quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Civil teme volta de ‘gangue de justiceiros’


A Polícia Civil de Tatuí solicita a colaboração da população, em especial de moradores da região do Jardim Santa Rita de Cássia, para que denuncie a existência de grupos de “justiceiros”. A medida preventiva, adotada nesta semana pelo delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, visa evitar a volta de gangues que dominaram o bairro na década de 90.
A PC tem informações de que um novo grupo, que se autodenomina “Turma do Bonde”, estaria se formando no Santa Rita. Os integrantes teriam, conforme denúncias, envolvido-se no episódio que terminou na morte de Júlio Cesar dos Santos Moraes, 19, na tarde de quarta-feira, 31 de agosto.
Os supostos membros teriam ameaçado de morte o acusado, Siderlei Leme Werneck, 37. A ameaça teria ocorrido no dia 30, após desentendimento entre o suspeito e um grupo de meninos que jogava futebol na frente da casa dele. De acordo com Andreucci, o grupo teria “tomado as dores” dos meninos.
“Gostaria de alertar a população do Santa Rita, eu que sou delegado há muito tempo na cidade de Tatuí, que nós chegamos a ter, lá, meses com oito homicídios, por conta da formação de turminha, de bando de extermínio”, disse o delegado.
Para evitar que a situação volte a ser como era, Andreucci solicita apoio da comunidade. “Se a população souber de alguma quadrilha, de bando que está se formando, ou pessoas que queiram ser líderes, que liguem para a polícia”.
Andreucci lembra que as denúncias podem ser feitas na PM (Polícia Militar), GCM (Guarda Civil Municipal) e na própria Civil, pelo telefone 3251-4402. “Basta falar com qualquer investigador, noticiando quem são os membros da quadrilha e o que eles estão fazendo”, disse o delegado.
Segundo ele, os bandos agem, em princípio, como amigos da comunidade e se formam nas rodas de bares ou dentro de times de futebol. “Enquanto estiver só nisso, não tem o menor problema. A questão é quando eles tentam dominar o bairro mediante violência. Foi esse o caso que conseguimos constatar nas investigações da morte de Moraes. Um grupo que foi acertar contas com o suspeito por desentendimento que meninos tiveram”, destacou.
O delegado ressalta a importância dos moradores não se omitirem para evitar o fortalecimento do chamado “poder paralelo”. “Quando um morador não faz nada, um grupo desses se fortalece e, no final, acaba trazendo pavor para o próprio bairro, como já aconteceu no Santa Rita há alguns anos”, afirmou.
De acordo com Andreucci, a polícia vai empenhar-se para evitar que a insegurança volte a imperar no bairro. “Para isso, nós precisamos da ajuda da população”, reiterou. As denúncias, segundo ele, podem ser feitas também por carta anônima. “Se a pessoa perceber que existe um grupo querendo fazer justiça com as próprias mãos, que está tomando conta do bairro, está pedindo ‘pedágio’, querendo fazer extorsão, chantagem, denuncie”.
A solicitação de ajuda dos moradores é considerada uma ação preventiva. A PC, segundo o delegado, quer evitar o fortalecimento dos grupos. “Depois que os grupos já estão instalados, é muito difícil acabar com eles”, comentou.
“Foi com base em muita luta, em muito empenho, que o Santa Rita, antes conhecido pela violência, virou um bairro altamente seguro. Por isso, gostaria de pedir apoio da população para que não deixe esse tipo de conduta retornar às suas vidas”, finalizou.

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