O distrito de Americana está próximo de receber oficialmente a instalação de um Nudec (Núcleo Comunitário de Defesa Civil). O processo, que deve acontecer em dois meses, segundo a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, tratará apenas da formalização do núcleo, pois na prática já há moradores do distrito realizando ações correspondentes.
Os Nudecs são entidades integrantes de Sindec (Sistema Nacional de Defesa Civil). A finalidade é desenvolver um processo de orientação permanente junto à população, para prevenir e minimizar riscos e desastres nas áreas de maior vulnerabilidade nos municípios.Os Nudecs são vistos como um elo formal entre as Coordenadorias de Defesa Civil e a população, favorecendo a gestão do planejamento e execução de ações de prevenção nas áreas de risco.
No distrito de Americana, a vivência com as enchentes fez com que os moradores fossem adquirindo conhecimento a respeito deste tipo de problema. É o que explica o coordenador municipal de Defesa Civil, Aleksander Chaves dos Santos. Para ele, o conhecimento é fundamental para o bom funcionamento do Nudec no distrito.
“Aquela região sempre foi considerada uma área de risco por causa das características geográficas do terreno”, explicou Santos, que também comanda a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura. De acordo com ele, a região ocupada por algumas residências está num nível inferior ao leito do rio, facilitando o alagamento em épocas de chuva. “O povo que mora lá sempre soube disso, e até onde nós já estudamos, não tem jeito de resolver este problema”, afirmou o coordenador.
Independente do fato de estar oficializado como um Nudec ou não, o trabalho realizado pelo grupo de aproximadamente dez moradores do distrito de Americana é considerado muito importante pelas autoridades da Defesa Civil local. “Um Nudec é exatamente isso, um grupo de pessoas organizadas próximas a uma área de risco, que nos comuniquem imediatamente na eminência de um desastre natural”, completou Santos.
Na opinião do coordenador, a existência de um posto comunitário da Guarda Civil Municipal no distrito possibilita um trabalho ainda mais eficiente do grupo, atuando em parceria com a corporação. A própria presidente da associação de moradores do bairro, Marlene Rodrigues Pires, é uma das pessoas que lidera os demais moradores durante as enchentes. “Ela é conhecida por todos e conhece bem o lugar. Com o auxílio da GCM, o trabalho do grupo funciona muito bem”, destacou.
“Elas sabem o que fazer e a que horas. Dependendo da chuva, eles falam para ficarmos tranquilos, pois a água não subirá. Nós nos desesperamos, mas eles conhecem o rio muito melhor do que a gente”, relatou o secretário-adjunto da Defesa Civil de Tatuí, João Batista Alves Floriano.
Uma das formas de ajuda mais importantes prestadas pelo grupo à Defesa Civil é tentar convencer os moradores a sair das casas em situação crítica. Floriano explica que este costuma ser um dos momentos mais delicados e difíceis durante as catástrofes.
“Às vezes, a pessoa está vendo o rio subir, os caminhões da Prefeitura estão ali para a retirada, mas não quer sair. Aí, chegam as pessoas do grupo, geralmente conhecidos ou amigos, conversam e convencem o morador. Isso nos ajuda muito”, afirmou o secretário-adjunto.
Em 2007, aconteceu a operação “Rio Limpo” no distrito de Americana. A ação visava limpar as margens do rio Tatuí, poluídas com lixo doméstico e restos de árvores. Como se tratava de um trabalho dentro do rio, necessitava de pessoas especializadas, como bombeiros e guardas. “Porém, estas pessoas fizeram almoço para os profissionais e auxiliaram de várias outras formas que podiam”, completou Floriano.
Por isto, a Coordenadoria Municipal da Defesa Civil pretende oficializar a criação do primeiro Nudec de Tatuí justamente no distrito de Americana. Conforme as previsões, isto deve acontecer em até 60 dias e, na prática, não mudará a forma como o trabalho está sendo realizado.
“Essas pessoas merecem o reconhecimento, pois Americana é uma área de risco, mas nós ficamos tranquilos com ela porque estes moradores estão sempre empenhados em ajudar”, informou o coordenador da Defesa Civil na cidade. Depois de oficializar o Nudec, uma das primeiras ações deve ser um treinamento para a evacuação dos moradores no caso de acidente na barragem do usina hidrelétrica “Santa Adélia”.
A usina, construída no rio Sorocaba, deve entrar em funcionamento nos próximos meses e a barragem estará situada acima da área habitada do distrito. Em caso de rompimento, o volume de água acumulado poderia causar grandes inundações. O secretário de Obras e Infraestrutura assegura que o barramento da usina será controlado por uma tecnologia moderna, mas, mesmo assim, um rompimento poderia causar um problema muito sério.
Para facilitar eventual evacuação do local, a Defesa Civil adquiriu uma sirene de grande porte, que será instalada no centro do distrito. No caso de acidente na barragem, ou situação de risco eminente, este dispositivo será acionado para que os moradores saibam do risco. “Este sinal também aciona o Centro de Comunicação e Emergência, e, assim, é possível enviar auxílio do Corpo de Bombeiros muito mais rápido”, explicou Santos.
O distrito de Americana é considerado a principal área de risco da cidade. Por isto, a Defesa Civil descarta, por enquanto, a possibilidade de implantar Nudecs em outras localidades. A área marginal do ribeirão Manduca costuma ficar alagada durante os meses mais chuvosos, mas este problema deverá ser solucionado com a construção de pontes maiores. Assim, a água do ribeirão teria condições de fluir mais rapidamente.
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