domingo, 3 de junho de 2012

‘João Florêncio’ será entregue em junho




Anunciada em 2009, viabilizada a partir de convênio em 2010 e iniciada em 2011, a restauração da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “João Florêncio” está em vias de ser concluída. A obra é uma das mais aguardadas pela Secretaria Municipal da Educação e, por consequência, pela Prefeitura. O trabalho – que deve ser encerrado ainda neste mês – exigiu empenho, pesquisa e licitação complexa até que pudesse sair do papel.
A primeira menção de que o prédio centenário, que data de 1909, teria as características recuperadas, foi feita em 2009. Naquele ano, o prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo, acompanhado da secretária municipal da Educação, Marisa Aparecida Mendes Fiúsa Kodaira, visitou o então secretário estadual da Educação, Paulo Renato. No encontro, Gonzaga discutiu a transferência da titularidade de oito escolas do governo para o município.
Passaram a ser de responsabilidade da Prefeitura as escolas: “José Tomás Borges”, “Eugênio Santos”, “Maria da Conceição de Oliveira Marcondes”, “Lígia de Camargo Del Fiol”, “Magaly Azambuja de Toledo”, “Accácio Vieira de Camargo”, “Terezinha Vieira de Camargo Barros” e “João Florêncio”.
Com a posse dos imóveis, o Executivo pôde receber recursos federais para a manutenção deles. O que viabilizou a reforma, no entanto, veio do próprio governo estadual, a partir de aprovação do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).
O projeto revelado pelo ex-secretário de Estado (já falecido) é de autoria do arquiteto Manoel Sabater e, com o passar dos anos, foi sofrendo modificações. Quase um ano depois de ter sido anunciada, a reforma ainda não havia saído do papel. Em maio de 2010, o município tinha dado o passo seguinte na viabilização da obra: assinou o convênio que garantiria os recursos.
O projeto inicial – que teve o valor modificado com aditivos – ficou em, aproximadamente, R$ 1,2 milhão. O dinheiro veio da própria Secretaria Estadual da Educação, que, 11 meses antes, transferira a posse do prédio a Tatuí.
Mas o início das obras só aconteceu em abril do ano passado. “O convênio data de 2009, mas foi em 2010 que começou todo o processo da licitação”, explicou a secretária municipal. Segundo ela, a obra demorou a começar pela questão de o prédio ser tombado. “A dificuldade era encontrar uma empresa especializada em fazer esse tipo de trabalho”, disse Marisa.
Segundo ela, o processo todo foi “muito sofrido”. Quando a primeira licitação caminhou, uma das empresas envolvidas teria apresentado recurso. “Aí, houve necessidade de fazer todo o processo novamente. Foi aí que demorou. A obra, realmente, começou no início de 2011”, citou a secretária.
Os primeiros trabalhos incluíram levantamento das condições do prédio. O imóvel apresentava goteiras, falta de ladrilhos e rachaduras. “Ele estava muito feio”, afirmou Marisa. Também havia problemas nos banheiros, na quadra de esportes e, até, na zeladoria (casa do zelador).
A restauração do prédio incluiu a troca de todo o telhado do imóvel, a revisão do madeiramento e a reposição dos ladrilhos. Também houve recuperação das janelas e das portas. “Eu solicitei que elas fossem envernizadas e não pintadas, porque vi que a madeira é maravilhosa”, disse a secretária. “Tudo isso aí já contribuiu para que o trabalho fosse mais minucioso e, portanto, mais demorado”, comentou.
As novas telhas são iguais às colocadas no prédio quando da inauguração, no ano de 1909. O padrão também foi mantido nos ladrilhos (confeccionados a pedido), bem como os detalhes das faixas originais que decoram as paredes internas e externas das salas de aula (chamadas de estêncil). “Todas elas foram refeitas por um restaurador de Tietê. É um trabalho extremamente bem feito, muito delicado, vamos dizer assim”, citou Marisa.
Os trabalhos de restauração estenderam-se aos porões habitáveis e não habitáveis da escola. Essas áreas receberam novo forro e piso. Toda a parte externa da unidade também foi recuperada, o que inclui bancos de ferro fundido, luminárias antigas e os jardins que ficam na parte interna do prédio.
As calçadas no entorno da unidade passam, também, pela recuperação. Houve restauração da quadra, construção de uma caixa d’água e a revisão (com reinstalação) de toda a parte hidráulica e elétrica do prédio. A Emef ganhou, ainda, um para-raio, que não afetou a arquitetura do imóvel.
Segundo Marisa, a preocupação com os detalhes está em “cada metro quadrado da escola”. “Por ser um prédio tombado, todas as características, do jeito que ele estava, tiveram de ser mantidas”, afirmou.
Por conta da preservação da arquitetura, a quadra esportiva (transformada em poliesportiva) não pôde receber cobertura. “Nós gostaríamos que ela fosse coberta, mas não tivemos autorização do Condephaat para fazê-lo”, citou a secretária.
De acordo com ela, por esta razão, a “João Florêncio” será a única Emef do município a não contar com quadra coberta. “Mas a atual (a quadra de esportes) ficou muito bonita. Tem muita sombra lá, e isso (a falta de cobertura) não fará diferença”, adicionou.
