A visita de alunos da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Maria da Conceição Oliveira Marcondes”, do bairro Valinho, à represa da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) iniciou na segunda-feira, 19, a sétima edição da Semana Municipal da Água. As atividades prosseguem até a sexta-feira, 23, e envolvem principalmente o público infantil.
A semana temática relacionada à água é promovida pela Sema (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e possuiu como objetivo “promover a conscientização ambiental no uso dos recursos hídricos, principalmente com crianças e jovens”. O resultado dos trabalhos realizados nas edições anteriores já é visível no município, segundo explica o diretor do Departamento de Educação Ambiental e Eventos da Sema, Wendell Rodrigues Wanderley.
“Conversando com os professores e coordenadores de ensino, que aplicam os temas ambientais nas escolas, a gente percebe que as crianças já estão mais informadas a respeito do assunto. As crianças possuem mais conhecimento sobre o meio ambiente, porque hoje parece que elas conseguem prestar mais atenção e aprender mais rápido”, afirmou Wanderley.
De acordo com ele, é por meio do conhecimento que o estudante passará a compreender melhor a situação ambiental do planeta e a necessidade de preservação. “É uma questão de valorização. A gente quer que eles conheçam os recursos naturais e passem a valorizá-los. As pessoas não protegem algo que não gostam ou que não conhecem”, comentou o diretor.
Ele explica que é a partir desta perspectiva que o Departamento de Educação Ambiental e Eventos organiza a programação da Semana Municipal da Água. Wanderley cita como exemplo a atividade que aconteceu na segunda-feira na represa da Sabesp. “Lá, os alunos viram que é construída uma represa e depois a água é coletada e tratada. Isso demanda tempo, custos e muitas pessoas trabalhando para que a água chegue a casa deles”.
O diretor também destacou o exemplo da atividade que será realizada na sexta-feira, na qual alunos da Emef “Sarah de Campos Vieira dos Santos” visitarão uma área verde próxima ao rio Tatuí. “Vamos mostrar a eles a mata ciliar, bioma da mata atlântica, as espécies. É importante entender a relação entre mata e água”, afirmou.
Com a atividade, a Sema buscará mostrar aos alunos uma região na qual o rio Tatuí ainda encontra-se sem poluentes. “Muito provavelmente eles conhecem o rio Tatuí ou o ribeirão Manduca em um ponto da zona urbana, onde já há poluição”, observou Wanderley. Para ele, a comparação com uma área preservada ajudará a estabelecer “uma consciência de preservação”.
“O estudo em sala de aula é fundamental, importante para a formação das crianças. Isso não se discute. Mas a gente quer também que eles conheçam algumas situações práticas”, disse Wanderley. De acordo com ele, ao agregar este tipo de conhecimento ao ensino cotidiano dos estudantes, obtêm-se resultados práticos. “Ele (o estudante) joga uma latinha de refrigerante no chão, ou vê um adulto jogando, e saberá que isso poluirá a água em algum lugar”, acrescentou o diretor.
Conforme Wanderley, outra maneira de promover a conscientização é explicar os efeitos que a degradação do meio ambiente pode causar. No caso da água, ele cita as doenças decorrentes da poluição. “São as chamadas ‘doenças hídricas’. Além de gastar mais para tratar a água que será disponibilizada à população, os governos vão gastar mais dinheiro tratando as pessoas que ficam doentes. Seria melhor não poluir”, observou.
Ontem, terça-feira, 20, dentro das atividades da Semana Municipal da Água, a Sema realizou a abertura da exposição “Água na Medida Certa”. A mostra ambiental permanece aberta na Emef “José Tomás Borges”, do bairro Santa Cruz até a sexta-feira desta semana, dia 23. As visitas podem ser feitas das 8h às 11h30. Na quinta-feira, 22, o público deve visitar a exposição das 9h às 12h. Neste mesmo dia e horário também acontecem atividades de conscientização sobre “a importância da água” na Praça da Matriz.
AÇÕES CONTÍNUAS
A Semana Municipal da Água acompanha o Dia Mundial da Água e o Dia do Rio Sorocaba, ambos comemorados em 22 de março. De maneira semelhante, a Sema realiza diversas outras semanas temáticas ao longo do ano. É o caso da Semana Municipal da Reciclagem de Lixo, no período de 5 a 9 de março, e da Semana Municipal de Arborização Urbana, geralmente realizada em setembro.
“O objetivo principal deste tipo de trabalho é a conscientização, para o qual a Sema criou especialmente o Departamento de Educação Ambiental. A gente faz um trabalho diferenciado para conscientizar o público. Mas são eventos pontuais. É importante ressaltar que a gente faz no ano inteiro”, afirma Wanderley.
O diretor afirma que a melhor maneira de levar a informação ambiental ao público em geral é por meio das crianças. “A gente costuma dizer que todo dia a família vai para a escola. Ou seja, pelo menos um integrante da família está representado-a na escola”, explica. Na avaliação dele, isto permite uma “relação de troca”. “Isso é muito importante. Quando ele (o aluno) volta para casa, os outros participam de uma troca de informações sobre aquilo que ele aprendeu na escola”, comentou o diretor.
No entanto, ele afirma que ao longo do ano também acontecem eventos direcionados ao público adulto. De acordo com o diretor, trata-se de uma programação que geralmente é realizada em locais públicos dos bairros. “É o caso da atividade que será realizada nesta quinta-feira na Praça da Matriz. Nestas situações você também aproveita para conversar com os adultos”, afirmou Wanderley.
Ele explica que a importância de divulgar o tema ambiental não está limitada apenas aos ganhos de preservação e conscientização. “Em 1997, o Brasil passou a ter uma legislação ambiental muito boa, baseada em vários outros países. Dizem que é a melhor do mundo e mais rígida. Desde então, as leis ambientais mudaram bastante e as pessoas precisam conhecer a lei para poder cumpri-la e não enfrentar problemas”.
Wanderley cita o fato de que no passado os temas ambientais faziam parte das secretarias municipais da agricultura. “Hoje o meio ambiente passou a representar uma pasta própria e independente, como aconteceu aqui em Tatuí, no ano de 2009”, disse. Conforme o diretor, as mudanças podem dificultar alguns entendimentos. “Tudo o que é novo provoca certo impacto, por isso queremos levar as informações ao público. Ninguém é obrigado a decorar leis”, comentou.
Na avaliação dele, as pessoas estão procurando se informar mais a respeito do meio ambiente e da sua legislação, resultando em aumento na conscientização ambiental. “As coisas já foram muito piores e não é otimismo de ambientalista. A gente vê isso no campo de trabalho”, complementou. Entretanto, ele afirma que ainda há muito a ser feito. “O Brasil é o país que tem a maior parte da água doce no mundo, mas por conta disso somos o povo que mais desperdiça. Isso precisa mudar, a água é um bem finito”.