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domingo, 8 de julho de 2012

Programa aproxima jovens do meio rural

O setor rural, responsável por 13% das riquezas produzidas no município, reúne apenas 4,7% da população local. A desproporção pode apontar carências de mão de obra na agropecuária, que, por sua vez, evidenciam oportunidades de emprego. Com foco nelas, há quatro anos o município participa do programa “Jovem Aprendiz Rural”, voltado ao ingresso de estudantes no mercado de trabalho do campo.
Em Tatuí, a iniciativa, mantida pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), conta com apoio do Sindicato Rural Patronal e da Prefeitura. Diariamente, um grupo de 30 jovens com idade entre 14 e 16 anos assiste a aulas teóricas e realiza atividades práticas. Os assuntos abordados no programa de formação estão direta ou indiretamente relacionados à agropecuária.
O objetivo é oferecer capacitação e contribuir para que os adolescentes recebam oportunidade de trabalho por meio da “Lei da Aprendizagem” . A modalidade de trabalho exclusiva para estudantes é caracterizada por proporcionar situações de aprendizagem que acontecem nas empresas, mantendo vínculo empregatício formal.
No caso do “Jovem Aprendiz” voltado ao trabalho no setor agropecuário, existe o objetivo secundário de combater o êxodo rural, ajudando jovens a se fixar profissionalmente na zona rural. Segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), até 2020, as zonas urbanas concentrarão 90% da população brasileira.
Para assumirem as aulas do programa no município, a instrutora pedagógica Adriana Camargo Flocco e o instrutor técnico Fábio Abrami passaram por curso preparatório do Senar. De acordo com eles, o treinamento enfatizou a necessidade de “atrair” os jovens para a atividade agropecuária.
“Lá, eles falaram que a atual geração está perdendo o contato com esta parte rica que é a zona rural. Então, o intuito é fazer com que eles conheçam as origens do campo, desde o trabalho com a terra para o plantio do alimento até chegar à mesa do consumidor. Isso tudo foi se perdendo com o tempo e a tecnologia”, afirmou Adriana.
No início de cada ano letivo, os instrutores percorrem as escolas do município para “recrutar” jovens interessados em participar do programa. Segundo Abrami, para se inscrever, é preciso estar na faixa etária exigida e passar por entrevista, na qual é avaliado o interesse em atuar no segmento rural.
“O objetivo é atender jovens ligados ao meio rural do município, mas nem todos os candidatos se encaixam neste perfil. Às vezes, há interessados que moram na cidade, mas possuem algum familiar que mora na zona rural ou que trabalha com agropecuária”, acrescentou Adriana.
O programa tem duração de nove meses, com aulas de segunda a sexta, das 13h às 17h. Como os alunos frequentam o ensino regular, no final da manhã, um ônibus emprestado pela Prefeitura percorre as escolas e transporta os alunos até a sede do sindicato. Ao final da aula, o ônibus faz o transporte até as casas. Enquanto estão no sindicato, os alunos recebem almoço e café da tarde.
A maneira de falar em público é um dos conteúdos aplicados durante o curso. A técnica é exercitada, principalmente, quando os alunos recebem visitas. As boas-vindas são dadas com uma música cantada pela turma.
Em seguida, cada aprendiz fala um pouco da sua experiência no curso. No caso da atual turma, a responsabilidade é citada por todos os alunos como a principal lição aprendida até o momento.
É o caso da estudante Maria Roberta Sarubo Cardoso, 16. Ela está entre os alunos que não têm relação direta com agropecuária. Maria Roberta mora no Jardim Santa Rita de Cássia e estuda na Escola Estadual “Barão de Suruí”. A avó dela mora na zona rural e possui uma horta.
“O curso está sendo uma experiência de vida muito boa, porque eu adquiri responsabilidade, paciência, e aprendi a lidar com as diferenças”, afirmou a jovem. No futuro, ela pretende ser cirurgiã. “Eu acho que o trabalho em equipe, principalmente na horta, ajuda bastante, porque, na profissão que eu pretendo seguir, se precisa muito disso”, acrescentou.
Morador do mesmo bairro e estudante da mesma escola, Carlos Henrique Amorim da Cruz, 16, está em situação parecida. No entanto, ele pretende ser auditor. “Aqui, eu pretendo ter uma base, para ter uma noção do que é um emprego. Este curso não ensina só como lidar com a terra, mas também como lidar com as pessoas”, comentou.
Como instrutora pedagógica, Adriana é a responsável pelas aulas teóricas do programa, aplicadas durante o primeiro módulo. Conforme explicou, nesse momento, os alunos adquirem conhecimentos gerais, necessários para qualquer área de atuação profissional.
“É uma preparação para o mercado de trabalho, que inclui ensinamentos sobre como se comportar em uma entrevista de emprego, como lidar com as diferenças entre as pessoas, postura profissional, responsabilidade e trabalho em equipe”, afirmou a professora.
Na avaliação dela, a primeira parte do curso ajuda a identificar alunos com perfil profissional menos indicado para o trabalho direto com a terra. “Na minha aula, a gente fica em sala com ar-condicionado e água fresca. Tem alunos que se desenvolvem mais porque são líderes na parte teórica”.
De acordo com Adriana, o “equilíbrio da turma” acontece porque outro grupo de alunos prefere o trabalho relacionado às atividades da zona rural, realizadas durante o segundo módulo. “Como a gente fica muito em cima do trabalho em equipe, os alunos acabam se ajudando, mesmo tendo perfis diferentes”, disse.
Ministradas por Abrami, as aulas práticas acontecem em terreno emprestado pelo Lar São Vicente de Paulo e consistem, principalmente, na construção de canteiros, preparação da terra e cultivo de alimentos. Os produtos colhidos na plantação são comercializados em uma feira e o dinheiro arrecadado é utilizado para pagar a festa de formatura.
Segundo o professor, o programa possui método de ensino diferente do sistema regular das escolas. “A gente lança os conteúdos para que eles mostrem aos colegas. Se for necessário, a gente orienta e ajuda, mas sempre trabalhamos para que eles participem ao máximo”, explicou.
O método diferenciado também é aplicado na avaliação, mesmo não havendo índice mínimo necessário para a conclusão do curso. “O aluno tem que manter a frequência. A avaliação diária é mais para verificar se ele realmente aprendeu determinado conteúdo, não para ver se ele alcançou a nota necessária para ser aprovado”.
De acordo com o instrutor, o “Jovem Aprendiz Rural” necessita de mais parcerias com empresas voltadas ao campo para a colocação dos alunos formados. “Seria importante que as empresas abrissem oportunidades, contratando aprendizes”, comentou.
Ele ressaltou que, depois de participar do programa, os alunos têm conhecimentos que possibilitam o trabalho em diversos setores, ligados direta ou indiretamente ao agropecuário. “Saem com uma visão ampla do sistema”, finalizou Abrami.
                                                                                            oprogressodetatui.com.br

