O conservatório de Tatuí comemorou com a fetesp os 35 anos de movimento teatral na cidade
História
O curso de artes cênicas foi implantado em 1976, sob coordenação de Moisés Miastkowsky, contratado para iniciar um movimento cênico. O diretor, à época José Coelho de Almeida, a partir de contatos com pessoas como Armando Oliveira Lima - então presidente da Federação de Teatro -, convidou Miastkowsky, na época com 23 anos, ator que acabara de chegar de uma turnê em Israel. Os cursos atraíram uma avalanche de alunos, pois eram inéditos na região. Logo no início, mais de cem pessoas integraram as aulas que seguiam nos períodos da manhã, tarde e noite.
“Eu me sentia o verdadeiro pastor, pois recebi gente da cidade e do entorno. Montávamos vários espetáculos teatrais, sempre lotando o teatro. Na verdade, acho que o grande chamariz foi a enorme vontade de todos de acertar, acrescida de algo que está no sangue do tatuiano: a arte. O tatuiano já nasce num celeiro de cultura. Acho que esse ambiente artístico colaborou muito para em pouco tempo estarmos formando atores e técnicos para o teatro”, explicou Miastkowsky.
A primeira produção do setor de artes cênicas foi “Antígona”, de Sófocles, em 1976. Foram necessárias três sessões para garantir acesso de um público interminável. Depois, a montagem seguiu em turnê pelo interior do Estado. Para garantir que todos os interessados em teatro e alunos do curso mostrassem o resultado das aulas práticas no palco, surgiu, no ano seguinte, o Festival Municipal de Teatro, também com números impressionantes. Eram quase 15 espetáculos, todos de Tatuí, vindos de escolas de ensino regular até grupos de inglês e enfermagem.
De acordo com Miastkowsky, o começo do curso foi bastante tímido, com aproximadamente 20 pessoas. No entanto, a ousadia em encenar Antígona resultou num espetáculo “mágico, surpreendente e de grande qualidade”. “Toda equipe que abraçou o projeto com vontade e destreza confiaram plenamente no cara que caiu de para-quedas em Tatuí e, com apoio do diretor do Conservatório, iniciamos um importante movimento teatral que chegou onde está. Fui para Tatuí para ficar três meses e permaneci por 15 anos, acabando por dedicar boa parte da minha vida a um ideal”.
Setor de Artes Cênicas do Conservatório de Tatuí
O drama “Antígona”, de Sófocles, abriu as portas para um sem fim de opções. Depois de 14 anos de difusão, o curso de artes cênicas passou a adquirir características de formação, com períodos de aprendizado mais longos e mais disciplinas aliadas à prática em palco. Da primeira safra de Miastkowsky vieram Antonio Mendes (que dirigiu o setor até o ano de 2007) e Carlos Ribeiro (atual coordenador da área). Ambos participaram do espetáculo “A Ironia do Riso”.
Mendes e Ribeiro iniciaram parceria que resultou não somente na sequenciado Festival Estudantil de Teatro, mas, também, na criação do Grupo Teatral Novas Tendências, fundado em 1986. “Em 1992, colocamos um projeto em prática para um novo curso. Recebemos 500 candidatos logo de cara. Lembro-me que as produções foram aumentando gradativamente e fomos nos aperfeiçoando”, Ribeiro. Em 35 anos de existência, espetáculos produzidos a partir do Conservatório de Tatuí somam mais de 50 prêmios em importantes festivais nacionais.
Atualmente, o Conservatório de Tatuí oferece os cursos de: teatro juvenil, teatro adulto, aperfeiçoamento, curso de cenografia, figurino, iluminação, maquiagem e de teatro para educadores, além de oficinas de técnicas de teatro de rua, direção e construção de personagem.
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