Todas as dez salas de aula da escola passaram por restauro. Assim como as salas de professores, secretaria, diretoria e cozinha. O prédio também ganhou novos banheiros e acessibilidade. “Tanto na parte interna como externa, existem rampas. É um projeto bastante minucioso, que ficou bem confortável”, falou Marisa.
A escola reformada terá capacidade para atender 700 alunos, considerando-se 35 por sala em dois períodos (manhã e tarde). Atualmente, a “João Florêncio” soma 450. “Nós teremos a possibilidade de atender mais estudantes lá”, avaliou a secretária.
Segundo ela, a Emef também receberá duas salas de atendimento educacional especializado. “Nós já temos as professoras especialistas que fazem o atendimento a esses alunos portadores de necessidades especiais (com deficiência mental e surdez)”, adiantou.
O volume de detalhes e as mudanças fizeram com que o orçamento da obra aumentasse. “Houve necessidade de aditivos porque, vez ou outra, aparecia alguma coisa que não estava contemplada no projeto anterior”, explicou.
As reformas dos porões da unidade de ensino são um dos exemplos que não constavam na proposta original. Os habitáveis eram utilizados como sala de informática e biblioteca; os não habitáveis, como depósito de materiais. “Todos eles foram limpos e passaram pelo processo de restauração”, adiantou Marisa.
Segundo ela, os locais representam verdadeira relíquia arquitetônica. “Eu falo que os estudantes de arquitetura têm de vir conhecer essa obra maravilhosa que é esse prédio construído em 1909 e que resistiu bravamente ao tempo”.
Marisa lembrou que a escola é a única do município – e uma das poucas no Estado de São Paulo – a possuir pátio interno, chamado de implúvio. “Ele também tem um jardim interno que é realmente impressionante”.
O processo de restauração está em fase de finalização. A inauguração, inicialmente, estava prevista para o mês de março deste ano (quando o governador Geraldo Alckmin fez a entrega oficial da nova maternidade da Santa Casa). “Houve esse último atraso porque eu queria que as portas fossem envernizadas e que fossem feitas as faixas decorativas tal qual existiam em 1909”, comentou Marisa.
A suplementação de verba, necessária para o andamento dos trabalhos, atendeu às obras de reforma dos porões e da zeladoria. “Tudo isso aí implicou num custo maior, mas quero deixar bem claro que 100% foram com recurso estadual. Não houve nenhum centavo de contrapartida do município”, disse.
A elaboração do projeto de restauração ficou a cargo de empresa terceirizada. “Nós precisamos contratar uma firma especializada para fazê-lo, até porque ele (o projeto) teve de passar pelo crivo do Condephaat”, explicou a secretária.
O órgão é o responsável por permitir ou não a intervenção em prédios tombados. A Emef “João Florêncio” é uma das quatro escolas tombadas pelo conselho estadual em função “da importância histórica”. As outras três unidades estão nas cidades de Sorocaba, Peruíbe e Mococa.
Como todas as novas adequações não previstas no projeto original precisaram de autorização para serem feitas, a obra demorou a ser concluída. “Além disso, a escola é muito grande, e nós tomamos todos os cuidados necessários para que a estrutura original fosse mantida. Tanto que eu conversei com o arquiteto que fez o projeto. Falei para ele que não queria que mudasse absolutamente nada de lugar”, contou a secretária.
A busca pelos materiais utilizados na restauração também fez com que a obra fosse realizada “de maneira mais lenta”, mas não menos fidedigna, segundo Marisa. Tanto que os ladrilhos que cobrem o piso interno da unidade precisaram ser encomendados. “Mandamos refazer especialmente para recobrir os espaços em que os ladrilhos estavam faltando”, adicionou.
O imóvel recuperado deverá ser ocupado ainda neste mês, antes da inauguração. Atualmente, os estudantes da escola estão divididos em dois locais: na Faculdade “Paulo Setúbal” (situada na antiga escola do Sesi – Serviço Social da Indústria) e na Asseta (Associação de Ensino Tatuiense).
“Nós queremos, nos próximos dias, começar a fazer a mudança deles com todo o cuidado”, citou a secretária. Segundo ela, em pelo menos uma das salas, os estudantes serão acomodados em mobiliário original.
Para tanto, a secretaria deverá providenciar a limpeza das cadeiras e carteiras de madeira maciça, do chamado “Modelo Brasil”. “Eu já conversei com a diretora e disse a ela que queria manter uma sala tal qual era com aquelas carteiras. Ela gostou da ideia e, por isso, vamos ver se conseguimos manter pelo menos uma das dez salas com elas”, comentou.
Segundo ela, as cadeiras e carteiras não precisarão de restauração. “Elas estão em excelentes condições, são resistentes e precisarão apenas ser limpas”, falou.
A data de inauguração da escola, que atende a alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, deverá ser divulgada nos próximos dias. “Nós já temos uma primeira data, mas, ao longo dessa semana, vamos decidir a mais adequada”, finalizou.
                                                                                                          oprogressodetatui.com.br

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