terça-feira, 10 de abril de 2012

Prova de Marcha de Muares e Equinos é atração em Tatuí

A cidade de Tatuí vai receber a 1ª Prova de Marcha Amadora de Muares e Equinos no próximo domingo. O evento ocorre a partir das 9h, no Recinto de Eventos do Lar Donato Flores.
Serão disputadas no local várias provas, com premiação em dinheiro do 1º ao 5º lugar, além de troféus do 1º ao 5º lugar e medalhas do 6º ao 10º lugar. A inscrição irá custar R$ 50. Haverá um Rancho Tropeiro, servindo comida tropeira e queima de alho, tradição da região. A entrada ao recinto será franca ao público.
O evento é organizado pela Associação de Tradição Tropeira de Tatuí e tem o apoio da Prefeitura de Tatuí, através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte, Lazer e Juventude. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3259-8400.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Agricultores reclamam da queda do preço da laranja pago pela indústria

Na fazenda no município de Tatuí, há 300 mil pés de laranja e aumento de 20% na produtividade em relação à safra anterior. O clima também ajudou e nesta safra, dois milhões de caixas de 40 quilos devem sair dos pomares das duas fazendas do produtor. Mas se colheita é maior, o preço decepciona.

"O ano passado, a indústria ofertava R$ 15 a caixa com 40 quilos. Hoje, estamos vendendo a mesma laranja a R$10,50", compara Osni Hessel, administrador da fazenda.

Quase toda a safra vai para a produção de suco. A fruta é lavada e selecionada, trabalho feito 12 horas por dia em dois turnos. Mas há dificuldade em entregar a laranja, apesar de existir um contrato entre a indústria e a fazenda, firmado antes do início da safra.

Todos os dias, cinco carretas com a fruta precisam seguir rumo à indústria, mas apenas duas no máximo conseguem descarregar. “A fruta que vai para a indústria aguarda cerca de 80 horas para ser descarregada. Não tendo descarga, ela volta. Não há condições de colocar essa carga de volta no mercado, então eu tenho que descartá-la”, explica Hessel.

O produtor Rafael Juliano também enfrenta transtornos com a indústria. Em um único dia, dois caminhões não conseguiram descarregar a carga. “São cerca de 20 toneladas em cada caminhão e custa caro colher, embalar, passar e mandar para a indústria para depois devolver”, reclama.

De acordo com a Citrus-BR, associação que representa a indústria de suco, as fábricas estão operando com capacidade máxima. A dificuldade em absorver a produção está ligada ao aumento da safra que, segundo a associação, é a segunda maior da história.

A Citrus-BR diz que estuda a criação de um conselho para regular o fornecimento das frutas, oferecendo prêmios para quem entregar fora dos períodos de pico.

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