segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí comemora 20 anos e lança CD


Um dos corpos artísticos de sopros mais atuantes do país, a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí comemora o 20o aniversário com o lançamento do CD “20 Anos”.
A festividade acontece nesta quinta-feira, 29, às 20h30, no teatro “Procópio Ferreira”. Na ocasião, o grupo executará as obras que compõem seu oitavo trabalho. A entrada será franca.
O projeto da Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí foi iniciado em fevereiro de 1992 e a estreia oficial aconteceu no dia 14 de junho do mesmo ano. O grupo surgiu a partir do objetivo de unir músicos profissionais e alunos da instituição.
O resultado, segundo Henrique Autran Dourado, diretor executivo do Conservatório, é “um conjunto versátil e coeso”, que apresenta obras de grande dificuldade, como “O Pássaro de Fogo”, de Stravinsky.
“O repertório, que vai de transcrições de obras para orquestra a um imenso material original para banda sinfônica, tem sido explorado pelo maestro Dario Sotelo com grande versatilidade. Nesses 20 anos, ele deu forma ao som do grupo, dando-lhe caráter próprio inconfundível. É um marco na história da instituição”, acentuou Dourado.
Pouco tempo após a criação do grupo, o maestro Dario Sotelo Calvo – formado em piano, violino e viola, mestre em regência orquestral pela City University, em Londres, como aluno de Ezra Rachlin, um dos discípulos de Fritz Reiner – assumiu integralmente a batuta e ficou responsável pela condução dos músicos.
Em 20 anos de existência, sob o comando de Sotelo, a banda fez intenso trabalho de divulgação internacional da música brasileira e trouxe para o Brasil peças dos mais importantes compositores mundiais.
“A Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí é considerada um projeto altamente positivo e modelo para outras instituições musicais no Brasil e na América Latina. Possibilitou abertura de campo de trabalho a músicos profissionais e professores de instrumento da instituição tatuiana, que tiveram também a possibilidade de ensinar diretamente aos estudantes o repertório abordado somente por conjuntos profissionais”, afirmou o maestro.
De acordo com a assessoria de comunicação do CDMCC, uma das principais características que marcaram todos estes anos de atividade da banda é o incentivo à produção de obras originais, por meio de encomendas a arranjadores e compositores brasileiros.
Entre as peças mais importantes, estão “Sinfonia nº 1”, de Edmundo Villani-Côrtes; “Sinfonia Anõia”, de Sergio Vasconcellos-Corrêa – recebeu prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor obra sinfônica de 1999 -; “Retratos do Brasil”, de Hudson Nogueira; e “Portrait” e “Concerto para Banda”, de Edson Beltrami.
Atualmente, a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí conta com 120 obras escritas para o grupo, de praticamente todos os gêneros musicais. Dentre elas, há 72 estreias brasileiras de repertório internacional que são referências mundiais.

Concerto "20 anos"

O programa do concerto especial em comemoração aos 20 anos da Banda Sinfônica conta com “Sinfonia nº 1”, de Edmundo Villani-Côrtes; “Suíte ‘Guanabara”, de Osvaldo Lacerda; e “Malcom Arnold Variations”, de Martin Ellerby.
“Além de serem grandes obras, todas elas têm grande significado para a história do repertório de sopros no Brasil e no mundo. Essa importância se estende à história da Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí, fazendo com que tanto o CD quanto o concerto sejam destaques muito especiais neste ano de comemoração”, afirmou o maestro.
Segundo Sotelo, a primeira música do programa é homenagem a um dos grandes compositores brasileiros, Edmundo Villani-Côrtes, que escreveu diversas obras para a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí.
Entre as contribuições de Villani-Côrtes ao grupo tatuiano, estão “Caetê Jururê – A Súplica da Floresta”, “Djopoi”, “Os Passarinhos da Praça da Matriz” e “Sinfonia nº 2”. Composta em grandes movimentos, “Sinfonia nº1” é considerada uma das obras clássicas do repertório brasileiro original para bandas sinfônicas.
“O primeiro e terceiro movimentos são estruturados em forma sonata modificada, mas o desenvolvimento temático é genialmente bem realizado, expressando a criativa forma do pensamento musical de Villani-Côrtes”, analisou Sotelo.
“Na orquestração, o compositor extrapola os cânones clássicos, principalmente ao utilizar os teclados percutidos, como marimba, xilofone, vibrafone e lira sinfônica, combinados com piano e harpa, além das madeiras em registros extremos, criando timbres e motivos rítmicos inusitados”, completou o maestro.
Osvaldo Lacerda, autor da segunda obra do concerto, é um dos maiores compositores brasileiros do século 20. A música “Suíte ‘Guanabara” é apresentada em cinco movimentos.
“A Suíte de Lacerda utiliza um refinado contraponto na estruturação de seus movimentos, passando ao ouvinte a maravilhosa impressão de estar ouvindo uma banda no coreto, porém com todo o refinamento de uma obra de Bach”, avaliou Sotelo.
A última peça do concerto, “Malcom Arnold Variations”, foi composta pelo maestro Matthew George, chefe do departamento de música da Universidade de Saint Thomas, em Minneapolis (EUA), especialmente para a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí.
“A presença do maestro Matthew George tem significado muito especial. George foi o responsável por apresentar o compositor Martin Ellerby à Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí. Assim, sua presença vai muito além de sua grande competência profissional como regente. Ela é uma homenagem especial em agradecimento por sua alta consideração pelo Conservatório de Tatuí”, afirmou Sotelo.
De acordo com a assessoria da escola, ao longo de sua existência, a Banda Sinfônica esteve presente em conferências anuais e recebeu os mais importantes regentes mundiais como convidados.
Dentre eles, destacam-se os americanos Arnald Gabriel, Virginia Allen, Daniel Havens, Isaac Daniel Jr., Pamela Bustos, Thomas Lee, Lowell Graham, Thomas O’Neal e Matthew George; os argentinos Hadrian Avila, David Antezana e Juan Ringer; os espanhóis Francisco Grau Vegara, Pablo Sanches Torrella e Rafael Sanz-Espert; o canadense Glenn Price; e os brasileiros Marcelo Jardim e Marcelo Maganha.
Em outubro do ano passado, os músicos da banda estiveram sob a batuta do maestro Frank Battisti, responsável por “revolucionar o repertório dos conjuntos de sopros”.
Durante 15 anos, entre 1993 e 2008, a banda atuou com o nome de Orquestra Brasileira de Sopros. De acordo com Sotelo, a mudança ocorreu devido ao repertório do grupo.
Sob esta denominação, em 1995, o conjunto gravou o primeiro CD, chamado “Compositores Brasileiros”, marcando o trabalho de documentação de diversos gêneros.
Já em 1997, gravou “Pró Banda – Compositores Brasileiros”. No ano 2000, gravou o CD “Arranjadores Brasileiros”. Em 2001, foram gravados dois CDs de demonstração para a editora holandesa “Gobelin”.
Em 2002, a banda efetuou a gravação do CD “Retratos”, enquanto que em 2003 gravou “Pró Banda” e um novo CD-demo, dessa vez para uma editora japonesa. Também foram gravados “Do Coração e da Alma – Obras de Hudson Nogueira” (2004) e “15 Anos” (2006).
Em 2007, o grupo realizou a primeira gravação em DVD na história do Conservatório de Tatuí. O DVD “15 Anos” traz documentário sobre o grupo, além de repertório que inclui Astor Piazzolla, Tom Jobim e Zequinha de Abreu.

