Tatuí atingiu mais um recorde positivo em se tratando de segurança pública. Além de ter redução em quatro dos cinco principais tipos de crimes (homicídio, furto, roubo, furto de veículo e roubo de veículo) no segundo trimestre deste ano em comparação com o primeiro, o município completou, ontem, terça-feira, 26, a marca de 150 dias sem registrar assassinatos.
Segundo o delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, trata-se de um recorde histórico. “Nós tivemos um desempenho melhor do que nos anos anteriores”, comentou. Em 2010, a cidade ficou 90 dias sem registrar homicídio. No ano anterior, em 2009, não houve ocorrência de assassinato por 110 dias seguidos. “Os números representam um trabalho que vem dando certo e que é fruto de uma sucessão de fatores. A queda é vertiginosa”, disse.A atuação da Polícia Civil, que trabalha no esclarecimento dos assassinatos, da Polícia Militar, responsável pelas prisões dos suspeitos e pelo patrulhamento ostensivo, e da GCM (Guarda Civil Municipal), são, para Andreucci, fatores primordiais para a queda do número de homicídios.
Até este mês, a cidade registrou um assassinato em 2011. A vítima, Miguel Augusto Gimenez, teria sido morta por Wellinton Danilo da Costa, em função de vingança. “As investigações apontaram que Costa teria matado porque acreditava que a vítima, anos atrás, teria atentado contra a vida de seu pai”, contou o delegado.
A queda nos casos de homicídio está, para Andreucci, ligada a uma série de fatores que vem fazendo as estatísticas em Tatuí mudarem. A diminuição vem acontecendo, segundo o delegado, de forma acentuada desde 2003, quando houve 35 homicídios; em 2004 e 2005, o número de assassinatos foi de 24, em cada ano; no seguinte, 2006, houve nova redução, totalizando 15 homicídios; em 2007 e 2008, a cidade registrou 9 assassinatos, em cada; em 2009, houve um aumento, para 12 casos; em 2010, nova queda, para 10 homicídios. Neste ano, nos seis primeiros meses, 1.
Dentre os fatores que contribuíram para a queda dos homicídios, o delegado destaca a desativação da Cadeia Pública, em 2007; a desfavelização realizada pela Prefeitura e que desativou as favelas do Jardim Europa e Fundação Manoel Guedes; e o aumento do efetivo da GCM e da PM, que, na cidade, ganhou a 4a Cia. de Policiamento Militar, além da 2a Cia.. “Também há que se citar o apoio da municipalidade, que, no meu caso, colabora cedendo funcionários para atuar nas delegacias”, comentou.
O conjunto de ações vem contribuindo para que Tatuí obtenha números, pelo menos na questão de segurança pública, melhores do que cidades da região. “Temos informações que, enquanto a violência tem diminuído por aqui, tem aumentado em municípios que até então eram menos violentos, como Boituva. Lá, o tráfico vem ganhando cada vez mais espaço”, destacou Andreucci.
Conforme ele, o tráfico de drogas, apontado como principal motivador dos assassinatos, tem migrado “em grandes proporções” para as cidades da região, em função da atuação das polícias no município. “Os nossos números estão bem melhores do que de algumas cidades menores”, comentou.
Além das estatísticas, a “fama” do município, como distribuidor de drogas para a região, deve mudar por conta da atuação das polícias, segundo o delegado. “Antes, as pessoas vinham até aqui para comprar entorpecentes e revender em suas cidades. Agora, o que nós queremos é que os delinquentes daqui sejam obrigados a ir a outras cidades se quiserem ter acesso a drogas”, afirmou.
A população tem papel decisivo na queda da criminalidade, na avaliação de Andreucci. De acordo com ele, os homicídios estão diminuindo em função do índice de esclarecimento, que atinge média de 90% por conta da colaboração da sociedade. “Antes, as pessoas fugiam da polícia quando ocorria um assassinato. Agora, não mais. Eu chego a receber ligações, na minha sala, de pessoas que querem passar informações assim que um crime ocorre”.
A procura espontânea, na opinião do delegado, é prova de que a população está confiando, cada vez mais, no trabalho desenvolvido pela polícia. “Nós passamos credibilidade, porque estamos conseguindo dar a resposta que a sociedade espera”, argumentou.
A ajuda da população, conforme Andreucci, tem sido essencial para o esclarecimento dos assassinatos ocorridos no município. No ano passado, dos dez homicídios (segundo dados da SSP – Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), todos foram esclarecidos e os acusados, detidos; em 2009, dos 12, 11 foram esclarecidos.
Além da redução, Andreucci destaca que houve alteração na motivação dos homicídios. Até 2008, a maioria deles estava ligada ao tráfico de drogas. No ano passado, dos dez homicídios registrados, apenas um teve ligação com entorpecentes.
Os demais ocorreram por motivos passionais, por conta de brigas e desentendimentos, roubo e latrocínio (roubo seguido de morte). Em 2009, dos 12 homicídios ocorridos na cidade, 4 foram motivados pelo tráfico de drogas.
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