitura, 50% dos recursos são oriundos do Ministério da Saúde e 50%, da Prefeitura. Parte dos repasses é encaminhada para a Prefeitura de Itapetininga, para o pagamento da Central Reguladora e dos médicos. A outra parte é utilizada pelo município no pagamento de enfermeiros, técnicos em enfermagem e motoristas, além da manutenção da sede, que fica em prédio anexo ao quartel do Corpo de Bombeiros.
O processo de solicitação de uma nova ambulância será mediado pela central em Itapetininga. A equipe da cidade vizinha, segundo informou, na semana passada, a coordenadora do Samu Regional, receberá auxílio para obter a habilitação de uma terceira viatura. A vinda da ambulância, segundo Gabriela, vai depender de adequações que a base de Tatuí precisa realizar.
Segundo ela, o município terá de criar uma nova equipe e adequá-la aos moldes do ministério. “Tem que estar conforme a padronização visual, adesivada e a parte de equipamento 100% conforme o ministério exige”, descreveu.
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