Formação

Outra característica importante da Banda Sinfônica é ter entre seus integrantes alunos bolsistas do Conservatório. Os candidatos passam pelo “crivo” do maestro Sotelo e, se aprovados, devem assinar presença nos três ensaios semanais e nas diversas apresentações durante o ano.
Além da experiência musical, os estudantes recebem bolsa no valor de R$ 1.000 Na temporada de 2011, dos 63 integrantes do grupo, 25 eram bolsistas.
Conforme a assessoria, a troca de experiências entre alunos e professores no palco tem tido bons resultados. Segundo o assessor pedagógico do Conservatório, Antonio Ribeiro, “é perceptível a melhoria dos músicos ao término do período da bolsa”.
“Podemos dizer que, além de aumentarem enormemente o nível musical, quase 90% dos alunos que passam pelo grupo conseguem se tornar profissionais, atestando o quão valiosa foi essa experiência”, disse Ribeiro.
“Os benefícios são inúmeros, porém, cabe destacar senso de integração, trabalho em equipe, melhoria da afinação, respeito ao próximo, conhecimento de riquíssimo repertório e contato com concepções interpretativas diversas da sua própria”, continuou o assessor.
Outra característica importante da banda é seu esforço em formar novas plateias por meio de concertos didáticos. Ao longo dos últimos anos, a banda vem realizando ações com objetivos de educar e envolver crianças e adolescentes no universo da música erudita.
Nesse sentido, destacam-se projetos especiais como “Guia para Banda”, “Villa-Lobos Encontra Guarnieri”, “A Vinda da Família Real ao Brasil” e “MomoPrecoce”.
“O motivo principal de toda a carreira musical é tocar para uma plateia. Qualquer carreira musical buscará desenvolver seu público, seja esta música mais acessível ou mais elaborada. Sendo assim, um grupo sinfônico como a nossa banda deve ter como parte de suas metas atingir todos os extratos sociais, buscando formas de apresentar o seu repertório de maneira a que tanto crianças e jovens quanto adultos possam entender e passar a apreciar esta linguagem musical sinfônica”, destacou Sotelo.
Além destes programas, a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí promoveu, em 2011, o espetáculo “Sonho de Criança”, junto com a Cia. de Teatro do Conservatório de Tatuí.
Nas sete apresentações, o grupo pedagógico-artístico reuniu quase 3.000 crianças, que também participaram de um concurso de desenho, com resultado revelado no concerto comemorativo ao aniversário de Tatuí, em agosto de 2011. Com o mesmo sucesso, em 2012, a Banda Sinfônica desenvolveu o concerto didático “Balé Petrushka”.
“Devemos também lembrar que a música instrumental, não somente de grupos sinfônicos, mas de outros grupos, incluindo aqui os populares, quase não são veiculados nos meios de comunicação de massa, que atingem a grande população”, ressaltou o maestro.
Segundo ele, esta realidade faz com que todos os líderes de conjuntos sinfônicos estabeleçam estratégias de formação de plateias. “Com a Banda Sinfônica, optamos por, primeiramente, atingir as crianças e os jovens, grupos que podem ser expostos a todos os tipos de manifestação musical e suas mensagens artísticas”, concluiu.
                                                                              oprogressodetatui.com.br

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